São poucos os jogadores que têm a possibilidade de jogar em dois gigantes do futebol brasileiro como Internacional e Grêmio e ainda ser destaque nas duas equipes. Essa é a história de Rubens Cardoso, que foi conseguiu conquistar títulos importantes com as duas equipes e ter o carinho de ambas as torcidas.

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Mesmo conseguindo títulos pelos dois times gaúchos e tendo carinho pelos torcedores dos dois clubes, o ex-lateral esquerdo admitiu um carinho maior pelo Inter pois, segundo ele, as conquistas que teve pelo Colorado falaram mais alto, embora a taça da Copa do Brasil em 2001 pelo rival tenha sido muito importante para a história do Tricolor Gaúcho.

Rubens Cardoso conquistou a Libertadores e o Mundial com o Internacional
Rubens Cardoso, que nos dias de hoje é auxiliar técnico do ex-goleiro Clemer, concedeu uma longa entrevista ao portal Torcedores, contando um pouco da sua carreira e os bastidores dos títulos conquistados pelos dois maiores rivais. “Eu tive o privilégio de jogar nessas duas grandes equipes, sendo da mesma cidade, do mesmo estado. Tive uma passagem fantástica pelo Grêmio, sendo campeão da Copa do Brasil de 2001. Aquele título ali me deu a possibilidade de me firmar no futebol brasileiro. Fui cotado para a seleção. Naquele sistema de 3-5-2, fizemos o melhor 3-5-2 do Brasil na época. Todo mundo queria espelhar o nosso sistema. Fui considerado um dos melhores alas nessa função. Depois disso a minha vida mudou. Eu era novo, estava começando e o mais difícil é se firmar no futebol. Começar uma carreira sólida em grandes equipes. Eu já tinha vindo do Santos e tinha que confirmar no Grêmio. Era a chance de demonstrar o meu valor dentro do futebol. E depois dei sequência. Tive a honra de marcar a história e ganhar grandes títulos com o Inter, como a Libertadores e o Mundial. Eu tinha perdido duas finais seguidas de Libertadores. Em 2002 contra o Olímpia, nos pênaltis, jogando pelo São Caetano. E no ano seguinte, 2003, com o Santos, diante do Boca. Eu era daquele elenco também. Aí, na terceira, foi a oportunidade que o Inter me deu. Era o meu sonho. Estava engasgado na garganta. E o início, pra ser sincero, não foi dos melhores. Existia uma certa desconfiança do torcedor colorado, mas depois dessa desconfiança e do título, das atuações, o torcedor colorado começou a me amar. E eu fui amando esse clube de uma tal maneira que veio a Libertadores, Mundial, Recopa, enfim. Ganhamos todos os títulos possíveis e foi um amor que explodiu. Tremendo. Por essa razão, de ter acontecido essa reciprocidade. Eu respeito demais o Grêmio, tenho um carinho, mas o Internacional hoje está no meu coração. Sou colorado, torço mesmo pela instituição. Sou apaixonado pelo Inter”, declarou o hoje auxiliar técnico.
Por fim, o ex- ala-esquerdo falou sobre o maior título de sua carreira: o Mundial Interclubes. Na época, Rubens viu o titular da posição, Hidalgo, se machucar logo no primeiro tempo da partida do primeiro jogo do Inter no torneio contra o contra o Al-Ahly; Rubens acabou entrando no início da segunda etapa e foi destaque nos dois jogos que deram o título mundial para o Colorado. O ídolo ainda revela que, por pouco, não ficou de fora da viagem, pois só conseguiu retornar aos gramados dois jogos antes do Brasileirão de 2006 terminar.
“Se a gente for relembrar, desde o início, eu vinha de uma lesão no Brasileirão e estava voltando. Tanto é que voltei em umas duas rodadas antes de finalizar o campeonato. A gente jogou o último jogo contra o Goiás, no Beira-Rio, e eu fiquei na reserva. Já vinha treinando, me sentia bem, apesar de estar sem ritmo. Eu voltava de lesão. Depois do jogo contra o Goiás, o Abel se reuniu com a comissão e decidiu dar uns dias de folga para nós. Para ficarmos com a família alguns dias e depois teríamos um tempo de preparação lá no Japão. A viagem seria longa. Eu chamei o Paulo Paixão e falei assim: “Eu quero treinar”. Jogamos no sábado contra o Goiás e no domingo eu queria treinar. Um sol do caramba. O Paixão falou: “Você tem certeza? Descansa, cara. Fica com a sua família, nós vamos ter tempo lá no Japão para treinar”. Mas eu queria treinar. E convenci. Viemos pro Beira-Rio trabalhar na caixa de areia. Uma hora, uma hora e 20. Eu treinei e falei: “Vou jogar o Mundial”. Queria estar bem preparado. Ninguém estava vendo, mas eu sabia que quando chegasse a minha vez eu estaria preparado. Essa era a minha convicção. Ainda treinei umas duas ou três vezes em separado com ele antes da viagem. Aí no mundial, o Hidalgo estreou e se lesionou logo no primeiro jogo. Foi aí que eu entrei no segundo tempo da semi contra o Al-Ahly. Só que eu estava muito preparado. Convicto que eu iria jogar, que eu iria tecnicamente e fisicamente ajudar. Isso me deu tranquilidade. Quando você se prepara para fazer uma prova, você fica tranquilo. E eu sou assim. Estava à vontade e convicto de que faria o meu melhor. Eu tinha muita fé que eu iria jogar. Confiante nisso. Até essa confiança e essa fé, e eu falei para alguns, que eu iria jogar. Quando o pessoal viu que eu substituiria o Hidalgo, o pessoal ficou tranquilo. Eu dei essa tranquilidade ao time. Um depende do outro e a confiança um no outro tem que ser absoluta. Na minha individualidade, eu iria ajudar o coletivo a sair com a vitória”, completou.









