Novo levantamento financeiro aponta o cenário econômico do Tricolor, que aparece na 12ª colocação do ranking nacional liderado pelo Atlético-MG.
A situação financeira dos clubes do futebol brasileiro voltou a ser o centro das atenções após a divulgação de um abrangente levantamento realizado pela Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade no Futebol (Anresf). O estudo detalha os números e balanços das equipes das Séries A e B, colocando o Grêmio diante de um cenário de alerta com uma dívida total que beira 1 bilhão de reais.
Enquanto o Atlético-MG lidera o ranking geral de endividamento do país com um débito de R$ 2,21 bilhões, seguido por Corinthians (R$ 2,08 bilhões) e Botafogo (R$ 1,78 bilhão), o Imortal aparece na 12ª posição da listagem geral, refletindo os desafios econômicos que a gestão precisa administrar nos bastidores do CT Luiz Carvalho.
Radiografia financeira: o passivo do Tricolor em detalhes
Para garantir a transparência e evitar manobras contábeis conhecidas como “janela de encerramento”, a Anresf utilizou critérios rigorosos baseados nas demonstrações financeiras oficiais. No caso do Grêmio, o detalhamento do balanço traz números expressivos sobre os compromissos assumidos a curto e longo prazo.
A descrição oficial do painel sobre as finanças gremistas aponta o panorama exato da instituição:
“Em 30 de junho de 2026, o clube declarou dívidas vencidas e não pagas com atletas e funcionários, com outros clubes (transferências de atletas) e com o poder público (impostos e parcelamentos) — os três tipos de credor acompanhados pelo painel. Os atrasos incluem dívidas anteriores a 2026, que estão no período de transição, e dívidas feitas a partir de 2026, que já seguem as regras plenas do Regulamento.
O clube tem um plano de pagamento coletivo de credores na CNRD, aprovado em julho de 2026; as dívidas vencidas de salários de atletas e funcionários e de transferências de atletas que estão no processo não entram na conta dos atrasos. O caso é acompanhado pela Agência.
No fim de 2025, a dívida total do clube, incluindo o que ainda não tinha vencido, era de R$ 936 mi: a 12ª maior entre os 20 clubes da Série A. O clube devia mais do que tinha em bens e direitos (R$ 760 mi), uma diferença de R$ 175 mi. Desse total, 55% era de curto prazo, e os recursos de curto prazo do clube não bastavam para cobri-lo.”
Raio-X dos números do Grêmio
Os dados consolidados dividem-se nas seguintes frentes econômicas:
Dívida total do Grêmio
- Deve (passivo total): R$ 936 milhões
- Tem em bens e direitos (ativo): R$ 760 milhões
- Diferença (patrimônio líquido): – R$ 175 milhões
Quando a dívida vence
- Curto prazo (passivo circulante): R$ 516 milhões (oitava maior da Série A)
- Longo prazo (passivo não circulante): R$ 419 milhões
Cobertura da dívida a curto prazo
- Dívida: R$ 516 milhões
- Recursos de curto prazo: R$ 134 milhões
Composição da dívida
- Empréstimos e outras dívidas: R$ 283 milhões (30%)
- Trabalhistas, impostos e parcelamentos: R$ 202 milhões (22%)
- Transferências de atletas: R$ 179 milhões (19%)
- Receitas recebidas antecipadamente: R$ 124 milhões (13%)
- Fornecedores: R$ 72 milhões (8%)
- Provisões para processos: R$ 62 milhões (7%)
- Direitos de imagem: R$ 14 milhões (1%)
A pressão extracampo e a urgência dentro das quatro linhas
Enquanto a diretoria lida com os números pesados nos escritórios, a preocupação imediata da torcida se transfere para o gramado no Campeonato Brasileiro. O Grêmio vive um momento delicado na tabela, ocupando atualmente a 18ª colocação com 31 pontos, ficando a dois pontos de distância do Corinthians, equipe que abre a primeira faixa fora da zona de rebaixamento.
Para tentar mudar esse cenário, o grupo de jogadores se reapresentou na tarde desta terça-feira no CT para dar início à preparação visando o próximo compromisso pela competição nacional. O desafio será na próxima segunda-feira, às 19h30, no Estádio Couto Pereira, diante do Coritiba, partida em que o Imortal tentará buscar a sua primeira vitória como visitante neste Brasileirão para iniciar a reação contra a degola.





