O futebol feminino vem aos poucos conquistando seu espaço e caindo no gosto dos apaixonados pelo esporte. O processo para que haja equidade com o futebol masculino é lento, já que décadas afastaram as mulheres da prática desse esporte, aqui no Brasil, por exemplo, ele ficou proibido de ser praticado por 40 anos, obrigando com que algumas parassem de praticar  a atividade ou ainda jogasse as escondidas para evitar serem alcançadas pela força da lei. 


E um dos eventos mais tradicionais do esporte é a Copa do Mundo de Futebol. Neste evento que acontece de quatro em quatro anos movimenta o mundo em prol do futebol. Mas inicialmente apenas os homens participavam da disputa do torneio internacional que foi criado em 1930 e que foi realizado pela primeira vez no Uruguai e contou com a participação de 13 seleções da América e Europa. E é claro que o evento seria um sucesso conquistando rapidamente fãs para o torneio que trazia o peso do futebol como uma representação de toda uma nação.


Apesar disso o torneio só abriu as portas para as mulheres mais de 60 anos depois. Em 16 de novembro de 1991, na China que finalmente as mulheres entraram em campo para defender a camisa da sua nação e mostrar ao mundo que elas também são boas de bola. Ao todo 12 seleções participaram do torneio mundial.

 Anteriormente a disputa da Copa do Mundo Feminina, a Fifa realizou um evento teste. Em 1988 foi disputado o Torneio Internacional da China, criado com o apoio de João Havelange, que na época era o presidente da FIFA. E o evento teste contou também com a participação de 12 seleções inclusive a do Brasil, que acabou ficando em terceiro lugar no torneio. Já na Copa do Mundo, elas não passaram da fase de grupo, sendo a Seleção dos Estados Unidos, a primeira a conquistar o primeiro título da competição.

A partir daquela data a competição passaria a ser disputada de quatro em quatro anos, em um país-sede selecionado pela FIFA. Além disso o evento cresceu desde então, de 12 seleções passou para 16 e atualmente a disputa conta com a participação de 24 equipes de todos os continentes, uma prova de que as mulheres vem alcançando a sua representatividade no esporte mesmo em países com uma visão mais rígidas sobre o papel da mulher na sociedade. Apesar da evolução, é claro que há um longo caminho pela frente para alcançar a equidade de gênero no esporte.


Seleção Brasileira feminina na Copa de 1991


A estreia da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 1991 aconteceu no dia 17 de novembro e para a alegria verde e amarela, a estreia foi com vitória sobre as japonesas por 1 x 0, com gol da zagueira Elane aos 4 minutos do primeiro tempo. Porém na segunda rodada, o Brasil seria superado pelos Estados Unidos pelo placar de 5 x 0. Na última rodada, o desafio foi diante da Suécia, que inclusive tinha em seu elenco Pia Sundhage, que atualmente é  técnica da seleção brasileira. Foi diante das suecas que o sonho brasileiro de avançar na competição internacional foi interrompido, já que na ocasião as canarinhas foram derrotadas por 2 x 0.

No último fim de semana nos dias 11 e 12, a CBF realizou um evento para homenagear as atletas que integraram a Seleção Brasileira de Futebol Feminino na disputa do Primeira Copa do Mundo de Futebol Feminino FIFA. Na lista de convocadas para homenagem das pioneiras estavam as goleiras Lica (In memoriam), Simone (In memoriam), Meg, Miriam; as laterais Marisa, Fanta, Suzana, Rosa; as zagueiras Elane, Suzy, Sandra, Solange (Soró), Dai; as meio-campistas Lúcia Feitosa (Lucy Alves), Pelezinha Marcinha, Fia Paulista, Fia Carioca, Russa, Sissi, Márcia Taffarel, Cenira, Danda; as atacantes Cebola, Roseli, Michael Jackson, Flordelis, Adriana, Nalvinha, Pretinha.

De acordo com a CBF o evento é um passo na reafirmação do resgate e da reparação histórica com as ex-atletas que defenderam a Amarelinha em seus primórdios. "O momento é único! Fazer um resgate histórico é muito importante. São atletas que viveram uma proibição, que conseguiram um terceiro lugar no Torneio Experimental em 1988 com quase nenhuma condição. A gente precisava fazer essa reparação, precisava fazer essa homenagem e acho que elas puderam sentir o carinho, sentir que é de verdade, que elas nunca foram esquecidas e tivemos essa oportunidade agora de poder dar essa luz e visibilidade. É um novo começo, é uma reparação e um recomeço das conquistas, que tenho certeza que estão cada vez mais próximas", destacou Aline Pellegrino, Coordenadora de Competições Femininas da CBF, em entrevista a própria entidade.