Único técnico brasileiro no G4, Odair Hellmann constrói uma carreira consistente e diz em entrevista que não costuma projetar colocações por conta do dinamismo do futebol
O Tricolor das Laranjeiras fechou o primeiro turno do Campeonato Brasileiro figurando no G4, zona de classificação direta para a Taça Libertadores. Com isso, o técnico Odair Hellmann se destaca como o treinador brasileiro com melhor campanha na competição, está atrás apenas dos “importados” Domènec Torrent, Eduardo Coudet e Jorge Sampaoli.
Após a vitória do Flu no último domingo sobre o Fortaleza (1×0), na segunda-feira, Hellmann participou de entrevista no programa “Seleção SporTV”. Ao ser indagado se projetava o Tricolor Carioca nesta colocação no começo da temporada, o treinador foi franco. “Não faço essa análise porque não tem como e nem pode. Quando você inicia uma competição e já coloca teto, um obstáculo na parte final, já acaba mentalizando para isso, dificultando, fechando espaço para possibilidades maiores. Claro que você tem que saber reconhecer o seu momento, as suas condições, mas para o melhor você não pode colocar limite. Não colocamos limite”.
O treinador ainda afirmou que no Fluminense não cabem projetos que visam apenas salvar o time da Série B, detalhando como foi construído seu trabalho, desde que quando chegou nas Laranjeiras em 2019. “Quando vim para o Fluminense, em conversa com o presidente, a ideia era fazer um campeonato diferente de outros campeonatos. Realmente o Fluminense tem passado dificuldade nos outros Brasileiros, isso chamava a atenção e trazia uma desconfiança interna e externa, dificultava os processos. Então precisava de uma retomada nesse sentido para que fizesse um campeonato mais regular, mais consistente, para ir gerando confiança, ir buscando uma melhor colocação e no final comemorar coisas boas”.
A postura realista também ficou evidente, espelhando o verdadeiro sentido de saber modular anseios e ter consciência das verdadeiras possibilidades de evoluir. “Tem uma plaquinha simplesinha lá no fundo que diz: “Você é do tamanho do seu sonho”. Então vamos sonhar com pés no chão, mas sempre sonhar. Sem sonho, sem objetivo, ser humano não é nada”, filosofa o comandante do Flu.
Com apenas três temporadas treinando times da Série A ( comandou o Internacional de Porto Alegre de 2017 a 2019), Hellmann é contra rótulos. “ Tenho três anos de carreira como treinador, e as pessoas querem rotular um profissional com dois anos e oito meses. Não se rotula ninguém nem com 30 anos, nem 20, imagina com dois anos e oito meses. Venho trabalhando duro, em equipes com dificuldades financeiras, em retomada de um processo de reconstrução. Não é fácil um profissional oriundo da base se estabelecer em um mercado competitivo”, afirmou.




