A derrota do Palmeiras para o Vasco na decisão do Campeonato Brasileiro Sub-20, na última sexta-feira (4), no Nubank Parque, aumentou a tensão nos bastidores do clube. Após o vice-campeonato da categoria, conselheiros alviverdes passaram a cobrar a saída de José Roberto Lamacchia, marido da presidente Leila Pereira, do Conselho.
Segundo apuração do jornalista Rafael Bullara, do Nosso Palestra, integrantes de um grupo político do Conselho entendem que existe um claro conflito de interesses diante da participação da família Lamacchia na negociação para a compra da SAF do Vasco.
As cobranças teriam acontecido, inclusive, em um grupo de mensagens do qual participam Beto Lamacchia e Leila. Conselheiros se manifestaram diretamente após a decisão do Sub-20 e defendem que o empresário deixe o cargo antes do confronto entre Palmeiras e Vasco pela semifinal da Copa do Brasil.
Enteado de Leila pronto para comprar SAF do Vasco
O principal ponto levantado pelos conselheiros é justamente a proximidade da família Lamacchia com o futebol vascaíno. Marcos Lamacchia, filho de José Roberto e enteado de Leila Pereira, está envolvido na negociação para adquirir 90% da SAF do Vasco.
Beto Lamacchia já confirmou publicamente que participa da operação como avalista. O empresário também afirmou que o acordo está firmado, embora a conclusão da aquisição ainda dependa do cumprimento das etapas necessárias para a efetivação do negócio.
Conselheiros falam em “jogo duplo”
Nos bastidores do Palmeiras, alguns conselheiros passaram a utilizar o termo “jogo duplo” para classificar a situação. Na avaliação desse grupo, a participação de Lamacchia na operação envolvendo o Vasco seria incompatível com sua permanência no órgão político do Palmeiras.
É importante destacar, porém, que essa interpretação parte de uma ala de conselheiros e representa uma avaliação política dentro do clube. Não há, até o momento, uma conclusão oficial de que José Roberto Lamacchia tenha atuado contra os interesses do Palmeiras.

Foto: gerada com auxílio de IA pelo Bolavip Brasil
A preocupação ganhou ainda mais força justamente porque Palmeiras e Vasco voltam a se enfrentar em uma decisão importante. O duelo pela semifinal da Copa do Brasil coloca os dois clubes novamente em lados opostos, aumentando o desconforto entre os conselheiros que defendem a saída de Lamacchia.
Para esse grupo, não seria adequado que um integrante do Conselho do Palmeiras tivesse participação, ainda que indireta, em uma operação financeira relacionada ao adversário do clube em uma competição nacional.
Análise: conflito de interesses virou um problema político para Leila
A situação também reacende uma discussão que já acompanhou a trajetória de Leila no Palmeiras. Antes de assumir a presidência do clube, a empresária esteve diretamente ligada à Crefisa, empresa que durante anos foi a principal patrocinadora do Alviverde.
Agora, a família volta a ficar no centro de uma discussão sobre possíveis conflitos entre interesses empresariais e os interesses do Palmeiras. A negociação envolvendo o Vasco colocou José Roberto e Marcos Lamacchia em uma posição que passou a ser questionada por parte do Conselho.
O episódio acontece em um momento no qual o Palmeiras também é cobrado por decisões relacionadas ao futebol. Enquanto o SEP mantém uma postura mais cautelosa no mercado de transferências, o Vasco vem realizando movimentos para reforçar seu elenco mesmo diante do processo de recuperação judicial pelo qual passa.
Não há problema, em tese, em a família Lamacchia ter interesses empresariais no futebol. O problema está no momento e na sobreposição de posições. Enquanto Leila continuar na presidência do Palmeiras, qualquer movimento financeiro relevante envolvendo um clube como o Vasco naturalmente será observado sob a ótica dos interesses do Alviverde.
E o cenário pode ficar ainda mais delicado em novembro. Uma eventual eliminação do Verdão para o clube que está no centro da negociação da família Lamacchia certamente aumentaria a pressão política sobre Leila e José Roberto.





