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Brasileirão

Grêmio afunda com Luís Castro preso ao próprio ego tático

O Grêmio perdeu para o Bragantino e voltou a apresentar os mesmos problemas de organização, criação e controle de jogo. A atuação aumenta a pressão sobre Luís Castro.

Foto: Fernando Roberto / Grêmio FBPA
Foto: Fernando Roberto / Grêmio FBPA

A derrota para o Bragantino expôs novamente um Grêmio sem repertório, sem evolução e cada vez mais próximo de uma situação perigosa no Brasileirão.

O Grêmio perdeu por 1 a 0 para o Bragantino, mas o placar, sinceramente, foi até generoso. Foram 27 finalizações do adversário. Vinte e sete. Contra um time que também está longe de ser uma maravilha técnica. E mais uma vez saí de um jogo com a mesma sensação que tenho há meses: o Grêmio é um time pessimamente treinado, sem organização, sem aproximação e sem qualquer repertório ofensivo.

Um time que não sabe o que fazer com a bola

Quando o Grêmio consegue recuperar a bola e avançar, quase sempre acontece a mesma coisa: alguém se livra dela. Rifa para a área, tenta um cruzamento de qualquer jeito ou procura uma jogada individual. Não existe triangulação, não existe movimentação coordenada, não existe aproximação entre os setores. O time parece que entra em campo esperando que alguma coisa simplesmente aconteça.

E faz quanto tempo que eu bato na mesma tecla? Faz quanto tempo que falo sobre a necessidade de dois meias próximos, participando da construção e dando qualidade ao jogo? Luís Castro vive dizendo que já utilizou meio-campo com três, quatro ou até cinco jogadores. Mas, na prática, isso não aconteceu da forma como ele tenta fazer parecer.

Quando colocou dois jogadores com características de criação, quase sempre um deles foi deslocado para o lado. Aconteceu com Gabriel Mec, com William, com Monsalve e em outras situações. Luís Castro simplesmente não abre mão da sua ideia: dois extremos e um centroavante. O problema é que o Grêmio não tem inteligência tática nem segurança defensiva para sustentar esse sistema.

Luís Castro está afundando no próprio ego

O treinador parece cada vez mais preso à convicção de que o problema está em qualquer lugar, menos no modelo que insiste em repetir. O Grêmio jogou mal contra o Mirassol, jogou mal contra o São Paulo mesmo vencendo e voltou a ser dominado pelo Bragantino. As vitórias anteriores vieram muito mais pela raça, vontade e entrega do que por uma evolução coletiva.

E agora fica ainda mais difícil entender. Foram duas semanas inteiras de trabalho. Tempo para treinar, corrigir posicionamento, criar alternativas e fazer o time evoluir. Mas o que apareceu em Bragança Paulista? Praticamente nada. O Grêmio continuou sem trocar passes com qualidade, sem conseguir controlar o jogo e sem ser capaz de agredir o adversário.

E aí entra também a responsabilidade da direção. Com todo o respeito que tenho pelo Rafael Lima, que considero um grande gremista e uma pessoa extremamente dedicada ao clube, eu não consigo concordar quando se diz que o trabalho diário é bom. Se o trabalho fosse realmente bom, alguma evolução apareceria dentro de campo. Nem que fosse pequena. E oito meses depois, o Grêmio continua apresentando os mesmos problemas.

Tenho a impressão de que existe o risco de se confundir o bom relacionamento pessoal com a avaliação profissional. Luís Castro pode ser uma ótima pessoa. A comissão pode trabalhar muito e ser composta por profissionais corretos. Mas futebol se mede, principalmente, pelo que o time apresenta em campo. E o Grêmio não evolui, não cria, não controla jogos e sofre demais.

A situação começa a ficar perigosa. O Grêmio está cada vez mais perto da zona de rebaixamento e não existe mais espaço para esperar uma evolução que simplesmente não aparece. Insistir apenas porque o treinador é convicto das suas ideias pode custar muito caro. Convicção sem resultado, depois de tanto tempo, começa a se transformar em teimosia.

O Grêmio precisa tomar uma atitude. E precisa ser rápido. Não estou falando isso por causa apenas da derrota para o Bragantino. Estou falando pelo conjunto de meses, pelos mesmos erros repetidos e pela absoluta falta de evolução. Se nada mudar, o Grêmio corre um risco real de caminhar novamente para uma luta contra o rebaixamento. E a direção precisa decidir se vai continuar esperando ou se vai agir antes que seja tarde demais.

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