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Copa do Mundo Feminina

Tamires questiona engajamento para Copa e expõe ignorância sobre futebol feminino no Brasil

“O Brasil é gigante": o questionamento de Tamires que expõe o gargalo do evento Sem estratégias regionais integradas, o país corre o risco de sediar um Mundial histórico sem conectar suas pontas

Tamires não se calou sobre mobilização para lotar estádios na Copa do Mundo no Brasil - Foto: Marlon Costa/AGIF
© Marlon Costa/AGIFTamires não se calou sobre mobilização para lotar estádios na Copa do Mundo no Brasil - Foto: Marlon Costa/AGIF

O futebol brasileiro já começa a se organizar para a Copa do Mundo de 2027. Sendo a primeira edição do Mundial Feminino realizada no continente sul-americano, o torneio traz discussões importantes para o dia a dia do esporte: do impacto na economia e nos preparativos do país até as mudanças nas datas do calendário masculino.

A menos de dez meses do torneio, Tamires Dias, multicampeã pelo Corinthians e pela seleção brasileira, destaca que a prioridade deve ser garantir o engajamento das oito cidades-sede. Para a jogadora, o objetivo é promover o evento de forma equilibrada para lotar os estádios durante as 64 partidas.

“Teremos oito cidades-sede. Tem muitas pessoas falando no futebol feminino. Mas, tem lugares que falam mais e lugares em que se fala menos”, declarou a jogadora, ao porta Uol Esporte, durante evento realizado em São Paulo, visando os preparativos para a Copa do Mundo.

Em sintonia com a visão de Tamires, a Fifa trabalha para superar o recorde de público registrado na Austrália e na Nova Zelândia, onde quase 2 milhões de torcedores compareceram aos estádios. De acordo com Thiago Jannuzzi, diretor-executivo da Copa de 2027, a meta é ultrapassar essa marca: “A expectativa é movimentar mais de 2 milhões de pessoas, com uma média superior a 33 mil torcedores por jogo”, projetou o dirigente.

Diferenças regionais podem colocar Copa em xeque quanto ao público

Com capacidade para pouco mais de 44 mil torcedores, a Arena Pernambuco será o menor estádio da Copa do Mundo de 2027. O dado ilustra o desafio de garantir uma alta taxa de ocupação nas arenas ao longo de todo o torneio e Tamires lança a reflexão urgente sobre a Copa no Brasil: “Será que todas as cidades estão realmente trabalhando para que as pessoas de seus estados saibam que vai acontecer uma Copa no seu estado?”

Entre as oito sedes do Mundial, três não possuem representantes na elite do Campeonato Brasileiro Feminino: Brasília, Fortaleza e Recife. A baixa frequência nos estádios é um desafio presente até nas cidades com times na Série A1 (São Paulo, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Porto Alegre e Salvador).

Nas 15 primeiras rodadas do Brasileirão de 2025 (fase de pontos corridos), as maiores médias de público foram de Corinthians (6.812), Cruzeiro (761), Ferroviária (352), Palmeiras (295) e São Paulo (288), de acordo com o Observatório Social do Futebol, evidenciando não apenas a modéstia dos números, mas também a forte concentração da presença de público no estado de São Paulo, acompanhado por Minas Gerais.

Recado de Tamires para as cidades-sede

Tal fato não foi ignorado por Tamires, que lançou um reflexão que expõe o desafio para uma organização assertiva, visando o público na Copa: “O Brasil é muito grande. Então, como levar o futebol feminino, que vai ter uma Copa aqui no Brasil, para a gente encher realmente os estádios? Precisamos criar estratégias para isso acontecer”.

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