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Opinião: Flaco López é o retrato da transformação que o Palmeiras soube construir

Flaco López não mudou apenas seus números: mudou a forma como o Palmeiras aproveita suas características. O resultado desse processo é colhido após muitas crítivas e dúvidas

Flaco López não esconde o seu orgulho de jogar pelo Verdão - Foto: Marco Miatelo/AGIF
© Marco Miatelo/AGIFFlaco López não esconde o seu orgulho de jogar pelo Verdão - Foto: Marco Miatelo/AGIF

Olhar para Flaco López hoje e lembrar do jogador que chegou ao Palmeiras em 2022 é quase observar duas versões diferentes do mesmo atacante. Contratado por um investimento considerável e cercado pela expectativa de resolver uma carência antiga do elenco, ele demorou a responder. Foram poucos jogos, apenas dois gols no primeiro ano e muitas dúvidas sobre sua capacidade de se tornar o centroavante que a SEP tanto procurava.

E talvez esteja justamente aí a parte mais interessante dessa história. Flaco não explodiu de uma hora para outra, nem teve uma temporada mágica que apagou todo o passado. Sua evolução foi construída em etapas, entre críticas, perda de espaço, cobranças e até a possibilidade concreta de voltar para a Argentina. Em 2024, quando despertou o interesse do River Plate, o atacante cogitou sair, mas Abel Ferreira insistiu para que permanecesse.

A partir daí, começou uma transformação que não pode ser medida apenas pelos gols. O Verdão trabalhou seu físico, e Flaco ganhou cerca de 10 quilos de massa muscular desde a chegada ao clube. Mas, principalmente, aprendeu a utilizar melhor aquilo que já possuía: o pivô, a capacidade de prender defensores, abrir espaços e participar da construção ofensiva. O camisa 42 deixou de ser apenas o atacante que precisava finalizar para se tornar um jogador que ajuda a equipe a atacar.

Os números ajudam a contar essa escalada. Depois de dois gols em 2022 e oito em 2023, Flaco chegou a 22 gols e sete assistências em 2024. Em 2025, foram 25 gols e seis assistências. Já em metade de 2026, antes mesmo do retorno do calendário brasileiro após a Copa, ele havia alcançado 14 gols e oito assistências. No momento, ele crava 19 gols (6 no Paulistão, 3 na Libertadores, 8 no Brasileirão e 2 na Copa do Brasil). Não foi uma evolução repentina. Foi uma curva ascendente construída ano após ano.

De pouco decisivo a jogador protagonista

Mas existe uma mudança que considero ainda mais simbólica: Flaco também precisou destruir o rótulo de jogador pouco decisivo nos grandes jogos. Em 2026, por exemplo, foi protagonista nos três primeiros clássicos do Palestra, participando diretamente de gols contra Corinthians, São Paulo e Santos. Aquele atacante que durante muito tempo parecia viver sob permanente avaliação começou a aparecer justamente quando a responsabilidade aumentava.

E a consequência dessa evolução ultrapassou o Maior Campeão do Brasil. Abel Ferreira dizia, ainda em 2024, que via no argentino características que poderiam levá-lo à seleção. A primeira convocação aconteceu em 2025 e, meses depois, Flaco estava na Copa do Mundo de 2026. Mais do que participar, deixou sua marca: deu assistência para Julián Álvarez na classificação argentina diante da Suíça, nas quartas de final. Para quem, pouco tempo antes, nem imaginava estar naquele cenário, a trajetória ganha uma dimensão quase improvável.

Agora, porém, está chegando a fase em que essa transformação será realmente colocada à prova. O Palmeiras já sentiu o peso das decisões na Libertadores e avançou às quartas de final. Flaco enfrentou a marcação individual do Cerro Porteño, ajudou o time a competir em um jogo duro e mostrou novamente que sua importância não depende exclusivamente de aparecer na súmula. Além da competição continental, a Copa do Brasil, nos duelos contra o Santos, apresenta mais uma sequência de jogos em que qualquer detalhe pode definir o destino da temporada.

Verdão colhe os frutos de uma construção

Por isso, para mim, a grande reviravolta de Flaco López não está apenas no fato de ele ter deixado de ser criticado para virar peça-chave. Está na maneira como ele chegou até aqui. O Palmeiras não encontrou simplesmente um artilheiro; ajudou a construir um atacante mais completo, enquanto o próprio jogador teve paciência para sobreviver ao período em que quase todos pareciam enxergar apenas suas limitações. Agora, às portas de novas decisões, o argentino tem a chance de colocar o último selo nessa transformação: deixar de ser a surpreendente reviravolta do Palmeiras para se tornar, definitivamente, um dos protagonistas da era Abel Ferreira e entrar na esplendorosa história da Academia de Futebol.

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