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Números da arbitragem de Ostojich acrescentam tensão ao Palmeiras na semifinal da Libertadores

Os números não antecipam erros nem indicam favorecimento, mas ajudam a dimensionar o desafio do Verdão e da arbitragem em uma noite na qual cada decisão pode ganhar peso continental

Esteban Ostojich é o homem do apito na decisão entra SEP X FFC - (Photo by Marcelo Endelli/Getty Images)
© Getty ImagesEsteban Ostojich é o homem do apito na decisão entra SEP X FFC - (Photo by Marcelo Endelli/Getty Images)

O Palmeiras entra em campo nesta quarta-feira (21), no Nubank Parque, com a vantagem de quem venceu o Fluminense por 2 a 1 no Maracanã e pode garantir a classificação à final da Libertadores com um empate. Em uma noite na qual cada disputa pode alterar o destino da semifinal, a arbitragem de Esteban Ostojich merece atenção por um motivo concreto, já que seus números recentes apontam para uma condução disciplinar rigorosa.

Não se trata de prever uma polêmica, muito menos de antecipar prejuízo ao Verdão. Trata-se de observar o perfil de quem terá a responsabilidade de administrar uma partida em que a tensão pode crescer a cada minuto. O primeiro dado ajuda a dimensionar o cenário. Em nove partidas continentais registradas entre fevereiro e setembro de 2026, Ostojich apresentou média de 6,33 cartões por jogo, considerando amarelos e vermelhos. Foram 54 amarelos e três vermelhos nesse recorte, com média de 26,1 faltas por partida.

O recorte da Libertadores chama ainda mais atenção. Nas cinco partidas da competição incluídas nessa base, a média chega a sete cartões por jogo, diante de uma referência de 4,6 cartões por partida apresentada para a liga comparada pelo levantamento. A diferença é expressiva. Em uma semifinal, porém, o número precisa ser interpretado com cuidado: adversários, intensidade, contexto e comportamento dos atletas também influenciam a quantidade de advertências. O dado descreve uma tendência observada, não prova que Ostojich distribua cartões sem critério.

O histórico disciplinar não termina nos cartões. O levantamento também registra três expulsões e dois pênaltis assinalados nas nove partidas continentais analisadas. A frequência de vermelhos, em particular, chama a atenção, embora o tamanho da amostra impeça conclusões definitivas. Para o Palestra, o dado importa porque uma expulsão ou uma penalidade pode alterar completamente a estratégia de Abel Ferreira. Com a classificação em disputa, qualquer decisão dessa dimensão terá repercussão imediata no placar e nos comportamentos das duas equipes. O que implica a seguinte preocupação: quanto espaço haverá para o jogo físico antes que a arbitragem passe a interferir diretamente na dinâmica do confronto?

Passado controverso e reedição de dupla polêmica no Palmeiras X Fluminense

Existe, ainda, um episódio que acompanha a trajetória de Ostojich e precisa ser tratado com precisão. Em novembro de 2021, ele trabalhava no VAR do empate sem gols entre Argentina e Brasil pelas Eliminatórias da Copa do Mundo. Na partida, Nicolás Otamendi atingiu Raphinha com uma cotovelada, mas a equipe de arbitragem não recomendou a expulsão. A Conmebol classificou a decisão como erro grave e suspendeu por tempo indeterminado Ostojich e o árbitro de campo, Andrés Cunha. O caso não foi uma decisão de campo do uruguaio, mas um erro de avaliação na cabine de vídeo.

O detalhe ganha uma dimensão particular na partida desta quarta-feira: Cunha será justamente o responsável pelo VAR, enquanto Ostojich comandará a arbitragem em campo. A dupla volta a trabalhar em funções complementares depois daquele episódio de repercussão internacional. Isso não autoriza qualquer suspeita antecipada sobre a atuação dos dois, tampouco significa que o passado determine o presente. Mas oferece um contexto legítimo para acompanhar como a equipe conduzirá eventuais lances de revisão, sobretudo aqueles que exigirem distinguir contato físico, infração e intensidade.

Outro registro ajuda a compreender o histórico de Ostojich com o Alviverde. Em 2022, o uruguaio apitou a semifinal entre SEP e Athletico-PR, pela Libertadores, marcada pela expulsão de Murilo ainda no primeiro tempo e pelo cartão amarelo dado a Alex Santana após uma cotovelada em Rony. O Verdaço chegou a abrir dois gols de vantagem na partida de volta, mas sofreu o empate por 2 a 2 e acabou eliminado. O episódio permanece na memória do torcedor, mas precisa ser analisado sem atalhos: decisões controversas não provam, isoladamente, perseguição ou intenção de prejudicar uma equipe.

Um truque básico para o Palestra superar o rigor

Para o Palmeiras, a questão prática está no comportamento necessário para administrar a vantagem. O time de Abel Ferreira precisa escolher quando pressionar, quando interromper uma transição adversária e como evitar faltas desnecessárias perto da área. Diante de um árbitro cujos números recentes indicam elevada frequência de advertências, a disciplina pode ser tão importante quanto a organização tática. Um cartão precoce para um defensor, por exemplo, muda o risco de cada duelo individual.

O Fluminense, por sua vez, tem motivos para acelerar a partida se quiser reverter a desvantagem. Precisa vencer por dois gols para avançar diretamente ou por um para levar a decisão aos pênaltis. Quanto mais o relógio avançar sem que o time carioca consiga alterar o agregado, maior poderá ser a pressão sobre seus jogadores. Nesse cenário, reclamações, entradas atrasadas e disputas por espaço podem se tornar elementos relevantes. A arbitragem terá de distinguir a intensidade natural de uma semifinal daquilo que efetivamente exige punição.

Há uma diferença importante entre uma arbitragem rigorosa e uma arbitragem ruim. Cartões em quantidade elevada não demonstram, por si só, falta de critério; assim como poucos cartões não garantem uma boa atuação. O teste real de Ostojich será a coerência: aplicar o mesmo padrão aos dois lados, reconhecer infrações relevantes e usar o VAR quando os protocolos justificarem a intervenção. É nesse terreno que a análise deixa de ser uma contagem de advertências e passa a avaliar a qualidade da condução.

Desafios para a arbitragem e para o Verdaço

A semifinal também coloca o árbitro diante de um desafio de comunicação. Em partidas eliminatórias, cada decisão controversa costuma ser ampliada pelo contexto. O árbitro não controla a temperatura emocional do estádio, mas precisa evitar que a condução do jogo seja contaminada por protestos ou por critérios diferentes em lances semelhantes. Os números de Ostojich oferecem uma informação útil, mas não uma profecia. A média de cartões nas partidas continentais é elevada, o histórico inclui um erro de arbitragem reconhecido oficialmente e a presença de Andrés Cunha no VAR acrescenta um elemento factual à narrativa.

Nenhum desses pontos permite afirmar que o Palmeiras será beneficiado ou prejudicado. A tensão está justamente em acompanhar como esse conjunto de circunstâncias será administrado quando o jogo exigir decisões de peso. A missão de Ostojich é conseguir atravessar a noite sem permitir que a arbitragem se torne protagonista por erros evitáveis. Para o Verdão, a prioridade é simples: jogar com inteligência, controlar as próprias reações e não entregar ao apito um problema que pode resolver dentro de campo.

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