Nesta segunda-feira (4), Marcinho prestou depoimento na 42ª Delegacia da Polícia Civil, no Recreio dos Bandeirantes, bairro da Zona Oeste do Rio de Janeiro. O ex-lateral-direito do Botafogo (o contrato com o clube terminou no dia 31 de dezembro), se declarou responsável pelo atropelamento de um casal na última quarta-feira (30). Na ocasião, o jogador não prestou o socorro às vítimas. A informação é do Globoesporte.com.

Marcinho assume que era o condutor do carro que atropelou casal

Marcinho se apresentou à polícia acompanhado de seu pai, Sergio Lemos de Oliveira, que também prestou depoimento. Segundo o delegado Alan Luxardo, ambos revelaram que o atleta era o motorista do carro quando ocorreu o atropelamento. Nos depoimentos colhidos, foi declarado que o automóvel era conduzido em velocidade próxima de 60km/h e que não houve ingestão de álcool anteriormente ao fato.

“Ele alegou que estava dirigindo em velocidade normal, isso vai ser comprovado com a perícia. E que o casal entrou na frente dele de forma repentina, foi isso que ele alegou. Nós vamos atrás de testemunhas, que já estão identificadas, para verificar essa versão”, declarou o delegado à imprensa.

O atleta teria atropelado Alexandre Silva de Lima na tentativa de desviar o carro de Maria José Cristina Soares. A justificativa para o não atendimento às vítimas foi a de que haveria temor de linchamento pelos que presenciaram a fatalidade.

Marcinho (de máscara) deixa delegacia após o depoimento – Foto: Reprodução

“O Márcio é uma pessoa pública, recebe ameaças pela torcida do Botafogo já há algum tempo. Tem lugar que ele nem frequenta por causa disso. Ele ficou muito assustado na hora, com vidro nos olhos, e ficou com medo de ser linchado porque as pessoas estavam juntando no local”, disse à imprensa Gabriel Habib, advogado de defesa.

O acidente resultou na morte de Alexandre Silva Lima no local do atropelamento. Maria Cristina José Soares foi internada em estado grave. Após realizar cirurgia nas duas pernas, realizada no domingo, está no CTI do Hospital Vitória.

Para o delegado, os depoimentos foram importantes pois tiraram as dúvidas de quem conduzia o veículo no momento. Entretanto, ainda não é possível que se tire outras percepções acerca do fato: “Houve fuga, isso eu não vejo como sendo diferente. E isso tudo vai ser levado em consideração no inquérito policial. Houve uma situação grave, uma saída do local”, disse o delegado, que se prepara para ouvir testemunhas ainda nesta semana.

Na última sexta-feira (31), Marcinho utilizou sua assessoria para divulgar uma nota em que declarava que estava dando “suporte necessário aos envolvidos”. No entanto, o advogado das vítimas, Márcio Albuquerque, negou o alegado suporte.

“A gente acompanhou o depoimento do jogador Marcinho, ele passou a versão dele do caso. O doutor Allan vai ouvir outras testemunhas, ainda tem a questão da perícia. Então vamos aguardar. O advogado deles disse que estão prestando auxílio, e isso não é verdade. Até agora nenhum auxílio foi prestado. Vamos aguardar, as pessoas têm que responder pelos seus atos”, enfatizou Albuquerque, que comunicou que a Promotoria de Justiça vai apurar o motivo do depoimento ter prestado cinco dias após o acidente.

Os professores atravessavam a Avenida Lúcio Costa, na altura do número 17.170, quando foram atingidos pelo carro, modelo Mini Cooper. O veículo está no nome de uma empresa de materiais hospitalares. Sergio Lemos de Oliveira, pai de Marcinho, é sócio dessa empresa e por isso foi intimado a prestar depoimento. O carro foi encontrado abandonado na Rua Hermes de Lima, no Recreio dos Bandeirantes, cerca de 600 metros do local do acidente.