A Seleção Iraniana de Futebol desistiu de disputar a Copa do Mundo FIFA de 2026, segundo a agência Reuters. A informação foi dada pelo ministro do Esporte do país, Ahmad Donyamali, à TV estatal, na manhã desta quarta-feira (11), em razão dos conflitos entre Irã e Estados Unidos, que é uma das sedes do Mundial.

Seleção Iraniana não disputará a Copa do Mundo de 2026 (Photo by Lintao Zhang)
© Getty ImagesSeleção Iraniana não disputará a Copa do Mundo de 2026 (Photo by Lintao Zhang)

A declaração aconteceu após o assassinato do líder supremo iraniano, Ali Khamenei, morto em um ataque conjunto realizado por Estados Unidos e Israel no dia 28 de fevereiro. A ausência do Irã representa mais um episódio na história de seleções que abriram mão de disputar o principal torneio do futebol mundial por motivos políticos, diplomáticos ou logísticos.

As primeiras seleções que boicotaram o Mundial foram as equipes da Grã-Bretanha (Escócia, Inglaterra, Irlanda e Irland do Norte), que não participaram das Copas de 1930, 1934 e 1938. Naquele período, as federações britânicas consideravam o Campeonato Britânico de Seleções mais importante do que o Mundial. A estreia no torneio aconteceu apenas em 1950.

Argentina e Uruguai boicotaram a Copa de 1938

A primeira Copa do Mundo, realizada no Uruguai, contou com apenas 13 participantes. A longa viagem de navio até a América do Sul e os custos elevados fizeram com que muitas seleções europeias desistissem da competição. Somente França, Bélgica, Romênia e Iugoslávia aceitaram disputar o torneio.

Campeão da primeira edição da Copa do Mundo, o Uruguai decidiu não participar do Mundial de 1934, realizado na Itália. Até hoje, é a única seleção campeã que não defendeu seu título na competição seguinte. A decisão foi tomada como forma de protesto pela baixa presença de equipes europeias na Copa anterior.

A escolha da França como sede da Copa de 1938 gerou revolta em alguns países da América do Sul. A Argentina, que tinha interesse em organizar o evento, liderou o movimento de protesto e decidiu não participar. O Uruguai também optou por não disputar o torneio, defendendo que a Copa deveria ser realizada novamente no continente americano.

Africanos não jogaram a Copa do Mundo de 1966

Seleção Britânicas, como Inglaterra e Escócia, ignoraram as primeiras Copas (Photo by Justin Tallis – Pool/Getty Images)

A Áustria havia garantido vaga na Copa de 1938, mas deixou de existir como seleção após a anexação do país pela Alemanha Nazista. O episódio ficou conhecido como Anschluss, termo alemão que significa conexão, anexação ou adesão.

A Copa do Mundo de 1950, disputada no Brasil, também registrou diversas desistências. Entre as seleções que não participaram estão: Índia, França, Portugal, Turquia, Irlanda e Escócia. Os principais motivos foram os altos custos da viagem ao Brasil.

Nas Eliminatórias para a Copa do Mundo de 1966, 16 seleções africanas decidiram boicotar a competição. O protesto ocorreu porque o continente não possuía uma vaga direta no Mundial. Após a pressão, a FIFA passou a garantir uma vaga automática para seleções africanas a partir da Copa do Mundo de 1970.

Irã já havia desistido de jogar a última Copa no México

Em um episódio fora das fases finais da Copa, nas Eliminatórias para a Copa de 1974, a União Soviética se recusou a disputar o jogo decisivo contra o Chile. A partida seria realizada no Estádio Nacional de Santiago, que havia sido utilizado como centro de detenção após o golpe militar chileno. O contexto político levou os soviéticos a rejeitarem a realização do confronto.

Por fim, o próprio Irã já enfrentou uma situação semelhante. Durante a guerra contra o Iraque, nos anos 1980, os iranianos abandonaram as eliminatórias para a Copa de 1986 por discordarem da decisão de disputar as partidas em campo neutro. Enquanto o Iraque aceitou jogar em países como Kuwait e Arábia Saudita, os iranianos não concordaram com a medida e acabaram ficando fora daquele Mundial.