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Seleção Brasileira enfrenta dilema criativo no meio-campo antes da Copa de 2026

Sob o comando de Carlo Ancelotti, a equipe tenta equilibrar intensidade e criatividade neste setor em específico

Há poucos meses da Copa do Mundo FIFA 2026, a Seleção Brasileira encara uma discussão que vai além de nomes e escalações. O centro do debate está no meio-campo e na sensação de que falta um articulador clássico, aquele camisa 10 capaz de controlar o ritmo, pensar o jogo e decidir com um passe.

Seleção Brasileira enfrenta dilema criativo no meio-campo antes da Copa de 2026 – Buda MendesGetty Images
Seleção Brasileira enfrenta dilema criativo no meio-campo antes da Copa de 2026 – Buda MendesGetty Images

Sob o comando de Carlo Ancelotti, a equipe tenta equilibrar intensidade e criatividade neste setor em específico. O perfil recente das convocações mostra preferência por jogadores de força física, marcação e aceleração constante.

Jogadores da Selecao Brasileira durante treino na Granja Comary em Teresopolis (RJ). A equipe se prepara para enfrentar o Chile pelas Eliminatorias da Copa do Mundo 2016. Foto: Marlon Costa/AGIF

Jogadores da Selecao Brasileira durante treino na Granja Comary em Teresopolis (RJ). A equipe se prepara para enfrentar o Chile pelas Eliminatorias da Copa do Mundo 2016. Foto: Marlon Costa/AGIF

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Comparação com outras gerações

A comparação com outras gerações surge quase de forma automática. O Brasil que já teve Rivellino, Zico, Rivaldo e Kaká como referências centrais hoje busca soluções mais funcionais. Em 1970, quatro camisas 10 dividiram o mesmo time. Agora, a construção é mais pragmática e menos concentrada na genialidade pelo centro.

Dentro do elenco atual, Lucas Paquetá aparece como o nome que mais se aproxima de um armador tradicional, mesmo sem ser um clássico organizador. Bruno Guimarães oferece dinâmica e chegada à frente, enquanto jogadores como André, Andreas Pereira e Gerson reforçam a ideia de intensidade e versatilidade.

A dependência técnica de Neymar também entra na equação. Aos 34 anos, ele ainda é visto como o jogador mais capaz de assumir a função de organizador, mas a incerteza física transforma essa expectativa em dúvida. Sem ele a responsabilidade criativa tende a recair sobre pontas que jogam por dentro, como Vini Jr., Rodrygo e Estêvão.

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E as outras seleções?

O contraste fica ainda mais evidente quando se observa outras seleções. Rodri dita o ritmo da Espanha, Frenkie de Jong organiza a Holanda, enquanto França e Portugal contam com meio-campistas que combinam força e leitura de jogo. O Brasil, por sua vez, tenta construir sua identidade sem um maestro central incontestável.

Isso não significa ausência de talento. Significa uma mudança de perfil. O risco é que a equipe se torne excessivamente dependente de jogadas individuais pelas pontas ou de arrancadas em velocidade, tornando o jogo previsível em momentos de maior bloqueio defensivo. Ao mesmo tempo, há quem veja na adaptação uma chance de repetir o espírito coletivo de 2002, quando o conjunto superou desconfianças.

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Com a maior Copa da história prestes a começar, disputada em três países e com 48 seleções, o desafio de Ancelotti é encontrar o equilíbrio entre solidez e imaginação. Se o meio-campo conseguir transformar intensidade em pensamento, o Brasil pode chegar forte. Se não, o dilema criativo pode se tornar o principal teste da Seleção no ano mais aguardado do ciclo.

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