O São Paulo deu mais um passo no processo que pode levar a Ticketmaster a assumir a gestão de ingressos do Morumbis. O presidente do Conselho Deliberativo, Olten Ayres, determinou nesta terça-feira a criação de uma comissão especial para analisar os termos do contrato, que prevê uma antecipação de R$ 110 milhões ao clube.
A comissão será formada pelos conselheiros Daurio Speranzini, Flavio Marques, Daniel Fonseca e Marcel Bonilha. O grupo terá a responsabilidade de analisar o acordo e apresentar um parecer ao Conselho Deliberativo, que ainda precisa votar a aprovação do contrato.
A escolha da Ticketmaster já havia sido aprovada pelo Conselho de Administração. Agora, o acordo entra em uma nova etapa dentro da estrutura política do São Paulo antes de poder ser formalizado.
Conselho Deliberativo vai analisar contrato
A criação da comissão acontece em caráter de urgência. O documento assinado por Olten Ayres solicita que o parecer seja apresentado “o mais breve possível”, diante da importância da matéria para o clube.
A Ticketmaster foi escolhida pelo São Paulo após disputar o processo com a NewC. A empresa assumiria a gestão da venda de ingressos do Morumbis e também teria participação na administração do programa de sócio-torcedor.
A proposta chamou atenção principalmente pelo impacto financeiro imediato. O acordo prevê que o São Paulo receba R$ 110 milhões em até 45 dias após a assinatura, em formato de empréstimo.
O valor, posteriormente, seria devolvido pelo clube à Ticketmaster ao longo de cinco anos, com juros vinculados ao CDI mais 1,99%.
São Paulo depende do acordo para aliviar situação financeira
A antecipação prevista no contrato ganhou importância diante da situação financeira enfrentada pelo São Paulo. O clube pretende utilizar os recursos para avançar na regularização de valores atrasados com o elenco.
Entre os compromissos está a promessa de colocar em dia os direitos de imagem dos jogadores até o fim de setembro. A diretoria trabalha com a aprovação do contrato como uma das principais alternativas para conseguir cumprir esse planejamento financeiro.
Além dos R$ 110 milhões, o acordo prevê outros pagamentos e investimentos. A Ticketmaster desembolsaria R$ 30 milhões pela gestão do camarote 29A durante cinco anos, com o pagamento previsto após a assinatura do contrato.
A empresa também ficaria responsável pela gestão do espaço em jogos e shows, além de participar da operação relacionada aos ingressos das apresentações musicais realizadas no estádio.
Museu e sócio-torcedor também entram no acordo
Outro ponto previsto na proposta é o pagamento de R$ 6 milhões para a reforma do Museu São Paulo. Dessa forma, o contrato não está limitado à operação de venda de ingressos do Morumbis.
A negociação também envolve o programa de sócio-torcedor. Atualmente, o serviço é administrado pela Feng, mas o São Paulo avalia que a concentração das operações em uma mesma empresa pode trazer vantagens para o clube e para os torcedores.

A justificativa é que ingressos e sócio-torcedor poderiam ser administrados de maneira integrada. O clube também calcula que a união das operações pode reduzir custos, já que atualmente existem duas empresas diferentes envolvidas nos serviços.
Na operação de ingressos, a Ticketmaster cobraria uma taxa de administração de até 10% por entrada. Para ingressos físicos, a taxa prevista seria de 8%. O serviço de sócio-torcedor também teria uma taxa de 8% por associado.
Contrato agora depende do Conselho
Apesar de todos os termos já terem sido negociados e de o Conselho de Administração ter dado seu aval, o acordo ainda não está definitivamente aprovado dentro do São Paulo.
A comissão criada por Olten Ayres terá justamente a função de analisar os documentos e apresentar seu parecer antes da apreciação pelo Conselho Deliberativo.
O processo, portanto, passa a ser acompanhado de perto pela diretoria e pelos conselheiros, principalmente pelo impacto que os R$ 110 milhões podem provocar no planejamento financeiro do clube.
A expectativa do São Paulo é avançar rapidamente com a tramitação para que os recursos possam ser utilizados no equilíbrio das contas. Para a diretoria, a aprovação representa uma alternativa importante para enfrentar os compromissos financeiros previstos para os próximos meses.





