Ao longo da história do futebol, diversos jogadores que poderiam ter defendido a Seleção Brasileira optaram por outras seleções nacionais, seja por dupla cidadania, tempo de residência ou oportunidades na carreira. A decisão, muitas vezes estratégica, costuma gerar debates entre torcedores.

Casos emblemáticos incluem Deco, que defendeu a seleção de Portugal, Jorginho, campeão europeu com a Itália, e Diego Costa, que atuou pela Espanha. As escolhas refletem trajetórias construídas fora do país de origem e evidenciam como o futebol globalizado amplia caminhos além das fronteiras nacionais.
15. Lucas Mendes (Catar)
Revelado pelo Coritiba, o defensor Lucas Mendes fez carreira na França (Olympique de Marseille) antes de se tornar um pilar no futebol do Catar, onde defendeu gigantes como El Jaish, Al-Duhail e, atualmente, o Al-Wakrah. Sua naturalização foi estratégica para a seleção catari, que buscava solidez defensiva para o ciclo pós-Copa 2022.
Pela seleção do Catar, Lucas viveu seu auge recentemente ao conquistar a Copa da Ásia de 2023 (disputada em 2024). Ele foi titular absoluto na campanha do título, demonstrando grande adaptação ao futebol asiático. Embora não tenha disputado a Copa de 2022 (pois ainda não era elegível), ele é peça-chave nas Eliminatórias para o Mundial de 2026.
14. Carlos Coronel (Paraguai)
O goleiro Carlos Coronel desenvolveu quase toda a sua carreira profissional no grupo Red Bull, passando pelo RB Salzburg (Áustria) e consolidando-se como um dos melhores goleiros da MLS no New York Red Bulls. Atualmente, defende o São Paulo. Com ascendência paraguaia, ele optou por representar a Albirroja.
Coronel foi o goleiro titular do Paraguai em algumas partidas nas Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2026. Embora ainda não tenha disputado um Mundial, suas atuações seguras o colocaram como peça de confiança na reconstrução da equipe. Ele traz a experiência internacional de quem já disputou a Champions League para o cenário sul-americano.
13. Maurício (Paraguai)
Maurício, meio-campista com passagens de destaque por Cruzeiro e Internacional e atualmente no Palmeiras, é um dos talentos mais recentes a atrair o interesse do Paraguai devido à sua ascendência. No cenário de clubes, ele se firmou como um meia dinâmico e criativo no futebol brasileiro.
Pela seleção, sua integração faz parte de um processo de renovação técnica do Paraguai. Diferente de nomes mais antigos, Maurício representa a busca da Albirroja por jogadores de maior refino técnico nascidos no Brasil. Ele ainda busca sua primeira convocação em Copas do Mundo, focando no ciclo de 2026.
12. Matheus Nunes (Portugal)
Matheus Nunes tem uma ascensão meteórica: saiu do Sporting CP para o Wolverhampton e hoje atua no Manchester City sob o comando de Pep Guardiola. Brasileiro de nascimento, ele optou por Portugal mesmo após ser convocado por Tite para a Seleção Brasileira. Inclusive, recusou o Brasil.
Ele disputou a Copa do Mundo de 2022 no Catar pela seleção portuguesa. Embora não tenha conquistado títulos com a seleção principal até o momento, ele é considerado o futuro do meio-campo luso, oferecendo uma condução de bola e força física raras no futebol europeu atual.
11. Otávio (Portugal)
Otávio brilhou intensamente no Porto, onde se tornou um ídolo e um dos jogadores mais completos do campeonato português. Em 2023, transferiu-se para o Al-Nassr na Arábia Saudita, para jogar ao lado de Cristiano Ronaldo. Sua entrega tática e polivalência o tornaram indispensável.
Pela seleção de Portugal, Otávio foi titular em jogos cruciais da Copa do Mundo de 2022. Ele é muito valorizado pelos treinadores pela sua capacidade de marcar e criar simultaneamente. Embora ainda não tenha vencido títulos com a seleção, sua transição do futebol brasileiro para o protagonismo europeu é vista como um sucesso absoluto.
10. Liedson (Portugal)
O “Levezinho” é uma lenda do Sporting CP, onde marcou mais de 170 gols. No Brasil, teve passagens marcantes por Corinthians e Flamengo. Sua naturalização portuguesa em 2009 foi cercada de expectativa, pois Portugal carecia de um centroavante com seu instinto finalizador na época.
Liedson disputou a Copa do Mundo de 2010 na África do Sul, onde chegou a marcar um gol na goleada de 7 a 0 contra a Coreia do Norte. Ele não conquistou títulos por Portugal, mas sua breve e intensa passagem pela seleção ajudou o país em um momento de transição ofensiva difícil.
9. Diego Costa (Espanha)
Diego Costa é um dos casos mais famosos de naturalização, brilhando intensamente no Atlético de Madrid e no Chelsea. Conhecido por seu estilo agressivo e faro de gol, ele escolheu a Espanha em 2013, mesmo após ter disputado amistosos pelo Brasil, o que gerou grande polêmica na época.
Pela Roja, Diego disputou as Copas do Mundo de 2014 e 2018. Apesar de seu imenso sucesso em clubes (vencendo ligas na Espanha e Inglaterra), ele não conquistou títulos com a seleção espanhola, que vivia um declínio após o ciclo vitorioso de 2008-2012. Ele marcou três gols no Mundial de 2018.
8. Mário Fernandes (Rússia)
Após uma passagem vitoriosa pelo Grêmio, Mário Fernandes mudou-se para o CSKA Moscou, onde permaneceu por uma década e se tornou um ícone do clube. Sua identificação com a Rússia foi tão grande que ele aprendeu o idioma e aceitou o convite para defender a seleção nacional.
Mário foi um dos grandes destaques da Copa do Mundo de 2018, realizada na própria Rússia. Ele marcou um gol dramático de cabeça nas quartas de final contra a Croácia, levando o jogo para os pênaltis. Apesar da eliminação naquela fase, ele saiu do torneio como um herói nacional russo, embora não tenha conquistado títulos oficiais pela seleção.
7. Thiago Motta (Itália)
Nascido em São Bernardo do Campo, Thiago Motta passou por gigantes como Barcelona, Inter de Milão e PSG. Meio-campista de inteligência tática superior, ele escolheu defender a Itália, país de seus ancestrais, tornando-se um dos pilares do meio-campo da Azzurra por anos.
Disputou a Copa do Mundo de 2014 e foi vice-campeão da Eurocopa 2012. Thiago Motta não chegou a vencer títulos com a Itália, mas sua importância era tamanha que chegou a vestir a mítica camisa 10 da seleção italiana, mesmo sendo um volante, devido ao seu refinamento técnico e liderança.
6. Thiago Alcântara (Espanha)
Filho do tetracampeão Mazinho, Thiago Alcântara foi formado na base do Barcelona e brilhou no Bayern de Munique e no Liverpool. Apesar da forte ligação com o Brasil, ele sempre se sentiu espanhol futebolisticamente, tendo passado por todas as categorias de base da seleção da Espanha.
Com a seleção principal, Thiago disputou a Copa do Mundo de 2018 e a Euro 2020. Ele venceu dois Europeus Sub-21 pela Espanha, mas na seleção principal não chegou a erguer troféus. Recentemente aposentado, ele é lembrado como um dos meias mais técnicos que já vestiram a camisa espanhola.
5. Eduardo da Silva (Croácia)
Eduardo da Silva saiu cedo do Brasil para o Dinamo Zagreb, onde se naturalizou. Seu sucesso foi tanto que o levou ao Arsenal, da Inglaterra. No Brasil, ele ainda teve uma passagem marcante pelo Flamengo já veterano. É considerado um dos atacantes mais letais que já passaram pela seleção croata.
Ele é o quarto maior artilheiro da história da Croácia. Disputou a Copa do Mundo de 2014, realizada no Brasil, o que foi o auge emocional de sua carreira. Infelizmente, uma lesão gravíssima sofrida no Arsenal anos antes o impediu de atingir um patamar ainda maior, e ele não conquistou títulos com a Croácia.
4. Jorginho (Itália)
Jorginho mudou-se para a Itália aos 15 anos, passando pelo Verona e estourando mundialmente no Napoli antes de brilhar no Chelsea e no Arsenal. Atualmente no Flamengo, ele é o símbolo do meio-campista moderno que dita o ritmo do jogo com passes curtos e precisos.
Sua maior glória foi a conquista da Eurocopa 2020 com a Itália, onde foi eleito um dos melhores jogadores do torneio. Também ficou em 3º lugar na Bola de Ouro. Apesar do título continental, ele viveu a frustração de não disputar uma Copa do Mundo, já que a Itália falhou nas qualificações de 2018 e 2022.
3. Marcos Senna (Espanha)
Ídolo eterno do Villarreal, Marcos Senna foi o primeiro brasileiro a ser verdadeiramente protagonista em um título de grande expressão por outra seleção europeia. Ele era o equilíbrio de um time que contava com Xavi e Iniesta, protegendo a defesa com maestria.
Senna foi fundamental na conquista da Eurocopa 2008, sendo eleito para o time ideal do torneio. Ele também disputou a Copa do Mundo de 2006. Ele abriu as portas para que a Espanha confiasse em jogadores naturalizados, embora tenha ficado fora da lista final para a Copa de 2010 por questões físicas e de idade.
2. Deco (Portugal)
Um dos maiores camisas 10 de sua geração, Deco foi multicampeão por Porto, Barcelona e Chelsea, além de uma passagem marcante pelo Fluminense. Naturalizou-se português sob o comando de Luiz Felipe Scolari, tornando-se o cérebro da equipe das “Quinas” por quase uma década.
Deco disputou as Copas do Mundo de 2006 e 2010. Foi vice-campeão da Euro 2004 e ajudou Portugal a chegar às semifinais da Copa de 2006. Embora não tenha vencido títulos com a seleção, ele é amplamente respeitado em Portugal como um dos jogadores mais talentosos a já vestir aquela camisa vermelha e verde.
1. Pepe (Portugal)
Nascido em Maceió, Pepe saiu do Brasil para o Marítimo e depois para o Porto, antes de fazer história no Real Madrid, onde venceu três Champions League. É amplamente considerado um dos melhores e mais longevos zagueiros da história do futebol mundial.
Pela seleção de Portugal, Pepe é uma lenda absoluta. Ele conquistou a Eurocopa 2016 (sendo o melhor em campo na final) e a Liga das Nações de 2019. Disputou impressionantes quatro Copas do Mundo (2010, 2014, 2018 e 2022). Mesmo aos 41 anos, continuou jogando em alto nível, sendo o pilar defensivo de Portugal por 17 anos.