A poucos meses da Copa do Mundo, uma articulação política envolvendo os Estados Unidos e a FIFA elevou o tom fora das quatro linhas. Um aliado do presidente Donald Trump sugeriu à entidade máxima do futebol que o Irã seja retirado do torneio e substituído pela Itália — proposta que gerou forte reação do próprio governo italiano.
Segundo o jornal Financial Times, o enviado especial Paolo Zampolli levou a ideia diretamente ao presidente da FIFA, Gianni Infantino. O argumento apresentado foi o histórico esportivo da Azzurra, tetracampeã mundial, como justificativa para uma eventual inclusão de última hora.
“Sou italiano e seria um sonho ver a Azzurra em um torneio sediado nos EUA. Com quatro títulos, há currículo suficiente”, afirmou Zampolli, de acordo com a publicação.
Reação imediata na Itália
A sugestão, porém, vai além do futebol. Ainda segundo a reportagem, a movimentação estaria inserida em uma tentativa dos EUA de reaproximação com a primeira-ministra italiana Giorgia Meloni, após atritos recentes com Trump envolvendo declarações sobre o papa Leão XIV.
A proposta foi rapidamente rechaçada por autoridades italianas. O ministro da Economia, Giancarlo Giorgetti, classificou a ideia como “vergonhosa”, enquanto o ministro do Esporte, Andrea Abodi, foi direto: “Primeiro, não é possível; segundo, não é apropriado… Você se classifica em campo”, disse à agência Reuters.

Ministro da Economia na Itália, Giancarlo Giorgetti, classificou sugestão de Trump como ‘vergonhosa’ – Foto: Paolo Bruno/Getty Images
A Itália, vale lembrar, não conseguiu novamente sua vaga para o Mundial após cair na Repescagem para a Bósnia — será a terceira ausência consecutiva após eliminação na repescagem europeia.
Irã confirmado, apesar da tensão
Do outro lado, o Irã garantiu sua classificação ainda em março de 2025, pelas Eliminatórias Asiáticas. Apesar de declarações iniciais do governo iraniano colocando em dúvida a participação por conta da guerra no Oriente Médio, a decisão foi revertida.
O próprio Gianni Infantino já reafirmou publicamente que a seleção iraniana disputará o torneio. Em entrevistas recentes, o dirigente destacou que a equipe deseja competir normalmente, mesmo diante do cenário político delicado.

Foto: gerada com auxílio de IA pelo Bolavip Brasil.
Uma tentativa do Irã de transferir seus jogos para o México — também sede do Mundial ao lado de Estados Unidos e Canadá — foi negada pela FIFA. A estreia está mantida para 15 de junho, em Los Angeles, contra a Nova Zelândia.
Copa sob pressão
Com início marcado para 11 de junho de 2026 e pela primeira vez com 48 seleções, o Mundial sediado por Estados Unidos, México e Canadá já nasce cercado por tensões que extrapolam o esporte.
A tentativa de interferência política na composição das seleções participantes reacende um debate sensível: até que ponto a geopolítica pode influenciar decisões dentro do futebol — especialmente no maior evento esportivo do planeta.






