O épico título de 2002 consagrou Ronaldo Fenômeno na maior reviravolta da história do futebol, com direito a dois gols na final. O que ninguém imaginava é que aquela atuação genial daria início a uma maldição que assombra a Seleção Brasileira até hoje.
Passadas mais de duas décadas, o Brasil segue órfão de um camisa 9 dominante, capaz de romper a barreira dos três gols em uma única Copa do Mundo. Após cinco tentativas frustradas de nomes diferentes, o peso da mística camisa amarela agora recai sobre Matheus Cunha em 2026, desafiado a quebrar um tabu incômodo.

Matheus Cunha celebra um de seus gols feitos contra o Haiti (Photo by Dan Mullan/Getty Images)
A trajetória de Ronaldo em Copas do Mundo é marcada pela evolução: começou no banco no título de 1994, marcou quatro gols em 1998 e alcançou a consagração definitiva em 2002, erguendo a taça como o grande nome da Seleção. Os oito gols marcados na Coreia e no Japão seguem intactos como o segundo maior desempenho de um artilheiro brasileiro na história do torneio, superado apenas pela marca de Ademir de Menezes, que fez nove em 1950.
Entretanto, como apontou reportagem do portal ESPN, a partir dali, contudo, a mística do centroavante brasileiro começou a perder força. Em 2006, vestindo a mesma camisa 9, o próprio Fenômeno sentiu o peso do jejum e não passou dos três gols. Ele balançou as redes duas vezes contra o Japão, na primeira fase, e se despediu definitivamente das Copas ao marcar contra Gana, nas oitavas de final.
Matheus Cunha vai conseguir quebrar o tabu da camisa 9 da Seleção Brasileira em Copa do Mundo?
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O peso da herança foi sentido logo no ciclo seguinte. Herdeiro direto do número, Luís Fabiano manteve a média em 2010 ao balançar as redes três vezes na África do Sul — incluindo dois na vitória contra a Costa do Marfim —, o mesmo teto alcançado por Richarlison em 2022, no Catar.
Entre as duas campanhas, o Brasil viveu seu pior hiato de centroavantes: um isolado gol de Fred na trágica Copa de 2014, diante de Camarões, e a incômoda passagem em branco de Gabriel Jesus em 2018, na Rússia, que rendeu duras críticas ao então camisa 9 pelo jejum absoluto em cinco jogos.

O peso dessa escrita agora recai sobre Matheus Cunha, que iniciou sua caminhada com o pé direito. Após começar no banco na estreia diante do Marrocos, o centroavante retomou a titularidade contra o Haiti e foi decisivo: balançou as redes duas vezes e pavimentou o caminho para a vitória por 3 a 0. Se estiver em plenas condições físicas, o camisa 9 será peça confirmada entre os titulares nesta quarta-feira (24), no confronto diante da Escócia, em Miami.
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