Torcida cobra mudança no comando técnico, mas jogadores e comissão terão a oportunidade de responder em uma semana decisiva contra o maior rival.
A semana de Gre-Nal começa, talvez, em um dos momentos mais conturbados do Grêmio na temporada. A derrota para o Bragantino aumentou ainda mais a insatisfação da torcida com o trabalho de Luís Castro, principalmente porque o problema não é apenas o resultado. O Grêmio não evolui, não apresenta um futebol consistente e segue repetindo erros que já deveriam ter sido corrigidos há muito tempo.
O Gre-Nal está acima de qualquer análise
Mas existe algo que precisa ser separado nesta semana. Todo gremista pode questionar o trabalho do treinador, pedir mudanças e não enxergar mais perspectiva de evolução com a ideia de jogo de Luís Castro. Eu, particularmente, já deixei claro inúmeras vezes que não vejo sinais de uma evolução que justifique tanta insistência. Só que, quando começa uma semana de Gre-Nal eliminatório, todos querem a mesma coisa: vencer o Internacional e avançar na Copa do Brasil.
E foi justamente isso que apareceu na reunião de segunda-feira entre as lideranças das torcidas organizadas, jogadores, Paulo Pelaipe e o próprio Luís Castro. Os atletas afirmaram que estão fechados com o treinador. Ótimo. Agora essa união precisa aparecer onde realmente importa: dentro de campo. Não adianta discurso, promessa ou reunião se o Grêmio voltar a jogar sem intensidade, sem aproximação e sem demonstrar a mínima evolução.
A torcida, afinal, nunca deixou de fazer a sua parte. Mesmo nos piores momentos, mesmo revoltada com atuações vexatórias e com a situação do time na tabela, ela esteve presente. O que o torcedor pede não é nada absurdo. Pede vontade, entrega, competitividade e jogadores que entendam o peso da camisa que estão vestindo. Se não há organização suficiente, que pelo menos exista entrega para competir.
Não basta vencer o rival e continuar flertando com o perigo
Ao mesmo tempo, o Gre-Nal não pode esconder um problema maior. O Grêmio precisa reagir também no Campeonato Brasileiro. Vencer apenas dentro de casa não será suficiente para construir uma distância segura da zona de rebaixamento. É fundamental voltar a pontuar fora, competir longe da Arena e deixar de entrar em campo como se um empate já fosse um grande resultado.
É por isso que essa semana precisa representar mais do que dois jogos contra o maior rival. O Grêmio precisa encontrar uma reação. Eu já não tenho esperança de que Luís Castro mude profundamente sua maneira de enxergar o futebol. O treinador parece preso demais às próprias convicções e pouco disposto a sair de uma ideia que, até agora, não funcionou. Mas talvez os jogadores, com o apoio e a pressão da torcida, consigam encontrar dentro deles aquilo que está faltando: orgulho, reação e vontade de tirar o Grêmio dessa situação incômoda.
O medo do passado não pode decidir o futuro
Também não concordo com a ideia de que o Grêmio deixou de trocar o treinador apenas pelo medo de repetir o chamado “fato novo” do Gre-Nal dos 5 a 0. A mudança no comando do rival naquela ocasião não explica sozinha aquele resultado. O Grêmio tinha uma equipe muito superior e fez essa superioridade valer dentro de campo. Reduzir uma goleada histórica apenas à troca de treinador do outro lado é ignorar tudo o que aconteceu naquela partida.
Agora, os dois lados chegam a este confronto em momentos complicados. Os dois vivem situações de pressão, os dois sabem o tamanho de uma eliminação e, principalmente, nenhum deles quer “morrer abraçado” dentro de uma crise. É justamente por isso que o Grêmio precisa dar uma resposta imediata. Uma classificação pode não resolver todos os problemas, não transforma um trabalho ruim em bom e nem apaga tudo o que aconteceu até aqui. Mas pode devolver confiança, criar um ambiente diferente e, de quebra, aprofundar ainda mais a crise do seu maior rival.
Nesta semana, portanto, o discurso precisa terminar e o campo precisa falar. Se os jogadores realmente estão fechados com Luís Castro, que demonstrem isso jogando futebol. A torcida estará lá, como sempre esteve. Agora é hora de o Grêmio mostrar que ainda tem força para reagir, competir e, quem sabe, transformar uma semana que começou conturbada no início de uma mudança de rumo.





