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Seleção Brasileira

O sucesso de De La Fuente na Espanha escancara o que falta ao Brasil

Bicampeonato conquistado pela Espanha expõe uma lista de lições e ‘construções’ realizadas, que podem ser a chave para a remontada do time de Ancelotti

EAST RUTHERFORD, NEW JERSEY - JULY 19: Luis de la Fuente, Head Coach of Spain, lifts the FIFA World Cup Winner’s Trophy after the team’s victory following the FIFA World Cup 2026 Final match between Spain and Argentina at New York New Jersey Stadium on July 19, 2026 in East Rutherford, New Jersey. (Photo by Justin Setterfield/Getty Images)
© Getty ImagesEAST RUTHERFORD, NEW JERSEY - JULY 19: Luis de la Fuente, Head Coach of Spain, lifts the FIFA World Cup Winner’s Trophy after the team’s victory following the FIFA World Cup 2026 Final match between Spain and Argentina at New York New Jersey Stadium on July 19, 2026 in East Rutherford, New Jersey. (Photo by Justin Setterfield/Getty Images)

A tentação de adotar de olhos fechados o projeto do vencedor é antiga. Aconteceu logo após o 7 a 1, quando todos quiseram importar o “modelo alemão”. É claro que é preciso respeitar as divergências de estrutura, história e geografia. Contudo, os pilares colocados em prática pela Espanha, atual bicampeã do mundo, trazem lições valiosas para a Seleção Brasileira.

O exercício de expor o que pode ser aproveitado para o o próximo ciclo comandado por Carlo Ancelotti, foi feito pelo jornalista Igor Siqueira, do Uol Esporte. “Qual o estilo de jogo da seleção brasileira? Difícil responder. No geral, porque o Brasil deixou de ter um DNA claro na formação. No olhar mais restrito, dentro da própria seleção, o técnico italiano Carlo Ancelotti não chegou nem com um time titular definido para a disputa da Copa”, iniciou Siqueira.

Se a discussão mudar para a seleção espanhola, o cenário expõe a questão identitária como maior trunfo: Trata-se de uma cultura estruturada desde o futebol de base, que une o conhecimento teórico na formação dos técnicos ao trabalho prático nos gramados. Esse DNA, que tem suas raízes no modelo barcelonista, passou a moldar a seleção a partir de 2008. O ápice desse processo pôde ser visto nos confrontos duríssimos das fases finais da Copa do Mundo, contra França e Argentina.

Lições da Espanha para o Brasil

“Organização, qualidade técnica, valorização da posse, um sistema de jogo bem definido. Tudo isso faz parte da identidade da Espanha, mesmo que haja alguma variação menos abrupta, em decorrência da característica individual de algum jogador. Essa identidade o Brasil, hoje, não tem”, detalha o jornalista.

É verdade que nem sempre funcionou para os espanhóis. Após o bicampeonato da Euro em 2012, a Espanha virou refém da própria monotonia do tiki-taka e do envelhecimento de uma geração histórica. A virada de chave veio com a renovação liderada por nomes como Lamine Yamal, Dani Olmo e Rodri.

Não significa que a seleção tenha abandonado seu estilo para virar um time de transição, mas absorveu mais verticalidade e capacidade de drible. O sinal já tinha sido dado na conquista da Euro, com Yamal e Nico Williams sendo verdadeiras flechas pelas pontas. E o roteiro se repetiu na Copa de 2026 — mesmo após o susto do empate sem gols contra a seleção de Cabo Verde, do goleiro Vozinha.

O futebol brasileiro vive uma incômoda seca de meio-campistas de elite. Do volante cão de guarda ao armador técnico, passando pelo clássico camisa 10, o país perdeu a capacidade de formar jogadores que ditem o ritmo do jogo. A nova campeã do mundo pode até não ter um trio tão espetacular quanto a histórica prateleira de Busquets, Xavi e Iniesta. No entanto, a metodologia de base e o refino na posse garantem aos espanhóis uma das grifes mais respeitadas do meio-campo moderno.

Um recado para a CBF sobre treinadores

Ao estender o contrato de Carlo Ancelotti até 2030 antes mesmo do desfecho do Mundial de 2026, a CBF sinalizou que não pretende avaliar o mercado em busca de alternativas. No entanto, os exemplos recentes de Espanha e Argentina mostram que a solução ideal para o comando técnico costuma estar mais próxima e onde menos se espera. Luis de la Fuente é o reflexo disso. Sem o holofote dos grandes medalhões, construiu sua trajetória desenvolvendo a identidade do futebol espanhol desde a base. Foi, no fim das contas, o comandante preciso para maturá-los e consolidar um projeto vitorioso.

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