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Direto da Redação

LDU desafiou Abel em 2025; agora, Palmeiras precisa dos efeitos práticos de uma transformação estratégica

Mais do que repetir uma fórmula que funcionou no passado, o Palmeiras precisa provar que aprendeu a construir novas soluções

Abel Ferreira tem um espelho do que foi 2025, mas precisa fazer disso uma evolução - Foto: César Greco - Sociedade Espotiva Palmeiras
Abel Ferreira tem um espelho do que foi 2025, mas precisa fazer disso uma evolução - Foto: César Greco - Sociedade Espotiva Palmeiras

A Libertadores voltou a colocar Abel Ferreira diante de uma cobrança que vai além do resultado de uma partida. Para mim, o principal desafio do Palmeiras contra a LDU está em mostrar que o time evoluiu na forma de interpretar jogos desse tamanho. A competição exige respostas diferentes e, neste momento, o treinador precisa apresentar uma versão do Palmeiras capaz de compreender isso antes que o jogo cobre.

Em outros momentos, Abel já mostrou que consegue transformar uma partida em ponto de virada. O Palestra de 2025, por exemplo, deixou uma demonstração importante de capacidade de reação e adaptação dentro da Libertadores. Só que o futebol não permite viver permanentemente das soluções que deram certo no passado. O contexto mudou, o elenco mudou e, principalmente, as necessidades do time mudaram.

É justamente por isso que não vejo sentido em esperar que Abel simplesmente reproduza contra a LDU aquilo que funcionou anteriormente. A questão é outra: o treinador precisa identificar quais princípios daquela experiência ainda são úteis e quais precisam ser substituídos. O Palmeiras atual possui características diferentes e oferece outras possibilidades ao técnico. Encontrar o melhor caminho para este elenco é parte fundamental da responsabilidade de Abel.

Tenho a impressão de que a Libertadores também pode revelar aquilo que o Brasileirão, em determinados momentos, consegue esconder. No campeonato nacional, a regularidade permite que um time sobreviva a partidas abaixo do nível esperado e continue acumulando pontos. Na competição continental, entretanto, cada detalhe ganha peso maior. A capacidade de mudar a dinâmica de um jogo, controlar momentos de pressão e encontrar alternativas quando o plano inicial não funciona passa a ser determinante.

Duelo vai medir a capacidade de evolução do Verdão

Por isso, vejo a LDU muito mais como uma régua do que como um simples adversário. O jogo pode mostrar se o Palmeiras está realmente desenvolvendo novas respostas ou se continua recorrendo às mesmas estruturas e aos mesmos mecanismos quando encontra dificuldades. Não se trata de exigir uma transformação completa, mas de perceber se existe evolução na capacidade de adaptação do time.

Esse talvez seja um dos pontos mais importantes para Abel neste momento. O treinador não precisa necessariamente descobrir uma formação revolucionária, mas precisa fazer com que as diferentes peças do elenco tenham funções capazes de alterar o comportamento coletivo. A riqueza de um grupo não está apenas na quantidade de opções disponíveis, mas na capacidade de transformar essas opções em soluções concretas dentro da partida.

Também considero importante separar resultado de evolução. Uma vitória contra a LDU seria extremamente relevante, mas não necessariamente significaria que todas as questões táticas do Palmeiras foram resolvidas. Da mesma maneira, uma atuação difícil não deveria apagar aquilo que o time eventualmente apresentar de novo. A análise precisa considerar se o Palmeiras está adquirindo ferramentas para competir melhor, especialmente quando enfrenta adversários que conseguem limitar suas principais virtudes.

Nesse ponto que a experiência de Abel na Libertadores ganha ainda mais importância. Ele conhece o peso da competição, já viveu diferentes cenários e sabe que determinados jogos exigem uma leitura diferente daquela utilizada durante uma sequência longa de campeonato. Agora, porém, não basta utilizar essa experiência para corrigir problemas depois que eles aparecem. O próximo passo é transformar aprendizado em preparação.

A conta tática de Abel é manter a essência palestrina

Para mim, essa é a verdadeira conta tática que Abel precisa pagar. Não é uma dívida com a LDU, nem com um confronto específico do passado. É uma cobrança com a própria evolução do Palestra. Depois de tantos anos construindo uma identidade competitiva, o treinador precisa mostrar que o time consegue preservar sua essência enquanto encontra novas maneiras de funcionar.

Considero este confronto uma oportunidade importante para medir a maturidade da SEP na Libertadores. A LDU pode ser apenas mais um adversário no caminho, mas também pode funcionar como um espelho. Se o Palmeiras encontrar respostas diferentes, demonstrar capacidade de adaptação e conseguir fazer seu elenco atual funcionar de maneira mais completa, haverá um sinal claro de evolução. E, para mim, é isso que Abel precisa provar agora: não que sabe repetir o que já deu certo, mas que consegue fazer o Palmeiras aprender a vencer de novas maneiras.

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