A escalação do Palmeiras para enfrentar a LDU, nesta quarta-feira, pela ida das quartas de final da Libertadores, carrega um peso maior do que simplesmente definir os 11 titulares. Andreas Pereira será desfalque por suspensão, enquanto Abel Ferreira precisa encontrar alternativas para um time que chega ao confronto depois de empatar sem gols com o Botafogo e perder a liderança do Brasileirão.
O ponto que mais me chama atenção é que a ausência de Andreas mexe na estrutura do meio-campo e obriga o Alviverde a redistribuir responsabilidades. Contra o Botafogo, o camisa 8 participou de uma das principais jogadas ofensivas da equipe e sua presença também ajudava a conectar a saída de bola com os homens mais adiantados. Sem ele, Abel precisará encontrar uma solução que preserve o funcionamento coletivo.
É justamente aí que Lucas Evangelista pode ganhar importância. O meio-campista foi titular diante do Botafogo, mas não teve uma atuação no nível que pode apresentar. Ainda assim, sua saída naquele jogo coincidiu com uma redução na capacidade do Palestra de criar, algo que mostra que sua função pode ser mais relevante do que a avaliação individual daquela partida. Contra a LDU, portanto, a questão não deveria ser apenas quem substitui Andreas, mas como o Palmeiras irá compensar aquilo que perde sem ele.
Isso pode fazer Abel pensar em uma construção mais coletiva. Em vez de procurar um jogador capaz de reproduzir exatamente os movimentos de Andreas, o treinador pode distribuir essa responsabilidade entre Evangelista, Marlon Freitas, Maurício e os jogadores de lado. A ideia seria evitar que a equipe fique dependente de uma única peça para acelerar a circulação e encontrar passes entre as linhas. Afinal, trocar um nome por outro não significa necessariamente manter o mesmo Verdão.
De olho em Piquerez
Piquerez apresenta um desafio diferente. O lateral está voltando a ganhar sequência depois de um período em que precisou lidar com problemas físicos e começou como titular contra o Botafogo. O desempenho no Nilton Santos ficou abaixo do que o torcedor espera de sua melhor versão, mas esse contexto precisa ser considerado antes de qualquer julgamento definitivo. O uruguaio está na missão de recuperar ritmo, intensidade e confiança, e a Libertadores pode ser mais uma etapa desse processo.
Por isso, não vejo Piquerez como uma solução automática para os problemas ofensivos da ‘equipa’. O mais interessante é entender o que Abel poderá pedir ao lateral neste momento. Se ele tiver liberdade para avançar, pode oferecer amplitude e empurrar a defesa da LDU para trás. Se precisar controlar mais suas subidas, o time terá de encontrar outras maneiras de ocupar o corredor esquerdo. A condição física de Piquerez tem impacto crucial para a estratégia como um todo, principalmente pela influência na maneira como o Palmeiras pode atacar dentro do Nubank Parque.
A missão está em fazer o ataque funcionar
Essa discussão ganha ainda mais importância porque o Palmeiras precisa melhorar sua produção ofensiva. Contra o Botafogo, a equipe teve posse e criou algumas oportunidades, mas novamente terminou sem marcar. O empate por 0 a 0 fez o time chegar aos 53 pontos e permitiu que o Flamengo assumisse a liderança com 54. O problema vai além do resultado e escancara a necessidade de transformar controle territorial em situações de gol com maior frequência, algo fundamental para um primeiro duelo de mata-mata da Libertadores.

Desta forma, a escalação contra a LDU pode revelar bastante sobre o plano de Abel. Se o treinador mantiver uma estrutura próxima daquela utilizada no Brasileirão, poderá buscar continuidade e equilíbrio. Se fizer alterações nas funções de meio-campo e ataque, estará sinalizando que pretende compensar a ausência de Andreas por meio de uma dinâmica diferente. Em uma partida de Libertadores, essa escolha pode determinar não apenas quem joga, mas onde o Palmeiras conseguirá criar superioridade.
Também existe uma questão relacionada ao momento dos jogadores. Piquerez busca recuperar seu melhor ritmo, Evangelista vem de uma atuação abaixo do esperado e Andreas está fora justamente quando o time precisa encontrar respostas ofensivas. Nenhum desses fatores, isoladamente, deveria determinar a escalação. Juntos, porém, mostram que Abel terá de administrar características, momento e funções ao mesmo tempo. A escalação, nesse cenário, passa a ser quase uma equação tática.
Em busca do ponto de virada
No fim, é isso que torna o confronto com a LDU interessante antes mesmo de a bola rolar. Abel precisa encontrar uma combinação que consiga fazer o Verdão funcionar sem Andreas, potencializar o que Piquerez pode entregar neste momento e recuperar a participação de peças como Evangelista. A grande resposta da escalação estará menos nos nomes anunciados e mais na forma como eles serão utilizados. Contra a LDU, o Palmeiras terá a oportunidade de mostrar se consegue transformar uma ausência importante em uma nova solução coletiva para prover o ponto de virada que já se mostra urgente ao Maior Campeão do Brasil.
Vale lembrar, que a provável escalação do Palestra deve contar com: Carlos Miguel; Giay, Murilo, Gustavo Gómez e Piquerez; Marlon Freitas, Lucas Evangelista, Arias e Felipe Anderson (Vitor Roque); Mauricio e Flaco López.
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