A noite de domingo foi marcada pela derrota do Corinthians para o Santos, que encerrou um tabu de 15 anos na Neo Química Arena. O resultado, naturalmente, deixou um gosto amargo para a Fiel. Mas, para além do que aconteceu dentro de campo, uma cena na arquibancada também chamou atenção, e, dessa vez, por um motivo que não deveria fazer parte da história corinthiana.
Após o apito final, um torcedor corinthiano de apenas oito anos recebeu a camisa de Neymar, jogador do Santos e um dos grandes ídolos do futebol brasileiro. O que poderia ter sido apenas um momento bonito entre um fã e seu ídolo acabou tomando outro rumo. O garoto foi hostilizado por outros torcedores e precisou deixar o estádio escoltado pela polícia e por seguranças.
Admirar um rival não diminui o amor pelo Corinthians
Todo mundo tem um jogador de quem gosta, independentemente do clube que ele defende. Admirar Neymar não faz aquele torcedor ser menos corinthiano, assim como reconhecer a qualidade de um adversário não significa torcer contra o próprio time. Existe uma diferença enorme entre rivalidade e transformar qualquer demonstração de admiração em uma espécie de traição.
Até porque o próprio Memphis Depay já declarou sua admiração por Neymar. Os dois, inclusive, trocaram brincadeiras durante o clássico. E nem por isso o holandês deixou de defender o Corinthians, competir ou se entregar em campo. É possível respeitar e admirar quem está do outro lado sem deixar de saber exatamente onde está o seu coração.
Quando um torcedor passa a enxergar outro corinthiano como alguém que precisa ser hostilizado, ainda mais quando se trata de uma criança, talvez seja hora de olhar para dentro e perguntar o que está acontecendo.
Afinal, o que a Fiel quer representar?
A Fiel sempre fez questão de mostrar sua força na união. É estar junto quando o time ganha, quando perde, quando tudo parece dar errado e até quando as coisas ficam difíceis demais. É uma torcida que construiu sua identidade justamente na ideia de nunca abandonar o Corinthians. Mas essa união precisa começar entre os próprios corinthianos.
Uma criança de oito anos segue um caminho que qualquer outro amante do futebol tem. Ela estava apenas vivendo uma daquelas experiências que poderiam se transformar em uma lembrança para a vida inteira: receber uma camisa e quem admira. A rivalidade pode existir, deve existir, mas não pode ser maior do que a humanidade.




