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Exclusivo: Teresa Perrone, neta de fundador do Corinthians, conta memórias da infância e um amor que atravessou gerações

Teresa Perrone revive lembranças do avô, da infância e de uma história de amor que atravessa gerações

Teresa Perrone, neta de fundador do Corinthians, revela memórias da infância e histórias da família Foto Arquivo pessoal
Teresa Perrone, neta de fundador do Corinthians, revela memórias da infância e histórias da família Foto Arquivo pessoal

No dia em que o Sport Club Corinthians Paulista celebra 116 anos de história, as memórias de quem ajudou a erguer o gigante do Parque São Jorge seguem vivas. Teresa Perrone, neta de Raphael Perrone, um dos cinco operários fundadores do Timão, vivencia a data com orgulho e emoção.

Criada em uma família humilde em São José dos Campos, no interior paulista, Teresa conta que a dimensão do que o seu avô havia criado ao lado dos companheiros e compreensão da grandiosidade do Corinthians veio acompanhada pelas narrativas passadas por seu pai.

Em entrevista exclusiva ao BolaVip Brasil, Teresa relatou a intensa relação de Raphael Perrone com o clube: “Meu pai contava que o meu avô vivia pelo Corinthians. A primeira filha dele, minha tia, foi a primeira mulher conselheira do clube. Ele batizou os filhos na Capela de São Jorge e, quando minha avó foi dar à luz um dos filhos, ele estava no Corinthians. O clube vinha acima de tudo, era o amor maior dele. Quando ficou mais velho e acompanhava os jogos pelo rádio, ninguém podia entrar no quarto; era o momento dele passar nervoso, como um bom corintiano.”

A história do nascimento clube também se entrelaça com o amor entre Raphael e Dona Antonia. Ela, uma mulher negra empoderada, viveu uma paixão desafiadora para os padrões da época com o operário italiano, além de ter sido a responsável por bordar o primeiro escudo no uniforme alvinegro: “Meu avô e minha avó viveram um amor proibido: ele italiano, loiro de olhos azuis, e minha avó negra. Ela era uma mulher empoderada, de voz ativa, que estava sempre ao lado dele. Como as camisas não tinham nenhum símbolo, ela mesma bordou com as próprias mãos o ‘CP’. Ela lavava os uniformes, acompanhava tudo e entendia o amor que ele tinha pelo Corinthians. Foi uma história linda e de muito amor.”

A entrega dos acervos ao Memorial e o desejo por mais reconhecimento

Por muitos anos, a família guardou relíquias do fundador sem contato com a diretoria. Tudo mudou quando Teresa e o irmão fizeram uma homenagem no cemitério nos 107 anos do clube e chamaram a atenção do historiador Fernando Wanner

“A gente não tinha acesso a nada no Corinthians. Guardávamos a carteirinha número 3 do meu avô e pertences como a bengala e a escova de sapateiro. No aniversário de 107 anos, fizemos uma homenagem no cemitério e meu irmão publicou na internet. O historiador Fernando Wanner viu, entrou em contato e nos recebeu no clube. Quando mostramos os documentos e a carteirinha, ele ficou emocionado. Combinamos que o Memorial seria o lugar ideal para expor esse bem tão precioso para a nossa família.”

Mesmo acompanhando o Corinthians à distância e dividindo o tempo entre o trabalho e a mãe idosa, Teresa guarda memórias afetuosas moldadas dentro de casa ao lado do pai. Entre risos, ela lembrou o carinho especial por um ídolo marcante: “Eu gosto de todos os jogadores, mas uma pessoa marcou minha infância: o Ronaldo Giovaneli. Eu me deitava na cama com meu pai e meu irmão, a gente comia pipoca e assistia aos jogos pela TV enquanto meu pai ouvia o rádio. Eu era apaixonada por ele como goleiro. São lembranças muito boas e momentos únicos que vivi com a minha família.”

Teresa Perrone faz pedido pelo futuro do Corinthians

Hoje, dia 1 de setembro, celebrar 116 anos do Corinthians é muito mais do que especial para Teresa e sua família. Uma família pequena, simples, mas que tem sangue corinthiano.

Mesmo diante de todas as adversidades, o amor que Teresa sente pelo Corinthians transparece até em seus pedidos neste aniversário: “Hoje eu desejaria que tudo se arrumasse e que iluminasse a cabeça de quem tem o poder nas mãos. O Corinthians é um clube lindo, com uma história maravilhosa, e precisa melhorar. Desejo só o melhor, que as coisas boas se sobressaiam, porque o coração não aguenta, né (risos)”, desabafa.

No fim, a história de Raphael Perrone continua viva. 116 anos depois, sua neta ainda carrega com orgulho uma parte da história que fundou o Sport Club Corinthians Paulista.

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