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Estudiantes apresenta desafio tático diferente e exige nova leitura de Abel na Libertadores

Os dois empates sem gols escondem características importantes do finalista Palmeiras precisará compreender o que os resultados contra o Flamengo não mostram

Abel Ferreira terá que buscar alternativas para superar um adversário na Libertadores que sabe mudar suas estratégia - Foto: César Greco - SEP
Abel Ferreira terá que buscar alternativas para superar um adversário na Libertadores que sabe mudar suas estratégia - Foto: César Greco - SEP

A final da Libertadores já tem adversário definido, e o Palmeiras terá pela frente um Estudiantes que merece atenção especial de Abel Ferreira. A equipe argentina eliminou o Flamengo após dois empates sem gols e uma classificação nos pênaltis, mas o resultado não conta toda a história. O que chama a atenção é a capacidade do time de competir em cenários distintos, sem abrir mão da organização.

Na partida de ida, em La Plata, o Estudiantes mostrou que não pretende depender exclusivamente de uma postura defensiva para enfrentar equipes tecnicamente superiores. Foram 18 finalizações contra apenas cinco do Flamengo, além de seis chutes na direção do gol. O adversário teve mais posse de bola, mas encontrou dificuldades para transformar essa vantagem em oportunidades reais. A equipe argentina conseguiu pressionar, ocupar o campo ofensivo e incomodar a saída de jogo rubro-negra.

O cenário da volta, no Maracanã, apresentou outra característica importante. O Flamengo teve mais posse e tentou assumir as ações ofensivas, enquanto o Estudiantes precisou administrar os momentos de pressão. A expulsão de Baltasar Rodríguez no início do segundo tempo tornou a missão ainda mais complicada, mas os argentinos conseguiram proteger a própria área e levar a decisão para os pênaltis. Foi uma demonstração de resistência que não pode ser ignorada.

É justamente essa capacidade de adaptação que liga o alerta para Abel. O Estudiantes não apresentou uma única maneira de competir nas semifinais. Em La Plata, conseguiu pressionar e criar oportunidades; no Rio de Janeiro, mostrou disposição para defender por longos períodos. Portanto, o Palmeiras não pode preparar a final imaginando que encontrará um adversário limitado a uma postura conservadora.

Palmeiras precisa encontrar combinações

Um dos principais desafios estará na construção das jogadas ofensivas. Quando enfrenta equipes que protegem a entrada da área e mantêm muitos jogadores próximos dos próprios defensores, o Palestra precisa encontrar alternativas para superar essa organização. Isso passa por variar o lado das jogadas, acelerar as combinações e buscar espaços para finalizar. Uma circulação previsível pode facilitar o trabalho de quem está defendendo.

Nesse contexto, a movimentação dos atacantes ganha importância. Flaco López, Vitor Roque e os demais jogadores envolvidos na construção ofensiva poderão oferecer alternativas para tirar os defensores argentinos de suas posições. A aproximação entre os homens de frente e as infiltrações de quem chega de trás são possibilidades que Abel pode explorar. O desafio será encontrar essas combinações sem tornar o ataque dependente de uma única solução.

Paciência: uma palavra chave para superar os ‘hermanos’

Outra questão envolve a paciência. O Estudiantes demonstrou contra o Flamengo que consegue suportar períodos de pressão sem perder a concentração. Isso exige do Verdão uma circulação mais inteligente, sem transformar a posse de bola em um exercício de insistência. A equipe de Abel precisará reconhecer o momento de acelerar, mas também saber quando reorganizar a jogada para encontrar uma alternativa melhor.

Há, porém, um cuidado que não pode ficar em segundo plano: a proteção defensiva. Ao adiantar seus jogadores para pressionar e tentar superar um adversário organizado, a SEP também precisa considerar os espaços que podem surgir quando perder a bola. O Estudiantes já demonstrou capacidade de competir em diferentes contextos, e oferecer oportunidades para contra-ataques seria um risco desnecessário. O equilíbrio entre atacar e proteger a própria defesa será fundamental.

A experiência contra o Flamengo também mostrou que a equipe argentina não precisa ter a bola para permanecer competitiva. Na volta, mesmo com um jogador a menos durante boa parte do segundo tempo, conseguiu sustentar o resultado e levar a decisão para as penalidades. Isso não significa que o Alviverde encontrará necessariamente o mesmo cenário, mas serve como alerta sobre a dificuldade de enfrentar um adversário que sabe resistir à pressão.

Abel precisa buscar o equilíbrio

Para Abel, a preparação passa por encontrar equilíbrio entre iniciativa ofensiva e segurança. O treinador precisará avaliar como posicionar o meio-campo, quais jogadores podem oferecer alternativas para superar a marcação e de que maneira o time conseguirá acelerar as jogadas sem perder proteção. Não se trata de abandonar as características do Palmeiras, mas de entender que uma final exige soluções específicas de acordo com o comportamento do adversário.

No dia 28 de novembro, no Estádio Centenário, em Montevidéu, o Palestra encontrará um adversário que já demonstrou saber competir de diferentes maneiras em uma mesma eliminatória. O Estudiantes não chegou à decisão apenas sobrevivendo à pressão do Flamengo: também mostrou capacidade de assumir o protagonismo quando encontrou condições para isso. Se Abel conseguir preparar o time para essas duas possibilidades, o Verdão terá melhores condições de controlar os momentos da decisão. Afinal, em uma final continental, conhecer o adversário é importante, saber interpretar suas mudanças durante o jogo pode ser ainda mais decisivo.

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