O São Paulo vive mais um capítulo de tensão política nos bastidores. O presidente Harry Massis se manifestou oficialmente após a decisão de João Farias Junior, vice-presidente do Conselho Deliberativo, de suspender a reformulação da Comissão de Ética promovida por Olten Ayres de Abreu. Em nota, Massis não poupou críticas e foi direto ao definir a manobra: “A nomeação de novos membros para a Comissão de Ética, em meio a todos os episódios que estão sendo analisados, foi uma manobra política, com a qual não concordamos, feita apenas para prejudicar a instituição.”
A decisão de Farias Junior foi comunicada na noite de terça-feira aos membros do Conselho Deliberativo e tem dois pilares. O primeiro é o conflito de interesses evidente: Olten, que é réu num processo disciplinar interno, utilizou prerrogativa funcional para destituir o próprio colegiado responsável por seu julgamento, com o claro propósito de substituí-lo por uma composição mais favorável. O segundo argumento é que o próprio Olten já havia declarado formalmente, em 3 de maio, que abria mão de conduzir os trabalhos relativos ao caso que o envolve diretamente, recomendando a função ao vice-presidente.
Com a decisão, Farias Junior anulou o ato de destituição da Comissão de Ética praticado por Olten durante a tarde, determinou o retorno da formação original do órgão e assumiu o exercício das atribuições presidenciais relacionadas ao processo disciplinar em curso.
Massis tem feito um bom trabalho?
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Olten enfrenta dois processos e investigação policial
O presidente do Conselho Deliberativo enfrenta um cenário jurídico e institucional grave. São dois processos internos em andamento: um por quebra de estatuto, cuja pena é suspensão do cargo, e outro por gestão temerária, que pode levar à expulsão do quadro de sócios do clube. Além disso, a Polícia Civil de São Paulo investiga se Olten cometeu falsidade ideológica numa proposta de alteração estatutária apresentada no fim do ano passado, com um parecer cujo conteúdo é contestado pelos dois membros do Conselho Consultivo que o assinaram.
A sessão extraordinária que votaria a punição a Olten nesta terça foi cancelada porque conselheiros entenderam que os casos exigem estruturas diferentes de votação, conforme o estatuto do clube. A expectativa é de que, nesta quarta-feira, a Comissão de Ética restituída faça os esclarecimentos jurídicos necessários e opine sobre como deve acontecer o julgamento, com o agendamento de uma nova sessão.

Harry Massis, presidente do São Paulo. Foto: Marcello Zambrana/AGIF
Massis encerrou sua nota com um recado claro sobre os próximos passos: “Espero que as apurações continuem de forma íntegra e ajudem a passar o clube a limpo.”
Crise política se aprofunda no Morumbis
O episódio escancarou as divisões entre diferentes grupos políticos dentro do São Paulo. A reformulação da Comissão de Ética havia sido anunciada por Olten sob o argumento de preservar a credibilidade institucional e a imparcialidade dos processos internos, mas a leitura do vice-presidente e do presidente do clube foi exatamente a oposta.
Com a comissão original restituída e Farias Junior assumindo os trabalhos do processo disciplinar, o São Paulo entra nesta quarta com mais um capítulo decisivo na crise que se arrasta nos bastidores do clube.






