Tricolor domina números, mas volta a falhar na criação e não consegue vencer o lanterna
O empate em 0 a 0 entre Grêmio e Remo, na Arena, vai muito além de dois pontos perdidos. O resultado escancara um problema que já vem se repetindo ao longo da temporada: a enorme dificuldade do time de Luís Castro em propor jogo contra adversários mais frágeis.
O Grêmio é muito mais time que o Remo. Tecnicamente, taticamente e em elenco. Era um jogo para vencer com tranquilidade, ainda mais dentro de casa. Mas o que se viu foi uma equipe previsível, com pouca criatividade e incapaz de transformar superioridade em chances claras.
Os números ajudam a explicar o cenário, mas também reforçam a preocupação. Apesar de ter mais posse (63% a 37%) e muito mais volume (20 finalizações contra 11), o Grêmio terminou o jogo com apenas 0.70 de xG, contra 1.92 do Remo – que teve as melhores oportunidades da partida.
Domínio estéril e atuação preocupante
O primeiro tempo já dava sinais claros do que seria a noite. O Grêmio teve leve superioridade na posse (52% a 48%), mas foi o Remo quem criou as melhores chances: 2 grandes oportunidades contra nenhuma do Tricolor.
Foram apenas quatro finalizações para cada lado na etapa inicial, mas com um dado alarmante: o Remo finalizou quatro vezes dentro da área, contra apenas uma do Grêmio. Além disso, foram 13 ações do time paraense na área gremista, contra apenas cinco do Tricolor.
A situação se repetiu ao longo da partida. Mesmo com maior volume ofensivo – 80 entradas no terço final contra 46 – o Grêmio pouco produziu de efetivo. Faltou criatividade, agressividade e, principalmente, organização no último terço.
O desempenho do Grêmio contra o Remo preocupa?
O desempenho do Grêmio contra o Remo preocupa?
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Outro dado que chama atenção é a eficiência defensiva do adversário. O Remo venceu 75% dos desarmes, contra apenas 47% do Grêmio, além de registrar 43 cortes na partida – números que mostram o quanto o Tricolor encontrou dificuldades para infiltrar.
Destaques individuais e aposta na juventude
Se coletivamente o desempenho foi ruim, individualmente alguns pontos merecem destaque. O goleiro Weverton foi o melhor em campo. Logo aos quatro minutos, fez duas grandes defesas e, aos 42, salvou o time ao defender um pênalti.
No setor ofensivo, Amuzu ainda acertou a trave aos 34 minutos, mas foi pouco. Do meio para frente, o Grêmio teve atuação muito abaixo.
Arthur, que entrou no intervalo no lugar do jovem Zortéa, foi um dos poucos que conseguiu dar alguma organização ao time. Vale destacar que Zortéa, de apenas 19 anos, fez sua primeira partida como titular na Arena – após estrear como profissional poucos dias antes, contra o Palmeiras.
Apesar do resultado, um ponto positivo segue evidente: a utilização da base. Luís Castro colocou em campo diversos jovens, mostrando continuidade no processo de formação:

Foto: Lucas Uebel / Grêmio FBPA
Titulares: Gustavo Martins (23 anos), Nardoni (23), Monsalve (22), Viery (21), Zortéa (19) e Pedro Gabriel (18)
Banco: Jefinho (19), Luis Eduardo (18), Roger (17) e Gabriel Mec (17), que entrou no intervalo
Falta de evolução liga alerta no Grêmio
Após cerca de quatro meses de trabalho, já era esperado um Grêmio mais organizado e com ideias mais claras. No entanto, o time ainda oscila demais e apresenta dificuldades evidentes, principalmente contra equipes que jogam mais fechadas.
Curiosamente, o Tricolor tem conseguido atuar melhor contra times que propõem o jogo – embora os resultados também não estejam vindo com consistência.
O empate acabou beneficiando o adversário. O Remo deixou a lanterna e subiu para a 18ª colocação, com sete pontos. Já o Grêmio chegou aos 12 pontos e ocupa a 11ª posição, empatado com Botafogo (10º), Vasco (12º) e Internacional (13º).
Agora, o foco muda completamente. O Grêmio vira a chave para a Copa Sul-Americana e estreia na competição nesta quarta-feira, às 21h30, contra o Montevideo City Torque, no Uruguai – em busca de respostas rápidas dentro de campo.






