Gerson decidiu reagir. Não ficou apenas na defesa formal: partiu para o ataque. No processo em que o Flamengo cobra R$ 42,7 milhões, o meia e a FGM Sports — empresa comandada por Marcão, seu pai e empresário — sustentam que o clube extrapolou. Na representação do jogador na Justiça, o Rubro-Negro é cusado de má-fé e que age com sede de vingança.
Segundo apuração do Globo Esporte, que teve acesso ao documento, Gerson e a empresa do pai são taxativos. Sustentam que “o contrato foi extinto pelo cumprimento integral da cláusula 6.2″, com o pagamento da multa pelo Zenit, e que o Flamengo “violou Direitos Trabalhistas irrenunciáveis”.
“O item 6.2 – e essa é a pedra angular da lide – estabeleceu que, em caso de pagamento integral da cláusula indenizatória desportiva (exatamente como ocorreu no caso em tela – fato incontroverso, pois confessado pelo próprio CRF7), NÃO ESTABELECEU QUALQUER MULTA (CLÁUSULA PENAL). E O MOTIVO É ÓBVIO: QUANDO A MULTA É PAGA O CONTRATO É CUMPRIDO, E NÃO INADIMPLIDO”, ressalta o documento dos advogados.
Defesa de Gerson contra-ataca e alfineta sobre silêncio do jogador
A defesa cita um desabafo recente do meio-campista: “Gerson vem sofrendo como um cordeiro mudo levado ao matadouro. Nenhuma entrevista sobre o assunto; nenhum comunicado, nenhuma nota à imprensa; e nenhum comentário em suas redes sociais. Gerson apenas disse: “no momento certo contarei umas verdades” – apontou a defesa do jogador.
O documento acrescenta uma peça mais incômoda ao tabuleiro. Segundo a defesa, Gerson teria assinado a renovação com o Flamengo sem se dar conta de um detalhe nada trivial: a “drástica redução” da cláusula indenizatória desportiva. Alega-se que o pedido de demissão — ponto central da disputa — não foi exatamente espontâneo. Teria sido feito sob orientação do próprio clube. Se verdadeiro, muda o eixo da discussão.
Esse conflito na Justiça tira Gerson da condição de ídolo do Mengão pelo que ele conquistou no Clube?
Esse conflito na Justiça tira Gerson da condição de ídolo do Mengão pelo que ele conquistou no Clube?
0 PESSOAS JÁ VOTARAM
A defesa vai além e usa uma palavra pesada no vocabulário jurídico: dolo. Em bom português, intenção. É quando o caso deixa de ser apenas uma divergência contratual e passa a insinuar algo mais grave: não erro, mas cálculo.
Quando anunciou a transferência para o Zenit, no ano passado, o Flamengo foi direto ao ponto: “pedido de demissão e rescisão unilateral apresentado pelo jogador”. Simples assim. Ou parecia. A versão da defesa de Gerson complica o enredo. Fala em seis irregularidades cometidas pelo clube na condução do contrato. Número redondo, acusação pesada. E acrescenta um dado concreto: R$ 6,3 milhões que o jogador diz não ter recebido, referentes a bonificação de luvas.
Mengão é acusado de agir por vingança

Gerson emplihou títulos pelo Mengão, mas hoje faz acusações pesadas ao Mais Qeurido – Foto: Thiago Ribeiro/AGIF
Por meio de seus advogados, o meia sustenta que não está apenas se defendendo. Diz-se alvo de vingança. Palavra forte, que, se não resolve o caso, ajuda a dimensionar o tamanho do conflito. No fim, o que se vê é menos uma disputa jurídica e mais um rompimento total. Quando as versões se afastam tanto, a verdade costuma virar território em disputa — e a decisão, inevitavelmente, fica nas mãos da Justiça.






