O leilão que colocou o Vasco mais perto de uma nova SAF abriu também uma nova frente de pressão política dentro do Palmeiras. O grupo de conselheiros de oposição Ocupa Palestra divulgou nesta sexta-feira (25) uma nota em que cobra medidas da atual gestão diante da participação da família Lamacchia na negociação pelo controle do clube carioca.
A manifestação ocorre poucas horas depois de a Almirante Participações, empresa ligada a Marcos Lamacchia, filho de José Roberto Lamacchia e enteado da presidente Leila Pereira, vencer o leilão pela compra da SAF do Vasco na tarde desta sexta. A companhia era a única concorrente no processo.
NOTA OFICIAL DO OCUPA PALESTRA SOBRE A SAF DO VASCO DA GAMA
— Ocupa Palestra (@ocupa_palestra) September 25, 2026
Em defesa da Sociedade Esportiva Palmeiras,
Nós, conselheiros e integrantes do grupo Ocupa Palestra, acompanhamos com atenção e preocupação as recentes movimentações envolvendo a aquisição do clube… 👇
Para o grupo de oposição, a situação exige uma resposta institucional do Palmeiras diante de possíveis conflitos de interesse. Entre as medidas sugeridas está o desligamento de José Roberto Lamacchia do Conselho Deliberativo do Palmeiras, além da interrupção de eventuais benefícios diretos ou indiretos a clubes considerados rivais e a adoção de mecanismos de proteção institucional ao Verdão.
Oposição questiona conflito de interesses no Palmeiras
Segundo o Ocupa Palestra, os conselheiros já haviam procurado oficialmente os órgãos internos do Palmeiras para questionar possíveis conflitos relacionados à operação envolvendo o Vasco. De acordo com a nota, os pedidos de esclarecimento foram negados.
A preocupação ganhou força após a confirmação do resultado do leilão desta sexta-feira. Embora a aquisição ainda dependa de novas etapas para ser concluída, a empresa de Marcos Lamacchia passou a ser a vencedora do processo que pode definir o futuro societário do Vasco.
O cenário coloca o Palmeiras diante de uma situação particularmente delicada: Leila Pereira é presidente do SEP, enquanto seu marido, José Roberto Lamacchia, integra o Conselho Deliberativo e declarou anteriormente ser avalista do filho na operação financeira relacionada à compra do Vasco.
Em junho, Lamacchia afirmou que dava suporte financeiro como avalista à operação conduzida pelo filho. Na ocasião, também chegou a cogitar a possibilidade de Leila exercer algum cargo no Vasco no futuro.
Análise: relação familiar amplia pressão sobre Leila
A discussão ganhou um novo componente após reportagem de Pedro Lopes, do UOL Esporte, apontar que Leila Pereira e José Roberto Lamacchia foram sócios fundadores da empresa que deu origem à atual Almirante Participações, em março de 2024, então denominada Top Gol Participações.
A informação aumenta a pressão sobre a presidente palmeirense justamente porque a empresa ligada à família está avançando no processo de aquisição de um clube que, em novembro, será adversário direto do Palmeiras na semifinal da Copa do Brasil.
O confronto ganhou ainda mais peso no contexto atual. O jogo de ida está previsto para 1º de novembro, no Nubank Parque, enquanto a partida decisiva será disputada no Rio de Janeiro, em 8 de novembro.
Palmeiras x Vasco aumenta tensão antes da semifinal
A coincidência de calendário transforma o episódio em um tema ainda mais sensível para o ambiente político palmeirense.
Caso a aquisição da SAF seja confirmada, o Vasco estará sob controle de uma empresa diretamente ligada ao enteado de Leila Pereira. Ao mesmo tempo, o Palmeiras terá o clube carioca como adversário em uma eliminatória nacional de grande relevância.
O Ocupa Palestra entende que o Palmeiras precisa estabelecer barreiras para evitar qualquer possibilidade de conflito e, por isso, colocou o afastamento de José Roberto Lamacchia do Conselho entre as medidas defendidas pelo grupo.
Conclusão do caso
A situação ainda terá novos capítulos. A vitória no leilão não encerra imediatamente o processo de aquisição da SAF vascaína, que ainda depende das aprovações previstas no procedimento.
Além disso, a negociação vem sendo analisada pela Anresf (Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol), que avalia possíveis questões relacionadas à estrutura de propriedade da SAF.
Até que todas as etapas sejam concluídas, o caso promete continuar repercutindo nos bastidores do Palmeiras — especialmente porque envolve diretamente a família da presidente, um clube que pode se tornar adversário do Verdão em uma decisão nacional e uma operação que já provoca reação da oposição dentro da Academia de Futebol.





