A final dos Jogos Olímpicos de Tóquio, disputada em agosto de 2021, parecia representar o início de um novo capítulo para o futebol brasileiro. Com uma geração talentosa e campeã olímpica ao derrotar a Espanha por 2 a 1, a Seleção dava sinais de que chegaria forte ao ciclo seguinte rumo à Copa do Mundo.
Cinco anos depois, porém, o roteiro foi completamente diferente. Enquanto o Brasil encerrou sua participação no Mundial ainda nas oitavas de final, a Espanha chega à decisão contra a Argentina sustentada justamente pela base que foi vice-campeã olímpica naquele duelo em Tóquio.
O contraste entre os dois projetos chama atenção. Dos titulares da Espanha na decisão olímpica, oito seguem como protagonistas da seleção principal: Unai Simón, García, Cucurella, Zubimendi, Mikel Merino, Pedri, Dani Olmo e Oyarzabal.
Além deles, o técnico Luis de la Fuente, mentor daquela equipe sub-24, permaneceu no projeto e hoje lidera a Fúria na busca pelo segundo título mundial de sua história.
Brasil percorreu um caminho oposto
Dos campeões olímpicos de Tóquio, apenas Bruno Guimarães e Matheus Cunha estiveram presentes no elenco titular da Copa do Mundo de 2026. A equipe brasileira acabou eliminada nas oitavas de final pela Noruega, registrando sua pior campanha em Mundiais desde 1990.
Na decisão olímpica de 2021, o Brasil entrou em campo com Santos; Daniel Alves, Diego Carlos, Nino e Guilherme Arana; Douglas Luiz, Bruno Guimarães e Claudinho; Antony, Richarlison e Matheus Cunha.

Da seleção olímpica que conquistou o ouro em Tóquio, somente Matheus Cunha e Bruno Guimarães continuaram protagonistas para a Copa do Mundo de 2026 – Foto: Francois Nel/Getty Images
A Espanha respondeu com Unai Simón; Óscar Gil, Eric García, Pau Torres e Cucurella; Zubimendi, Mikel Merino e Pedri; Dani Olmo, Oyarzabal e Marco Asensio.
Cinco anos depois, boa parte dos espanhóis permaneceu no centro do projeto da seleção principal. No Brasil, a renovação aconteceu de forma muito mais acelerada, reduzindo drasticamente a presença daquela geração olímpica.
A diferença entre os dois países vai além dos resultados. Ela evidencia modelos distintos de transição entre as categorias de base e a equipe principal.
Espanha colheu os frutos de uma geração que teve paciência no processo
Enquanto a Espanha apostou na continuidade, preservou seu treinador e consolidou uma espinha dorsal que agora disputa o título mundial, o Brasil viu a geração campeã olímpica perder espaço antes mesmo de completar um ciclo de Copa.
Neste domingo (19), quando a bola rolar no MetLife Stadium, a Fúria terá a oportunidade de transformar uma prata olímpica no primeiro capítulo de uma geração campeã do mundo. Um caminho que começou em Tóquio e que, cinco anos depois, chega ao maior palco do futebol.





