Atuação marcada por posse improdutiva, falta de criatividade e vaias da torcida na Arena
O Grêmio saiu para o intervalo sob vaias na Arena após um primeiro tempo decepcionante contra o Deportivo Riestra, marcado por muita posse de bola e pouquíssima efetividade. O empate parcial reflete bem o que foi visto em campo: volume sem qualidade.
A equipe iniciou com um esquema de 5-4-1, com Noriega atuando como um terceiro zagueiro pelo meio, tentando dar sustentação à saída de bola. O time até apresentou um alto índice de acerto de passes, mas em sua grande maioria passes laterais e improdutivos, sem qualquer agressividade.
Nos minutos iniciais, o Grêmio abusou das bolas longas, acelerando sem necessidade e facilitando a marcação adversária. Após os 15 minutos, houve uma tentativa de ajuste com o adiantamento da primeira linha – Balbuena, Viery e Noriega – e o time passou a colocar mais a bola no chão, mas ainda sem conseguir gerar perigo real.
Posse de bola sem profundidade expõe problema coletivo
O Deportivo Riestra foi claro na sua proposta: duas linhas bem definidas, uma de cinco e outra de quatro, esperando o erro para sair em contra-ataque. E, mesmo com pouca posse, conseguiu criar uma das melhores chances do primeiro tempo em um chute perigoso.
Do lado gremista, o cenário foi repetitivo e preocupante. Circulação de bola lenta, previsível e baseada em cruzamentos improdutivos, especialmente pelo lado de Tetê, que teve atuação muito abaixo. Faltaram passes de profundidade, infiltração e movimentação coordenada.
O Grêmio precisa mudar o esquema para o segundo tempo?
O Grêmio precisa mudar o esquema para o segundo tempo?
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A pressão existiu, mas muito mais no “abafa”, na transpiração do que na organização. Isso evidencia um time que tenta mais na vontade do que na construção.
Falta de criatividade e escolhas questionáveis marcam o jogo

Gabriel Mec foi titular contra os argentinos do Riestra -Foto: Lucas Uebel/Grêmio FBPA
Os números ajudam a escancarar o problema: apenas um chute no alvo até os 40 minutos, muito pouco para quem joga em casa e precisa vencer. As tentativas vieram principalmente com Pavon, aos 27 e 33 minutos, mas sem grande dificuldade para o goleiro adversário.
Braithwaite ficou isolado na maior parte do tempo, sem receber bolas em condição de finalização. Também é justo dizer que pouco ofereceu em movimentação, muitas vezes saindo da área sem dar opção clara. Já Gabriel Mec foi discreto, o que reforça um debate recorrente: por que não utilizar dois meias para dar mais criatividade ao time?
A melhor chance gremista veio apenas aos 45 minutos, em um chute de Mec que desviou. Muito pouco para um time que teve amplo domínio territorial.
Individualmente, alguns pontos chamam atenção. Noriega foi o mais voluntarioso, participativo e presente na construção. Em contrapartida, Tetê foi o pior em campo, extremamente previsível – sempre puxando para a esquerda e cruzando sem sucesso. Pavon também não conseguiu acertar um cruzamento sequer.
No fim, o retrato do primeiro tempo é claro: muita posse, pouca ideia e nenhuma efetividade. As vaias da torcida não foram exagero – foram reflexo de um Grêmio que precisa, urgentemente, jogar mais.






