O Fluminense entrou na temporada com discurso de candidato — e elenco para sustentar a pretensão. Mas, quando o jogo aperta, a promessa não vira resultado. Falta algo básico no futebol de alto nível: transformar domínio eventual em vitória concreta. Zubeldía recorre a uma palavra que diz mais do que parece: “contundência”. Traduzindo: o time até chega, mas não resolve.
Esse é o termo que o argentino utiliza para explicar a incapacidade do elenco em transformar as chances criadas em gols, algo que vem limitando o teto da equipe. O Flu é um dos times que mais precisa finalizar para balançar as redes.
Segundo apuração estatística do portal Globo Esporte, Bahia e Grêmio são os times que têm melhor aproveitamento — precisam de 6,7 e 6,8 finalizações para marcar, respectivamente. O Time de Guerreiros, porém, está entre os piores índices, só atrás de Bragantino (11,28), Vasco (11,81), Mirassol (11,95) e Corinthians (12,33). O Fluminense cria chances claras, mas precisa, em média, de 9,68 chutes no gol para balançar as redes nessa temporada.
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Pouca assertividade virou padrão
O roteiro se repete — quase à exaustão — nos tropeços recentes do Flu. Não há surpresa, o que há é padrão. Existe ali um número que seduz: a capacidade de criação. Produz, ronda a área, dá a impressão de controle. Mas o mesmo dado que anima também impõe dúvida.
No recorte do Brasileirão, o Fluminense já deixou pelo caminho quatro resultados que pesam na tabela: derrotas para Vasco e Palmeiras, empates com Coritiba e Bahia. Em todos eles, o padrão se impõe com teimosia.

A missão de JK e de seus companheiros é melhorar a pontaria – Foto: Robson Mafra/AGIF
Foram cinco gols em 22 finalizações na direção da meta. A matemática é simples e incômoda: é preciso chutar mais de quatro vezes no alvo para transformar uma em gol. Não falta chegada. Falta precisão. E, no futebol, essa diferença costuma separar quem disputa o topo de quem apenas o observa.

Problema também acontece em vitórias do Tricolor
Mas o roteiro não se limita aos tropeços. Ele também aparece nas vitórias. Contra Athletico-PR e Grêmio, por exemplo, o Fluminense teve oportunidades suficientes para resolver o jogo com antecedência. Não resolveu.
O resultado foi um final sempre mais tenso do que o necessário. A explicação não é única, mas começa pela qualidade da conclusão das jogadas. O time aumentou o número de chutes de média e longa distância — o que inflaciona as estatísticas, mas nem sempre o perigo real. No fim, produz-se muito, mas nem sempre se ameaça de fato.






