O Palmeiras encontrará um Santos que tem problemas para resolver antes do clássico desta quarta-feira (28), na Vila Belmiro, pela 33ª rodada do Campeonato Brasileiro. As dúvidas sobre Escobar e William Arão, além de outros desfalques, obrigam Cuca a avaliar alternativas para montar a equipe. Para Abel Ferreira, porém, a notícia só terá valor se o Verdão conseguir transformar as incertezas do adversário em vantagens dentro de campo. Afinal, uma escalação remendada não significa, necessariamente, uma equipe vulnerável.
O primeiro ponto de atenção está na lateral esquerda santista. Escobar ainda se recupera de uma lesão muscular na coxa e depende de avaliação para saber se poderá jogar. Caso não reúna condições, Barreal poderá continuar improvisado no setor, como ocorreu nas últimas partidas. É uma situação que merece ser observada pela comissão técnica palmeirense, especialmente para entender como o Santos protege o corredor e organiza a recomposição quando perde a bola.
A eventual improvisação, entretanto, não autoriza concluir que o setor será uma avenida para o Palmeiras. O que importa é identificar os encaixes defensivos construídos por Cuca e a participação dos jogadores que atuam à frente do lateral. Se o time da Vila precisar deslocar um meio-campista para cobrir o lado esquerdo, poderá abrir outro espaço por dentro. Se mantiver as coberturas bem ajustadas, o caminho exigirá paciência e movimentações coordenadas, ou seja, o Verdão precisa reconhecer o cenário durante a partida.
A possível ausência de William Arão representa uma baixa de peso para o Santos. Embora seja volante de origem, o jogador vinha apresentando bom rendimento desde que Cuca o deslocou para a zaga, tornando-se uma alternativa confiável para a defesa santista. Caso não reúna condições de atuar, o treinador precisará reorganizar novamente o setor, com João Alencar entre as opções.
A brecha para o Palmeiras aproveitar
É justamente nessa mudança que o Palmeiras pode encontrar uma oportunidade: a entrada de uma nova peça exige entrosamento e ajustes de posicionamento, aspectos que Abel Ferreira pode tentar explorar com a movimentação dos atacantes, as infiltrações e a pressão sobre a saída de bola. Não significa que o substituto será inferior, mas que a ausência de um jogador adaptado e em bom momento pode alterar uma estrutura defensiva que vinha funcionando
A provável entrada de Christian Oliva no meio-campo também merece atenção. A mudança está relacionada à ausência de Neymar, suspenso, mas seus efeitos vão além da substituição individual. Com um volante a mais, Cuca pode buscar uma equipe mais protegida pelo centro e dar maior liberdade para Gabriel Bontempo participar da criação ao lado de Philippe Coutinho e Everton Cebolinha.

Para o Palestra, isso significa que o Santos pode perder uma referência ofensiva e, simultaneamente, ganhar capacidade de compactação. O desafio será encontrar espaços sem confundir uma formação mais cautelosa com uma equipe incapaz de atacar. Essa reorganização pode mudar a maneira como o clássico será disputado.
Se o Santos proteger melhor a região central, o Palmeiras precisará movimentar a defesa adversária, acelerar a circulação da bola e encontrar o momento adequado para infiltrar jogadores na área. A amplitude dos alas pode ser importante para alargar o campo, enquanto as aproximações entre meio-campistas e atacantes podem criar superioridade em determinados setores. O objetivo não deve ser acumular cruzamentos ou passes laterais, mas provocar deslocamentos na estrutura santista e aproveitar os espaços que surgirem a partir deles.
Verdão também tem problemas para se preocupar
Há, contudo, um contraponto que impede qualquer leitura confortável para o lado alviverde: o Verdaço também enfrenta limitações no setor ofensivo. Sosa está fora após sofrer uma lesão muscular, Paulinho continua em tratamento e Vitor Roque ainda gera cautela depois de uma entorse no tornozelo. A disponibilidade do camisa 9 pode influenciar as escolhas de Abel, assim como os retornos esperados de jogadores importantes. Desta forma, o Palestra precisará encontrar soluções com as peças efetivamente à disposição, sem depender de uma superioridade ofensiva presumida apenas pela situação clínica do adversário.
Esse cenário torna a escolha dos titulares e, principalmente, das alternativas durante o jogo ainda mais relevante. Se o Palmeiras encontrar dificuldades para avançar pelo centro, precisará ter recursos para mudar a ocupação dos corredores e aproximar seus jogadores de criação. Se conseguir atrair a marcação santista para um lado, deverá explorar a possibilidade de acelerar pelo outro. A capacidade de variar os caminhos ofensivos pode ser decisiva contra um rival que, diante das dúvidas de escalação, tem motivos para priorizar a organização defensiva. Não se trata de inventar uma fragilidade no Santos, mas de obrigá-lo a responder a problemas concretos durante os 90 minutos.
Contudo, é fundamental ficar atento ao contexto do adversário. O Santos ocupa a oitava posição, soma 46 pontos e continua na disputa por uma vaga na Libertadores de 2027. Não é uma equipe que possa entrar em campo pensando exclusivamente em se defender. Mesmo que Cuca opte por reforçar a marcação, o time terá de encontrar maneiras de atacar, especialmente se precisar buscar o resultado. O Verdão poderá usar essa necessidade a seu favor, explorando os espaços que eventualmente apareçam quando o rival avançar suas linhas. Para isso, precisará manter o equilíbrio entre pressionar, atacar e proteger a própria defesa.
Alô Abel! Fique de olho nas mudanças do Santos
A principal vantagem que o Palmeiras pode construir na Vila Belmiro não está simplesmente na lista de desfalques alvinegros, mas na capacidade de interpretar as mudanças provocadas por eles. Escobar e Arão ainda são dúvidas, Barreal pode continuar improvisado, e a entrada de Oliva pode modificar a composição do meio-campo. Cada cenário exige uma resposta diferente de Abel Ferreira. Se o treinador alviverde conseguir identificar onde a reorganização santista perde eficiência e preparar alternativas para atacar esses espaços, as incertezas do adversário poderão pesar. Caso contrário, o Verdão corre o risco de transformar uma possível vantagem de escalação em apenas mais uma expectativa antes do clássico.





