O futebol é feito de ciclos que se repetem. Em 2006, a Argentina foi eliminada da Copa do Mundo sob o clamor popular por um jovem camisa 19 que José Pekerman insistiu em deixar no banco: Lionel Messi, então com 20 anos.
Vinte anos após o erro estratégico dos hermanos, o Brasil vive um cenário com contornos perigosamente semelhantes. Agora, as atenções se voltam para a gestão de Carlo Ancelotti na Seleção Brasileira e a forma como ele conduzirá Endrick, o jovem de 19 anos apontado como a maior promessa ofensiva do país.
A comparação analítica foi feita pelos jornalistas Thiago Arantes e Paulo Vinícius Coelho e traçaram o paralelo. “Assim como Pekerman, há duas décadas, Ancelotti não tem dúvidas do talento de Endrick. Ele fala, em conversas privadas e aparições públicas, sobre as qualidades do prodígio que já comandou no Real Madrid. E que agora é aclamado como possível solução para o ataque brasileiro”, expõe o artigo.
Endrick deve ser titular absoluto na Copa de 2026 sob o comando de Ancelotti?
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Carletto resiste em acionar Endrick
Mesmo com os elogios públicos, o técnico ainda hesita em colocar Endrick na equipe titular. No entanto, o atacante não está no fim da fila de opções, embora sua ausência na etapa complementar do empate por 1 a 1 contra o Marrocos tenha dado essa impressão.
O cenário contra o Marrocos forçou o técnico a mexer na equipe ainda no intervalo para evitar expulsões. Posteriormente, a opção tática para alargar o campo foi a entrada de Luiz Henrique. Apesar disso, o comandante revelou a interlocutores que a joia da camisa 19 também estava nos seus planos para aquela partida.
Argentina também segurou Messi
Preservar uma jovem promessa em um Mundial está longe de ser uma novidade. Em 2006, a Argentina adotou exatamente essa postura com Lionel Messi. Naquela ocasião, o então camisa 19 iniciou a competição no banco, passando em branco na estreia contra a Costa do Marfim, e só ganhou seus primeiros minutos na rodada seguinte.

Endrick comemora gol em amistoso contra o Egito: O jovem talento pede passagem – (Photo by Kirk Irwin/Getty Images)
A estreia do craque aconteceu em um cenário totalmente confortável: ele foi acionado aos 29 minutos da etapa final, quando os argentinos já goleavam a Sérvia e Montenegro por 3 a 0. No tempo que lhe restou, Messi ainda coroou a goleada por 6 a 0 deixando a sua marca no fim.

José Pekerman restringiu a utilização de Lionel Messi, escalando-o apenas com a classificação encaminhada — como nos 71 minutos diante da Holanda — e dando-lhe somente seis minutos contra o México. O ápice dessa postura conservadora ocorreu nas quartas de final, quando a Argentina foi eliminada nos pênaltis pela Alemanha após Messi assistir a 120 minutos do banco de reservas, preterido por Pekerman, que preferiu acionar o centroavante Julio Cruz, de 1,90m, no segundo tempo.






