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Dr. Rubens Sampaio detalha o desafio neuromuscular enfrentado por Paulinho no Palmeiras

A fratura antiga não é a culpada pela nova lesão muscular. Médico importante para o avanço histórico do DM do Verdão afasta mitos e revela o real impacto do tempo de afastamento

Dr. Rubens Sampaio Neto, abordou a situação de Paulinho e explicou o caminho para a recuperação - Foto: Flickr Oficial Sociedade Esportiva Palmeiras
Dr. Rubens Sampaio Neto, abordou a situação de Paulinho e explicou o caminho para a recuperação - Foto: Flickr Oficial Sociedade Esportiva Palmeiras

Poucos profissionais conseguem analisar uma situação como a de Paulinho com a perspectiva de quem acumulou uma longa experiência dentro da medicina esportiva e acompanhou diferentes momentos do SEP. Dr. Rubens Sampaio Neto esteve ligado ao departamento médico do Palmeiras em diferentes períodos e participou de uma trajetória marcada pelo acompanhamento de atletas e pela evolução dos processos de recuperação no futebol, bem como na revolução ao qual o DM Palestrino passou rumo à evolução . É a partir dessa experiência que sua leitura sobre o atual momento físico de Paulinho é detalhada em entrevista exclusiva ao Bolavip Brasil .

A nova lesão sofrida pelo jogador, justamente quando ele avançava no processo de retorno aos gramados, levanta questionamentos sobre o impacto de tantos meses de afastamento. Para Rubens, porém, é preciso separar os episódios e entender o que acontece com o corpo de um atleta durante uma recuperação prolongada. Na avaliação do médico, a lesão atual está relacionada ao processo de readaptação física e neuromuscular depois de um período tão extenso longe das exigências do futebol.

A primeira preocupação está justamente no fato de a nova lesão ter acontecido durante o processo de recuperação de um problema anterior no mesmo grupo muscular. Rubens explica que o diagnóstico atual tem uma particularidade importante e, por isso, exige atenção redobrada durante a reabilitação: “A lesão do tendão do adutor longo ocorreu durante o processo de reabilitação da lesão muscular do adutor longo, que aconteceu no início de agosto.”

O médico chama atenção ainda para uma característica do tecido lesionado que interfere diretamente no tempo necessário para que o jogador esteja plenamente recuperado. “O fato da vascularização do tendão ser pior e de, por definição, essa lesão nova ser uma recidiva, ela necessariamente toma mais tempo para reabilitação plena.”

Qual a relação entre lesão da tíbia e o problema muscular?

A ocorrência de uma nova lesão, entretanto, não significa automaticamente que o processo de recuperação anterior tenha sido conduzido de maneira inadequada. Rubens faz questão de colocar o episódio dentro de um contexto estatístico existente na medicina esportiva. “A incidência de re-lesão é estatística e faz parte das complicações precoces mesmo com protocolos mais conservadores.”

A discussão sobre o histórico de Paulinho inevitavelmente passa pela fratura por estresse na tíbia, que exigiu um longo período de recuperação. Mas, segundo Rubens, não existe uma relação biomecânica entre aquela lesão e o atual problema no adutor longo. “A lesão do adutor longo não guarda absolutamente qualquer relação com a fratura de stress da tíbia. Não há qualquer sequela que cause descompensação biomecânica nesse sentido.”

A explicação, portanto, não está em uma suposta compensação provocada pela perna que passou pelo processo cirúrgico. O impacto estaria em outro aspecto da recuperação: o longo período em que o jogador precisou permanecer afastado para que a fratura pudesse consolidar: “Já o longo tempo parado até a consolidação da fratura, que é necessário e parte do tratamento, esse sim tem impacto na condição física e técnica.” É justamente nesse ponto que a análise ganha uma camada mais profunda.

Para um jogador de futebol, recuperar uma estrutura lesionada não significa, necessariamente, recuperar imediatamente todas as respostas que o esporte exige. Depois de meses sem reproduzir movimentos em alta intensidade, o atleta precisa reconstruir a relação entre força, velocidade, coordenação e execução. Rubens resume esse processo a partir de um conceito importante: a sintonia neuromuscular. É ela que precisa ser reconstruída à medida que o jogador retoma os treinamentos específicos e volta a se expor progressivamente às demandas do futebol.

A missão é reencontrar a sintonia neuromuscular

“É justamente essa perda relativa da sintonia neuromuscular, que é recuperada com o treinamento específico e com o tempo, que eleva o risco para outras lesões, especialmente musculares, considerando um cara de muita força e velocidade.” A observação ajuda a entender por que o retorno de Paulinho não pode ser analisado apenas a partir da consolidação da antiga fratura ou da recuperação clínica de uma nova lesão. Existe uma etapa posterior, na qual o corpo precisa voltar a responder com naturalidade às exigências específicas.

Essa talvez seja uma das principais conclusões apresentadas por Rubens ao analisar o caso. Depois de um período tão longo de afastamento, a recuperação clínica é apenas uma parte do caminho. O atleta ainda precisa recuperar outras dimensões fundamentais para voltar a apresentar o rendimento anterior. “A recuperação clínica, nesse caso depois de período longo, não significa recuperação física, técnica e acrescento: mental.”

O tempo vai recuperar o potencial de Paulinho

A explicação do médico coloca a questão mental dentro do mesmo processo de reconstrução. Não basta que o jogador esteja liberado para determinadas atividades: ele precisa recuperar a consistência necessária para executar movimentos específicos com segurança e naturalidade: “A capacidade de sintonia fina neuromuscular precisa de atividade e consistência.” É justamente por isso que o retorno de Paulinho deve ser entendido como um processo progressivo. O objetivo não é apenas colocá-lo novamente em campo, mas permitir que ele recupere, ao longo dos treinamentos e da sequência de atividades, as condições necessárias para suportar as exigências do futebol de alto nível.

E, nesse aspecto, Rubens apresenta uma perspectiva positiva para o futuro do jogador. Mesmo diante da sequência de problemas físicos e do longo período de afastamento, o médico não vê a situação como uma sentença definitiva sobre o nível que Paulinho poderá alcançar novamente: “Com tempo e treino, o Paulinho retomará a mesma condição física e técnica que o trouxe para o Palmeiras.”

Dr. Rubens Sampaio: Histórico de muita relevância para a medicina Alviverde

A história de Rubens Sampaio no Palmeiras se estendeu por quase duas décadas, dividida em duas passagens: a primeira entre 1997 e 2001 e a segunda de 2006 até o fim de 2016. Nesse período, o médico acompanhou diferentes gerações do clube e esteve inserido em uma transformação profunda na maneira como o futebol passou a tratar prevenção, recuperação e controle das lesões. Sua trajetória, portanto, se confunde com parte da própria evolução da medicina esportiva dentro da Sociedade Esportiva Palmeiras.

Um dos momentos mais importantes dessa transformação aconteceu justamente nos anos finais de sua passagem. A partir de 2015, o Palmeiras ampliou os investimentos em profissionais, tecnologia e infraestrutura, buscando modernizar o Departamento Médico e acelerar os processos de recuperação. Foram incorporados recursos como controle individual de carga, termografia, protocolos específicos para lesões musculares e o chamado recovery, além da construção de um centro de excelência e reabilitação na Academia de Futebol. Sampaio participou diretamente desse processo e, em 2016, destacava que o clube caminhava para se tornar referência na área.

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