A B3 está abrindo espaço para uma nova classe de ativos no Brasil: o mercado de previsões (prediction markets). Muito popular internacionalmente, essa opção já foi aprovada pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e em breve deve estar disponível aos investidores.
Em outros países, esse ecossistema já é maduro e tem na Kalshi o seu maior exemplo.
O que são os Contratos de Eventos da B3?
Esse novo produto gira em torno de contratos do tipo sim/não para prever acontecimentos futuros. No caso da B3, os contratos estarão ligados a indicadores e ativos financeiros, por exemplo, valor do dólar, criptomoedas, indicadores de PIB e mais.
No lançamento, será restrito a investidores com patrimônio superior a R$ 10 milhões em investimentos. Entretanto, a expectativa é abrir para o restante do público no futuro.
Estrutura binária (Tudo ou Nada)
Os Contratos de eventos da B3 seguem uma estrutura binária para determinar o resultado. Ou seja, existem apenas duas possibilidades de resultado:
- Se o evento ocorrer como previsto, você recebe o valor integral;
- Se o evento não ocorrer como previsto, você perde o valor integral.
Não existe meio termo no mercado de previsões. Além disso, o potencial de retorno é conhecido no momento da operação. Esse valor depende das probabilidades da situação listada acontecer.
Diferença entre esses contratos e as opções tradicionais
A diferença principal entre esses dois produtos está no tipo de ativo e desfecho da operação. Enquanto o mercado de previsões está ligado à ocorrência de eventos futuros, as opções tradicionais se baseiam na oscilação de preço.
Além disso, os contratos de eventos têm uma estrutura de tudo ou nada, sem opção de possíveis retornos ou perdas graduais. Já nas opções, o potencial de retorno é proporcional ao movimento do preço do ativo.
Quais eventos poderemos negociar na B3?
Em um primeiro momento, o mercado de previsão no Brasil será baseado apenas em produtos financeiros. Essa prática já é comum internacionalmente e deve envolver cenários futuros de índices, moedas, criptomoedas e mais.
Dólar
A oscilação do câmbio é um mercado muito tradicional nos mercados preditivos. Os contratos podem refletir diferentes cenários. Confira exemplos abaixo:
- Dólar acima de determinado valor até a data de vencimento;
- Dólar abaixo de determinado valor até a data de vencimento.
É uma maneira simples de tentar prever se a moeda vai alcançar ou não metas até certas datas.
Selic e Copom
A taxa básica de juros é outro tipo de previsão que já existe internacionalmente e poderá ser negociada no Brasil. Esse mercado consiste em prever se o Copom irá elevar, manter ou abaixar os juros.
IPCA
O índice da inflação também está no radar dos contratos de eventos da B3. Nesse caso, o investidor terá a opção de escolher entre Sim/Não se o IPCA mensal vai fechar em determinado valor.
Bitcoin
Criptomoedas também entram no portfólio dos mercados de previsões, sendo uma das opções mais populares. Um contrato pode prever se o Bitcoin estará acima de certo valor em uma data futura ou não.
Regulação: o papel da CVM e a segurança do investidor
No Brasil, a Comissão de Valores Mobiliários é responsável por regular e fiscalizar o mercado de capitais. Ou seja, existem regras claras de negociação e transparência nas informações divulgadas. Além disso, a CVM também supervisiona a conduta dos investidores e mercados, evitando possíveis manipulações.
De modo geral, a CVM cumpre um papel fundamental para garantir a segurança do investidor. Os contratos de eventos da B3 prometem potencial de retorno e valor máximo da perda conhecidos no momento da operação.
Diferentemente de plataformas globais de mercados preditivos, a regulação brasileira traz segurança jurídica.
B3 x “Bets”: por que o mercado preditivo é diferente das apostas esportivas
Muitas pessoas acreditam que mercado preditivo e apostas esportivas são a mesma coisa. No entanto, não é difícil perceber que são produtos bem diferentes.
Nas apostas, o participante aposta contra a própria plataforma, que define as odds, assumindo o risco do pagamento. Já no mercado preditivo da B3, o participante negocia contra outros investidores. Essa diferença estrutural é importante, pois influencia diretamente o retorno em potencial dos contratos.
Outra diferença relevante é que as apostas esportivas são vistas principalmente como uma forma de entretenimento. Enquanto isso, o mercado de previsão da B3 surge como uma nova opção de investimento, ligada a produtos financeiros.

Como isso impacta a sua carteira de investimentos?
A chegada dos contratos de eventos na B3 amplia as ferramentas disponíveis ao investidor, especialmente para hedge. Por exemplo, imagine um investidor com grande exposição cambial que teme a alta do dólar.
Ao se posicionar em um contrato que paga caso a moeda ultrapasse determinado nível, cria-se uma camada adicional de proteção. Se o câmbio subir, o contrato será pago. Se não subir, o investidor mantém o benefício de um dólar mais baixo em sua operação.
Além disso, é uma opção a mais para quem busca diversificar seus investimentos. O mercado de previsões possibilita investir em Selic na B3 ou negociar cenários de inflação e até criptoativos de maneira diferente. Esses contratos não dependem do desempenho de uma empresa específica ou do faturamento corporativo, mas sim, de um evento objetivo.
Conclusão: quando os novos contratos estarão disponíveis?
Ainda não há uma data específica para a entrada dos contratos de eventos na B3. Contudo, a expectativa é que o produto seja lançado no primeiro ou segundo trimestre de 2026, de acordo com a B3.
A chegada desses contratos na B3 pode ser um marco para o mercado preditivo no Brasil. Inicialmente espera-se apenas previsões em produtos financeiros, mas no futuro isso pode ser expandido para outros temas.
