O Vasco da Gama iniciou movimentos nos bastidores para tentar viabilizar a venda de sua SAF em um negócio que pode chegar a cifras bilionárias. A ideia do clube é abrir diálogo com a Confederação Brasileira de Futebol para encontrar um modelo que permita a operação sem infringir as regras do sistema financeiro da entidade.

Marcos Lamacchia pode ser dono do Vasco – Foto: Reprodução/Redes Sociais e Vasco da Gama
Marcos Lamacchia pode ser dono do Vasco – Foto: Reprodução/Redes Sociais e Vasco da Gama

O potencial comprador é o empresário Marcos Lamacchia, que já mantém conversas avançadas com o clube. A negociação gira em torno de aproximadamente R$ 2 bilhões, incluindo a assunção das dívidas da SAF, o que representa uma das maiores transações do futebol brasileiro.

O principal entrave está ligado às regras de fair play financeiro da CBF. O empresário é enteado de Leila Pereira, o que pode configurar conflito de interesses, já que o regulamento proíbe que parentes até segundo grau tenham controle de clubes na mesma divisão.

Imbróglio jurídico trava avanço

Internamente, a avaliação inicial é de que o negócio poderia ser barrado caso não haja uma solução estrutural. A própria CBF já sinalizou, ainda que informalmente, que a operação pode ferir o regulamento vigente, o que gerou alerta imediato entre as partes envolvidas.

Diante disso, Vasco e Lamacchia pretendem formalizar uma reunião com a Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (ANRESF), órgão ligado à CBF. O objetivo é discutir alternativas antes mesmo da proposta oficial ser apresentada.

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A negociação também esbarra em outro ponto sensível: a situação com a A-Cap, sucessora da antiga 777 Partners. Ainda existem pendências jurídicas e financeiras que precisam ser resolvidas antes de qualquer definição sobre o futuro da SAF cruz-maltina.

Pedrinho presidente do Vasco – Foto: Fabio Giannelli/AGIF

Modelo europeu surge como alternativa

Uma das possibilidades em estudo é a criação de um modelo semelhante ao utilizado na Europa, como o chamado “blind trust”. Nesse formato, o investidor poderia adquirir o clube, mas sem participação direta na gestão durante determinado período.

Esse mecanismo já foi aplicado em casos como o de clubes ligados ao mesmo grupo econômico na UEFA, permitindo a participação simultânea em competições sem violar regras de integridade esportiva.

No caso do Vasco, essa solução permitiria que Lamacchia avançasse na compra, enquanto a gestão ficaria nas mãos de terceiros até o fim do mandato de Leila Pereira no Palmeiras. A discussão ainda é teórica, mas ganha força nos bastidores.

O cenário segue indefinido, mas a movimentação mostra que o clube busca alternativas para não perder uma negociação considerada estratégica para seu futuro financeiro e esportivo.