O tempo de espera para o início da Copa do Mundo está cada vez menor. A seis meses do início da competição, a Seleção Brasileira se organiza, enquanto ainda terá duas pausas com amistosos, e uma partida adiada das Eliminatórias, diante da Argentina, para fechar os ajustes em vista da lista final de convocados.
Enquanto não fecha o grupo, Tite tem uma grande dor de cabeça: a definição de quem serão os seus escolhidos para a função de centroavante. Se as escolhas são difíceis de fazer, em uma das partidas mais recentes o treinador ainda utilizou uma nova arma: jogar sem um camisa 9, mas utilizando jogadores fora da referência, como ocorreu com Neymar e Lucas Paquetá revezando a função de “falso nove”, na goleada sobre o Chile, por 4 a 0, em março.
Além disso, a disputa entre os camisas 9, de fato, é ampla. Seja pela variedade de características de jogo ou pela fase dos jogadores que estão no radar, as convocações mais recentes – para as Eliminatórias e Copa América do ano passado – levaram muitos atletas e poucas certezas.
Em números diretos, entre 2020 e 2022, Tite convocou oito jogadores que podem fazer o papel de centroavante. Destes, cinco atuam no futebol europeu: Richarlison (Everton), Matheus Cunha (Atlético de Madrid) e Gabriel Jesus (Manchester City) são mais frequentes nas listas; já Roberto Firmino (Liverpool) não é chamado desde julho, e Arthur Cabral (Fiorentina) foi lembrado uma vez, em outubro, mas não entrou em campo.

No futebol nacional, três nomes estão no radar de Tite: Gabigol (Flamengo) é o mais frequente, tendo participado de muitas partidas do Brasil em 2021, mas sem ser convocado desde outubro. Já Pedro (Flamengo) e Hulk (Atlético-MG) tiveram poucos minutos, cada um deles atuando apenas uma vez.
Na lista mais recentefeita por Tite, os atacantes escolhidos, entre os descritos, foram Gabriel Jesus, Richarlison e Matheus Cunha, que defenderão o Brasil nos amistosos de junho.
Mas, afinal, o que cada um deles tem a oferecer? O que não oferecem? Qual foi o aproveitamento deles com Tite no período recente?
Na sequência, entram as informações sobre cada um deles, ainda “vivos” na luta por vagas na Copa – ainda mais com o aumento de convocados, agora em um total de 26 nomes.
Tomando como base os jogos da Seleção Brasileira pós-pandemia, quando disputou 17 partidas pelas Eliminatórias e outros sete duelos pela Copa América, o primeiro ponto a comparar é o tempo de jogo de cada um deles no período.
Tempo em campo
Entre 2020 e 2022, o postulante que mais tempo esteve em campo foi Richarlison: foram 995 minutos, estando em campo em 13 dos 24 duelos possíveis do Brasil no período. Depois dele, Gabriel Jesus é o mais presente, com 891 minutos em campo, tendo participado de 11 partidas.
Quem fecha o top-3 é Gabigol, que participou de 626 minutos pela Seleção entre 2020 e 2021, apenas quatro minutos a mais que Roberto Firmino. O camisa 9 do Flamengo esteve em 13 jogos do Brasil no período, contra 11 do camisa 9 do Liverpool.
Por fim, a lista dos atacantes menos utilizados por Tite no ciclo conta com prioridades diferentes. Quem vem na sequência é Matheus Cunha, com 290 minutos em campo, distribuídos em seis jogos, mas todos recentes. No fim da fila, Pedro (14 minutos), Hulk (seis minutos) e Arthur Cabral (sem jogar) podem ser lembrados em um teste distinto.

Gols e assistências
No período, quem mais fez gols pela Seleção, entre eles, foi Richarlison. Foram sete bolas na rede do atacante do Everton, incluindo três na última Data FIFA, em março. Depois dele, Firmino aparece na vice-liderança, com quatro gols; Gabigol fez três, enquanto os demais não marcaram nenhuma vez – incluindo o agravante de Gabriel Jesus, que não marca pelo Brasil desde julho de 2019.

Nos passes para gol, quem lidera é justamente Gabriel Jesus, com três assistências. Depois dele, Firmino e Richarlison aparecem na lista, com um passe para gol a cada um deles.
Momento nos Clubes
Na Europa, os atacantes postulantes vivem fases distintas. Entre os cinco, somente Richarlison é titular absoluto na equipe em que atua, embora viva o dilema de uma luta do Everton contra o rebaixamento no Campeonato Inglês.
Com lesões, Firmino viu a titularidade escapar, à medida que Diogo Jota e Luis Díaz ganharam espaço no Liverpool; enquanto Gabriel Jesus tem alternado fases boas e ruins no City. O recém-chegado Matheus Cunha ao Atlético de Madrid ganhou a fama de “bom substituto”, mas não chegou a ser titular frequentemente, além de ter se lesionado. Já Arthur Cabral, que chegou à Fiorentina em janeiro, ainda tenta se firmar, apesar dos poucos gols no início de passagem no futebol italiano.
No Brasil, Gabigol e Hulk são unanimidades e contam com os melhores números de atacantes atuando no país. Na sombra do titular, Pedro tem atuado menos – em quantidade e qualidade – no Flamengo, e tem visto o sonho de ir à Copa do Mundo ficar mais distante.


Veja os números de cada um deles na temporada atual (por suas equipes):
Richarlison em 2021-22 pelo Everton:
31 jogos (28 como titular) – 9 gols e 4 assistências
Roberto Firmino em 2021-22 pelo Liverpool:
31 jogos (16 como titular) – 11 gols e 4 assistências
Gabriel Jesus em 2021-22 pelo Manchester City:
39 jogos (26 como titular) – 13 gols e 11 assistências
Matheus Cunha em 2021-22 por Hertha Berlim e Atlético de Madrid:
36 jogos (9 como titular) – 7 gols e 5 assistências
Arthur Cabral em 2021-22 por Basel e Fiorentina:
45 jogos (37 como titular) – 29 gols e 9 assistências
Gabigol em 2022 pelo Flamengo:
22 jogos (20 como titular) – 14 gols e 2 assistências
Pedro em 2022 pelo Flamengo:
20 jogos (8 como titular) – 5 gols e 1 assistência
Hulk em 2022 pelo Atlético-MG:
17 jogos (15 como titular) – 15 gols e 3 assistências




