Às vésperas do início do mundial, a Seleção Brasileira não chega como uma das grandes favoritas ao título. Vendo seleções um pouco mais evoluídas, como França, Espanha, Portugal e Argentina, o grupo de Ancelotti tenta driblar os problemas e cortes de última hora para embalar.
Mas além do próprio grupo selecionável, o futebol nacional também vive certo desprestígio. Para se ter ideia, esta será a primeira Copa do Mundo onde não teremos um treinador brasileiro em ação. E este “sumiço” de profissionais nascidos no Brasil em um mundial também é perceptível entre os jogadores.
Brasil diminui “prestadores de serviços” em Copas do Mundo
Há 20 anos, na Copa de 2006, Deco (Portugal), Marcos Senna (Espanha), Sinha (México), Alex Santos (Japão) e Francileudo Santos (Tunísia) entravam em campo para defender outras seleções. Naquela ocasião, 5 treinadores brasileiros também estiveram em ação, sendo Parreira pelo Brasil, Felipão por Portugal, Zico no Japão, Marcos Paquetá na Arábia Saudita e Alexandre Guimarães por Costa Rica.
Em 20 anos, o mercado mundial encolheu aos brasileiros. Além de não ter treinadores, o Brasil só conta com três atletas em outras seleções, sendo: Matheus Nunes (Portugal), Lucas Mendes (Catar) e Maurício, que se naturalizou recentemente e vai defender o Paraguai. Neste intervalo, houve uma redução de 9 para apenas três profissionais cedidos a outras seleções.

Matheus Nunes é o único brasileiro que vai defender Portugal na Copa. Foto: Agustin Cuevas/Getty Images.
Em relação aos jogadores, teve uma queda de 40% desde 2006 e estrondosos 72,7% se comparado ao pico de 2018, quando o Brasil exportou 11 atletas para outras seleções na Copa da Rússia. Se levarmos em conta jogadores e treinadores, há uma diminuição de 66,6% em talentos e mentes do futebol brasileiro para o resto do mundo no intervalo de 20 anos.
Treinadores brasileiros foram desaparecendo dos mundiais
Em 2006, o país exportava não apenas grandes ferramentas dentro de campo, mas também uma “mão de obra intelectual”. Mercados alternativos, como na Ásia, América Central e Oriente Médio, corriam atrás de treinadores brasileiros. Hoje, ao analisar até os clubes destes continentes, a procura caiu. Em contrapartida, profissionais argentinos e portugueses foram ganhando espaço.

Entre 2014 e 2022, só a Seleção Brasileira contava com técnicos nacionais, sendo Felipão e Tite. Neste mundial, apenas Silvinho chegou perto de representar o Brasil, mas foi eliminado com a Albânia na semifinal da repescagem europeia para o torneio.
Em relação aos jogadores, a queda é nítida. Portugal, que costumava “pegar” talentos por aqui, conta hoje apenas com um brasileiro. Na contramão, aArgentina, além de Holanda, França e os portugueses, principalmente por questões de herança colonial, conseguem exportar com maior facilidade os atletas para algumas das 48 seleções.






