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Arias muda o Palmeiras, mas seus números revelam um desafio maior para Abel Ferreira

O Palmeiras consegue controlar partidas sem o colombiano, mas algo muda no ataque. A questão está menos na posse e mais em como transformar volume em perigo

Arias iniciou na reserva contra o Botafogo e gerou debate - Foto: Marcello Zambrana/AGIF
© Marcello Zambrana/AGIFArias iniciou na reserva contra o Botafogo e gerou debate - Foto: Marcello Zambrana/AGIF

Com Jhon Arias em campo, o Palmeiras já soma oito gols e seis assistências do colombiano em 35 partidas na temporada; no Brasileirão, são quatro gols e três assistências em 19 jogos. Sem ele entre os titulares contra o Botafogo, o Verdão teve 67% de posse, finalizou 17 vezes, mas não marcou. O contraste é o ponto central: a equipe consegue produzir volume sem Arias, mas perde uma fonte comprovada de participação direta nos gols.

Esse recorte impede uma conclusão simplista de que o Palmeiras deixa de atacar quando o colombiano não joga. Contra o Botafogo, isso claramente não aconteceu. A equipe teve mais posse, finalizou mais e passou boa parte da partida instalada no campo adversário. O problema esteve em outro lugar: sem uma das principais peças de produção ofensiva, o time precisou distribuir entre diferentes jogadores responsabilidades que Arias concentra em uma única função.

A diferença aparece na própria construção das jogadas. Sem Arias, o Palmeiras precisa recorrer mais às combinações entre meio-campistas, laterais e atacantes para avançar. Andreas Pereira ganha importância na criação, os laterais precisam participar mais da amplitude e os jogadores de frente passam a dividir a responsabilidade pelo último passe. Com Arias, existe uma alternativa adicional, pois ele pode receber, conduzir, associar-se e finalizar sem que a equipe precise construir toda a jogada por meio de uma sequência coletiva.

Os números individuais reforçam por que essa ausência tem peso. Arias participou diretamente de 14 gols do Palmeiras em 2026, com oito gols e seis assistências. Na Libertadores, são três gols e duas assistências; na Copa do Brasil, um gol; no Campeonato Brasileiro, sete participações em gols. Portanto, quando ele não está em campo, desaparece uma característica tática e sai da formação um jogador que já acumulou produção ofensiva relevante em diferentes momentos.

O camisa 11 já mostrou que pode ser decisivo

Os exemplos não estão concentrados em partidas de menor peso. Arias marcou o gol da vitória por 1 a 0 sobre o São Paulo no Morumbis, em um confronto direto pela liderança do Brasileirão. Contra o Vitória, participou de dois gols na vitória por 4 a 0, enquanto diante do Vasco também apareceu diretamente na goleada por 4 a 1. Na Libertadores, seus três gols e duas assistências mostram que sua contribuição também se estende a cenários diversos, aumentando o pano de fundo para a postura ofensiva palestrina.

O custo de sua ausência, porém, deve ser medido tanto pela quantidade de gols que ele poderia marcar, assim como em uma mudança no próprio desenho ofensivo. Arias permite que Abel tenha um jogador capaz de atuar aberto ou aproximar-se por dentro, criando uma relação diferente com o lateral, o meia e o atacante. Sem ele, essas funções precisam ser redistribuídas. O sistema continua funcionando, mas precisa encontrar outra maneira de gerar as mesmas conexões.

Foi exatamente esse o cenário diante do Botafogo. O Palmeiras chegou a 17 finalizações e cinco chutes no alvo, enquanto o adversário terminou com apenas quatro finalizações no alvo. Mesmo assim, o placar ficou zerado. Isso mostra que a ausência de Arias não impediu a equipe de chegar ao ataque, mas também evidencia que quantidade de ações ofensivas não significa necessariamente a mesma qualidade de produção. O Verdão teve domínio territorial, porém não encontrou o gol.

Arias fora dos titulares contra o Botafogo foi um erro?

A entrada do colombiano aos 63 minutos reforçou essa leitura. Arias passou a oferecer uma alternativa diferente para um ataque que já tinha volume, mas encontrava dificuldades para transformar esse volume em vantagem. Não seria correto afirmar que sua presença desde o início garantiria a vitória, porque isso não pode ser comprovado. O que pode ser afirmado é que Abel deixou inicialmente no banco um jogador responsável por sete participações em gols no Brasileirão e só recorreu a ele depois de mais de uma hora de partida.

Aqui que aparece o dilema de Abel. O Palmeiras não pode se tornar dependente de Arias, porque uma equipe que disputa três competições precisa ter alternativas para quando seus principais jogadores estiverem fora. Mas também não pode tratar a ausência do colombiano como se fosse uma simples troca de peças. Os números mostram que ele acrescenta uma produção ofensiva concreta, enquanto sua característica permite ao treinador modificar a maneira como a equipe chega ao último terço.

Uma pergunta e um desafio para Abel

A pergunta deixada pelo empate com o Botafogo não é se Arias precisa ser titular em todos os jogos. É se Abel já encontrou uma estrutura capaz de reproduzir, sem o colombiano, parte daquilo que o camisa 11 oferece. O Palmeiras mostrou que consegue ter a bola, controlar território e finalizar sem Arias. Ainda precisa demonstrar que consegue transformar esse domínio em gols com a mesma variedade. O colombiano é um trunfo, mas o verdadeiro desafio está em fazer sua qualidade individual funcionar como parte de uma solução coletiva e não como a única resposta ofensiva do time.

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