Mesmo com um jogador a mais por boa parte do jogo, equipe repete padrão previsível e pouco evolui na construção ofensiva
O empate do Grêmio diante do Athletico Paranaense deixa uma sensação dupla: o ponto fora de casa é importante, mas a atuação reforça problemas que já se tornaram recorrentes. Havia expectativa de mudança estrutural na escalação, com três zagueiros, dois volantes, um armador e dois atacantes, mas na prática pouco mudou.
Gabriel Mec voltou a atuar pelo lado, e o meio-campo seguiu com a mesma característica: saída concentrada nos volantes e busca constante pelos lados, principalmente com Enamorado. A ideia até parecia diferente no papel, mas dentro de campo o comportamento foi praticamente o mesmo de jogos anteriores.
A expulsão de Esquivel, ainda durante a partida, poderia ter sido o ponto de virada. Com um jogador a mais, o cenário indicava um Grêmio mais agressivo, ocupando o campo ofensivo e tentando controlar o jogo. Mas isso não aconteceu. A equipe manteve a estrutura, não aumentou a presença no meio e seguiu apostando em transições e jogadas laterais.
O Grêmio evoluiu na forma de jogar neste empate?
O Grêmio evoluiu na forma de jogar neste empate?
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Time repete padrão previsível e limita capacidade ofensiva
O principal problema segue evidente: não há transição qualificada pelo meio. O Grêmio não constrói jogadas por dentro, não infiltra e não utiliza o espaço entre linhas. Falta aproximação, falta tabela curta e, principalmente, falta variação ofensiva.
Tudo se resume a jogadas pelos lados e cruzamentos na área. Esse padrão torna o time previsível e facilita a marcação adversária. Mesmo com superioridade numérica, a equipe não conseguiu transformar posse em controle real do jogo.

Foto: Gabriel Machado/AGIF
Na segunda etapa, houve tentativa de ajuste com a entrada de Riquelme atuando mais centralizado. Ainda assim, a manutenção dos três zagueiros limitou a evolução ofensiva. Com Willian em campo, faltou aproximação para jogadas combinadas, e o time seguiu espaçado e pouco criativo.
Chances apareceram, mas atuação não convence
Curiosamente, as melhores oportunidades foram do Grêmio. Pavon acertou um cruzamento preciso para André Henrique, que, sozinho e sem goleiro, desperdiçou uma chance clara. Uma jogada que poderia mudar completamente o cenário da partida.
Nos minutos finais, Willian também teve grande oportunidade, mas a finalização foi salva praticamente em cima da linha pela defesa adversária. Mesmo assim, o desempenho individual também pesou: André Henrique teve atuação apagada e pouco contribuiu ofensivamente.
O jogo ainda teve a expulsão de Riquelme nos minutos finais, o que encerrou qualquer possibilidade de pressão mais intensa. No fim, o empate acaba sendo aceitável pelo contexto – jogo fora de casa e situação na tabela.
Mas a análise precisa ir além do resultado. O Grêmio não mostrou evolução estrutural, não controlou o jogo mesmo com vantagem numérica e segue sem soluções claras no meio-campo. O ponto somado é importante, mas a atuação exige uma revisão profunda da comissão técnica.






