O Palmeiras decidiu apostar alto em 2026. Pela primeira vez nos últimos anos, a diretoria abriu mão da principal fonte de receita — a venda de jogadores — para atender um pedido considerado estratégico de Abel Ferreira: manter intacta a base do elenco na reta decisiva da temporada.
O português não solicitou reforços na atual janela de transferências. Em compensação, fez uma exigência à presidente Leila Pereira: que nenhum atleta considerado titular fosse negociado durante o meio do ano.
O objetivo é claro. Com o grupo preservado, o Palmeiras acredita ter mais condições de disputar em alto nível os três torneios que restam na temporada: Campeonato Brasileiro, Copa do Brasil e Libertadores.
Decisão, entretanto, tem um custo elevado
Ao rejeitar propostas por jogadores valorizados como Flaco López e Allan, o Palmeiras deixou de arrecadar mais de R$ 260 milhões apenas em valores fixos. O impacto apareceu rapidamente no balanço financeiro. O SEP fechou o primeiro semestre com déficit contábil de R$ 124 milhões, muito acima dos R$ 19,3 milhões negativos previstos no orçamento para o período.
Os números ajudam a explicar o cenário. A previsão orçamentária apontava arrecadação superior a R$ 200 milhões com negociações de atletas até junho. Somadas às demais receitas contabilizadas na mesma rubrica, como os valores provenientes do Nubank Parque, a expectativa chegava a R$ 242,4 milhões. Na prática, porém, entraram apenas R$ 87,1 milhões, sendo R$ 37,4 milhões relacionados à arena e R$ 49,3 milhões provenientes do futebol profissional.

Leila Pereira abriu mão de vendas para manter elenco alviverde forte em busca dos títulos em 2026 – Foto: Ettore Chiereguini/AGIF
O resultado é uma diferença significativa entre o planejado e o realizado. Enquanto o orçamento previa receitas totais de R$ 619 milhões no primeiro semestre, o Alviverde arrecadou R$ 432,3 milhões.
Por enquanto, Palmeiras está forte nas três competições em disputa
Apesar disso, a diretoria demonstra convicção de que a estratégia pode se pagar dentro de campo. Afinal, o Palmeiras lidera o Campeonato Brasileiro, construiu larga vantagem sobre o Fortaleza nas oitavas de final da Copa do Brasil após vencer o primeiro jogo por 3 a 0 e inicia nos próximos dias o confronto diante do Cerro Porteño pelas oitavas da Libertadores.

Flaco López voltou valorizadíssimo da Copa do Mundo e é um dos ativos mais importantes no elenco de Abel Ferreira – Foto: Ettore Chiereguini/AGIF
Em outras palavras, o SEP segue vivo nas três competições mais importantes da temporada. É justamente aí que Abel Ferreira e Leila Pereira enxergam a oportunidade de transformar desempenho esportivo em equilíbrio financeiro.
As premiações distribuídas pelas competições nacionais e continentais podem compensar parte da receita que deixou de entrar com as transferências. A conquista da Copa do Brasil pode representar quase R$ 90 milhões extras em relação ao previsto no orçamento. Já o título da Libertadores pode acrescentar aproximadamente R$ 140 milhões aos cofres alviverdes, além dos ganhos indiretos com bilheteria, premiações acumuladas ao longo da campanha, valorização do elenco e novas oportunidades comerciais.
Aposta alta do Palmeiras requer praticamente 100% de êxito no campo
A aposta, portanto, parece simples na teoria: em vez de vender ativos para fechar as contas, o Palmeiras tenta transformar troféus em receita. Naturalmente, trata-se de uma estratégia de risco.
O orçamento de 2026 prevê R$ 1,2 bilhão em receitas, sendo quase R$ 400 milhões provenientes da venda de jogadores. Até o momento, essa principal fonte ficou muito abaixo da expectativa. Embora a janela europeia permaneça aberta, a tendência é que eventuais negociações envolvam atletas menos utilizados ou que estão emprestados, operações com potencial financeiro bem inferior ao de uma venda de titulares.

Abel Ferreira exigiu manutenção dos titulares para Palmeiras chegar ao objetivo em Brasileiro, Copa do Brasil e Libertadores – Foto: Cesar Greco/Palmeiras/by Canon
Se os títulos vierem, Abel Ferreira e Leila Pereira poderão dizer que acertaram ao priorizar a força esportiva em detrimento do caixa. O SEP encerraria a temporada próximo das metas financeiras sem precisar desmontar um elenco considerado capaz de disputar todos os campeonatos.
Mas o outro lado da aposta também existe. Caso o Palmeiras repita o desempenho de 2025 e termine o ano sem as principais conquistas, a conta dificilmente fechará apenas com receitas recorrentes de patrocínio, publicidade, sócio-torcedor e bilheteria.
Elenco forte x vendas necessárias para o caixa
Ao preservar seus principais jogadores, o Palmeiras escolheu trocar a segurança financeira pela possibilidade de um retorno esportivo muito maior. Abel Ferreira abriu mão de reforços para manter um elenco competitivo. Leila Pereira aceitou conviver com um déficit acima do previsto para sustentar esse projeto.
O Alviverde, agora, entra no segundo semestre com uma das apostas mais ousadas de sua gestão recente. O mercado ficou em segundo plano. O verdadeiro investimento do Palmeiras está dentro de campo. E a resposta sobre quem venceu essa aposta será dada apenas quando a temporada chegar ao fim.





