O Santos vive um dos momentos mais delicados e decisivos de sua história fora de campo. Mesmo com uma proposta bilionária sobre a mesa, o clube ainda não pode avançar para virar SAF por conta de uma trava estatutária que limita a venda a apenas 49% das ações. Esse detalhe, que parece pequeno, hoje é o principal obstáculo para qualquer acordo.

SP – SANTOS – 05/01/2026 – SANTOS, APRESENTACAO GABIGOL – Gabriel Barbosa(Gabigol) ao lado de Presidente Marcelo Teixeira durante sua apresentacao oficial como jogador do Santos FC em coletiva de imprensa realizada no Vila Belmiro. Foto: Mauricio De Souza/AGIF
© Mauricio De Souza/AGIFSP – SANTOS – 05/01/2026 – SANTOS, APRESENTACAO GABIGOL – Gabriel Barbosa(Gabigol) ao lado de Presidente Marcelo Teixeira durante sua apresentacao oficial como jogador do Santos FC em coletiva de imprensa realizada no Vila Belmiro. Foto: Mauricio De Souza/AGIF

Segundo informações publicadas pela revista Veja, investidores interessados no controle do futebol santista esbarram exatamente nessa regra. Nenhum grupo aceita aportar cifras tão altas sem ter o comando majoritário da operação. Internamente, o tema já é tratado como inevitável, mas envolve debates políticos, jurídicos e administrativos complexos.

O clube, inclusive, já iniciou discussões para alterar o Estatuto. No entanto, o processo é longo e exige aprovação do Conselho Deliberativo e dos associados. A diretoria entende que não é possível acelerar tudo sem segurança jurídica, sob risco de judicialização e desgaste institucional.

Proposta bilionária e bastidores do interesse estrangeiro

A oferta mais concreta até agora veio da família Santo Domingo, uma das mais ricas da Colômbia. O grupo, ligado ao conglomerado Valorem e acionista da AB InBev, apresentou uma proposta entre R$ 800 milhões e R$ 1 bilhão pelo controle da SAF santista, além da disposição para assumir integralmente as dívidas do clube.

SP – SANTOS – 29/09/2025 – SANTOS, OUTROS – O presidente do Santos FC Marcelo Teixeira durante inauguracao dos novos alojamentos do Recanto dos Alvinegros, hotel dentro do CT Rei Pele onde os jogadores e comissao tecnica ficam concentrados antes da partidas. Foto: Mauricio De Souza/AGIF

Somando aporte e passivo, a operação poderia levar o valor de mercado do Santos para além dos R$ 2 bilhões. A proposta, porém, é não vinculante e depende diretamente da mudança estatutária. Sem a liberação para venda majoritária, o negócio simplesmente não anda.

Desde maio de 2025, o Santos conta com a XP Investimentos para estruturar o processo, mapear investidores e avaliar o clube. A chegada dessa proposta é vista internamente como um divisor de águas, mas também como um teste de maturidade política da instituição.

Estatuto, história e próximos passos

O presidente Marcelo Teixeira sabe que terá de conduzir o debate com cautela. A proposta prevê cláusulas rígidas de preservação da identidade do clube, vetando mudança de nome, escudo, cores, hino e até localidade. Ainda assim, qualquer avanço depende de voto interno.

A expectativa é que o Santos apresente uma proposta de alteração estatutária específica para SAF, sem mexer em outros pontos do Estatuto. Só após essa aprovação é que o clube poderá transformar a oferta em vinculante e destrinchar detalhes como aportes anuais e modelo de gestão.

Enquanto isso, o Peixe segue no limbo: desejado pelo mercado, valorizado pela história e pela marca, mas travado por regras antigas. A decisão final passa menos pelo dinheiro e mais pela coragem política de mudar o rumo do clube.