Clube carioca apresenta cenário financeiro crítico e lista de credores coloca o Tricolor entre os mais afetados
O Botafogo protocolou, na última quarta-feira (22), um pedido de recuperação judicial na Justiça do Rio de Janeiro, escancarando um cenário financeiro extremamente delicado. Entre os credores, o Grêmio aparece como um dos principais afetados, com mais de R$ 20,4 milhões a receber, evidenciando o impacto direto para o clube gaúcho.
O documento apresentado pela SAF do clube carioca aponta um passivo total superior a *R$ 2,5 bilhões, sendo cerca de R$ 400 milhões apenas em dívidas tributárias. Além disso, aproximadamente *R$ 1,4 bilhão já está vencido ou prestes a vencer até o fim de 2026, o que reforça a gravidade da situação enfrentada pelo Glorioso.
Dentro desse cenário, o Grêmio ganha ainda mais destaque não apenas como credor institucional, mas também por envolvimento em negociações recentes. Um dos principais exemplos é o jovem *Nathan Fernandes, formado na base gremista e vendido ao Botafogo em fevereiro de 2025 por **10 milhões de dólares (cerca de R$ 57,3 milhões na época). O acordo previa **7,5 milhões de dólares fixos e 2,5 milhões em bônus por metas, além de percentual de mais-valia futura. Hoje, o atleta aparece na lista com *quase R$ 5 milhões a receber, sendo a segunda maior dívida com jogadores.
Grêmio aparece entre maiores credores do Botafogo
Entre os clubes brasileiros, o Tricolor figura entre os maiores valores a receber, ficando atrás apenas do Santos. Confira a lista completa:
Times brasileiros
- Santos: R$ 22.290.750,00
- Grêmio: R$ 20.439.672,06
- Ceará: R$ 5.294.864,36
- São Paulo: R$ 4.168.859,20
- Volta Redonda: R$ 340.180,00
- Portuguesa: R$ 141.000,00
- Nova Iguaçu: R$ 85.022,38
- Hercílio Luz: R$ 75.000,00
- Internacional: R$ 8.000,00
- Ferroviária: R$ 7.500,00
Já no cenário internacional, os números impressionam ainda mais, com destaque para a Major League Soccer:
Times estrangeiros
- Major League Soccer (Atlanta United): R$ 191.001.575,11
- Nottingham Forest: R$ 118.673.598,75
- Benfica: R$ 67.098.880,00
- Zenit: R$ 56.409.851,69
- Ludogorets: R$ 37.420.730,00
- Udinese: R$ 34.346.272,75
- Lyon: R$ 30.079.000,60
- Vélez Sarsfield: R$ 23.641.090,00
- Junior Barranquilla: R$ 17.562.025,00
- Nacional (URU): R$ 15.619.132,50
- Betis: R$ 12.031.600,00
- Krasnodar: R$ 10.653.030,00
- Braga: R$ 6.015.800,00
- Cádiz: R$ 5.861.548,75
- Independiente Del Valle: R$ 2.551.675,00
- Vitória (Portugal): R$ 598.864,80
- Coimbra: R$ 300.000,00
Além disso, há dívidas relevantes com empresas e instituições financeiras:
Investidoras, bancos e fornecedores
- GDA Luma Onshore: R$ 124.835.000,00
- Oliveira Trust: R$ 67.530.609,58
- Macquarie Bank Europe Paris: R$ 64.216.767,77
- Macquarie Bank London: R$ 46.923.240,00
- Sports Invest UK: R$ 20.516.842,93
- Ingresse: R$ 17.343.930,80
- Tersole S.A: R$ 8.204.047,25
- Araguaia Fundo de Investimentos: R$ 7.600.000,00
- Encore Investimentos: R$ 5.924.423,10
- TS Sports Marketing Esportivo: R$ 4.515.800,00
Entre atletas e profissionais, a lista também é extensa:
Atletas e técnicos
- Igor Jesus (IJ Athlete Direito de Imagem Ltda): R$ 17.232.908,57
- Nathan Fernandes: R$ 4.953.500,00
- Thiago Almada: R$ 2.661.234,50
- Bruno Lage: R$ 2.489.611,88
- Cristian Medina (CMedina Sports Ltda): R$ 2.101.280,00
- Renato Paiva (RP Paiva99 Treinamentos Esportivos Ltda): R$ 2.056.619,32
- Santiago Rodríguez: R$ 1.575.960,00
- Danilo (Dan Sports Marketing Esportivo): R$ 1.540.000,00
- Jeffinho (J47 Gestão de Imagem Ltda): R$ 1.500.000,00
- Savarino: R$ 1.451.810,00
- Savarino (Savarino Sports Ltda): R$ 1.148.196,60
- Lucas Perri (Perr1 Sports Ltda): R$ 1.137.800,00
- Arthur Cabral: R$ 1.100.000,00
- Cuiabano (LES da Silva Cuiabano Sports): R$ 1.042.500,00
- Tiquinho Soares (Tiquinho Sports Ltda): R$ 900.000,00
- Matheus Nascimento: R$ 756.965,00
- Bruno Lage (Bruno Lage Sports Ltda): R$ 640.000,00
- Gonzalo Mastrianni: R$ 510.000,00
- John (John Victor M. Furtado Serviços): R$ 440.000,00
- Tchê Tchê: R$ 372.619,91
- Patrick de Paula (PK5 Sports Ltda): R$ 372.000,00
- Gabriel Bahia: R$ 350.000,00
- Jeffinho: R$ 348.204,00
- Erison: R$ 268.552,94
- Léo Linck (Leo Linck Sports Ltda): R$ 255.750,00
- Luis Henrique: R$ 229.047,98
- Segovinha (Matias Segovia Sports Ltda): R$ 210.474,97
- Lucas Halter: R$ 166.675,00
- Yarlen: R$ 150.000,00
- David Sousa: R$ 150.000,00
- Lucas Villalba: R$ 131.330,00
- Riquelme Felipe: R$ 75.000,00
- Janderson: R$ 67.500,00
- Vitor Hugo: R$ 58.525,46
- Cauã Zappelini: R$ 25.000,00
O Grêmio deve se preocupar com o calote do Botafogo?
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A situação exposta pelo clube carioca levanta um alerta importante: o Grêmio, além de credor relevante, também está diretamente envolvido em negociações recentes que agora entram em risco dentro do processo de recuperação judicial.
Crise do Botafogo expõe riscos das SAFs no futebol brasileiro

Textor no Botafogo. Foto: Thiago Ribeiro/AGIF
O pedido de recuperação judicial também detalha prejuízos consecutivos: *R$ 56 milhões em 2023, R$ 300 milhões em 2024 e R$ 287 milhões em 2025, fazendo com que o patrimônio líquido atingisse *R$ 427,2 milhões negativos. Segundo o próprio documento, a situação chegou ao ponto de não haver recursos suficientes nem para o pagamento da folha salarial.
Outro ponto que chama atenção é a admissão do clube de que o acúmulo de dívidas pode inviabilizar suas operações. A SAF solicitou à Justiça a suspensão de cobranças e bloqueios, numa tentativa de reorganizar suas finanças e evitar colapso total.
Para o Grêmio, o cenário serve como um alerta claro. Apesar de ser um modelo moderno, a SAF não garante estabilidade automática. Sem gestão sólida, planejamento e fluxo de caixa sustentável, o risco permanece alto, como evidencia o caso do Botafogo.
Por outro lado, também reforça a necessidade de o clube gaúcho manter cautela em negociações e garantir mecanismos de proteção financeira. Em um ambiente cada vez mais complexo, ter controle e responsabilidade segue sendo o principal diferencial fora de campo.





