A chegada de Emily Lima ao Corinthians representa, ao mesmo tempo, oportunidade e pressão. O clube consolidou nos últimos anos uma cultura vencedora, com protagonismo constante em finais nacionais e continentais. Internamente, a expectativa é de manutenção do padrão competitivo que marcou a trajetória recente das Brabas. Ao mesmo tempo, há o desejo de que a treinadora imprima sua identidade. O cenário coloca a nova comandante diante de um desafio imediato de afirmação.

Corinthians Feminino. Foto: Marlon Costa/AGIF
© Marlon Costa/AGIFCorinthians Feminino. Foto: Marlon Costa/AGIF

O contexto exige equilíbrio entre gestão de grupo e implementação de modelo de jogo. Caberá a Emily recuperar confiança e alinhar discurso com desempenho em campo. A transição também passa por ajustes internos e adaptação ao ambiente do Parque São Jorge. Resultados rápidos serão fundamentais para consolidar o trabalho. O desafio é harmonizar identidade própria com a cultura já estabelecida no clube.

Taticamente, Emily preza pela adaptação ao contexto do elenco disponível. Em trabalhos recentes, tanto no Levante quanto na Seleção Peruana Feminina, alternou principalmente entre o 4-4-2 e o 4-1-4-1. A estrutura parte de linha defensiva com duas zagueiras e laterais que apoiam de forma coordenada. No 4-4-2, busca povoar o meio-campo para equilibrar e acelerar transições. O desenho tático variou conforme o perfil técnico das equipes comandadas.

Emily Lima. Foto: Divulgação/@ligaf

Variações táticas e posse de bola

No 4-1-4-1, utiliza uma volante fixa à frente da zaga para dar sustentação defensiva. As meias são liberadas para pressionar alto, enquanto a atacante atua mais adiantada. Em alguns momentos, essa referência ofensiva sai da área para articular como uma falsa nove. Conforme dito em entrevista, a treinadora afirma que gosta do jogo de posse bola. A expectativa é que o estilo se aproxime do modelo visto no Santos, quando conquistou o Paulistão.

O desafio de Emily também envolve o momento institucional do clube. O Corinthians busca manter a identidade vencedora construída nas últimas temporadas. Ao mesmo tempo, tenta contornar a insatisfação das atletas com a condução da modalidade no Parque São Jorge. A zagueira Érika expôs, em zona mista, atrasos em valores de premiações e dificuldades de comunicação interna. O cenário amplia a responsabilidade da nova comandante dentro e fora de campo.

O próximo passo será a apresentação oficial e o início imediato dos trabalhos no CT. A preparação mira compromissos decisivos que se aproximam no calendário. O primeiro deles será diante do Palmeiras, em 14 de março, na Arena Barueri. O duelo será válido pela terceira rodada do Brasileirão Feminino. A partida servirá como primeiro teste competitivo da nova gestão.

Perfil da treinadora

Emily Alves da Cunha Lima nasceu em 29 de setembro de 1980 e soma títulos do Paulistão Feminino em 2015 e 2018. Como treinadora, passou por Portuguesa, Juventus-SP, São Caetano, Santos e Levante. Também comandou as seleções sub-15 e sub-17 do Brasil, além da equipe principal brasileira, do Equador e do Peru. A trajetória reúne experiência em clubes e seleções. No Corinthians, inicia mais um capítulo relevante de sua carreira.