Do lado esquerdo do campo do Huntington Bank, em Cleveland, Raphinha desce em velocidade e encontra Endrick já dentro da área. O camisa 19 não hesita e estufa as redes. Brasil, 2 a 1.
As mãos do atacante se abrem em direção à torcida. Lentamente, ele corre, pula e o seu número de 19, por alguns minutos, transforma-se em um 10. Inevitavelmente, não houve um torcedor que não tenha pensado o mesmo que eu.
A comemoração de Endrick nos fez pensar nele: Pelé. Em diversas e inesquecíveis aparições em Copas do Mundo, o Rei corria em direção à torcida, de peito aberto, para receber o abraço coletivo. Não por acaso, Endrick fez o mesmo.
A torcida brasileira, claro, reagiu instintivamente, entre gritos e aplausos direcionados ao atacante. E isso faz ainda mais sentido quando pensamos que, muitas vezes, o que um jogador precisa vai além do campo.
Para você, Endrick deveria ser titular contra o Marrocos?
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Carinho que traz confiança
Em entrevista recente à Cazé TV, que decidiu passar um dia acompanhando a rotina de Endrick no Lyon, na França, o atacante fez um desabafo que não consegui tirar da cabeça.
“Quando colocaram meu nome ali (na escalação, no telão), o pessoal da torcida gritou bastante meu nome. Isso acontecia bastante no Palmeiras, e voltar a ver isso, esse carinho gigantesco, é realmente muito bom. Ver as pessoas com cartazes com o meu nome”, declarou.
É nítida a saudade que Endrick sente das suas raízes, do Palmeiras e, principalmente, daqueles que gritam o seu nome com tanto entusiasmo. Em meio a tantas críticas, torna-se ainda mais difícil confiar em si mesmo. Acho que todos somos prova disso.
Endrick é apenas um jovem que quer confiar em si mesmo, que deseja sentir o mesmo do próximo e que busca se “livrar” um pouco da visibilidade e ter mais liberdade de ser quem é.

SP – SAO PAULO – 30/05/2024 – COPA LIBERTADORES 2024, PALMEIRAS X SAN LORENZO – Endrick jogador do Palmeiras durante partida contra o San Lorenzo no estadio Arena Allianz Parque pelo campeonato Copa Libertadores 2024. Foto: Marcello Zambrana/AGIF
A Copa traduz isso para os brasileiros
Mesmo com os insucessos do Brasil nas últimas Copas do Mundo e nos ciclos recentes, o grande baque do Catar, em 2022, ainda paira no coração de milhares de brasileiros e também alimenta certa desconfiança.
Apesar disso, eu paguei para ver, confesso, e hoje vejo a grande maioria dos brasileiros, em 2026, de coração aberto, chamando por ele: o hexacampeonato. Estamos diante de muita esperança, mesmo em meio ao receio.
As ruas pintadas, as bandeirinhas penduradas por diversos lugares. Fazia muito tempo que eu não via isso. E, em contrapartida, talvez seja exatamente isso que Endrick precise para se firmar.
Do amor, do carinho e do abraço. Acho que não existe torcida melhor do que a do Brasil para proporcionar isso. E, se há uma coisa que o brasileiro faz como poucos, é não desistir daqueles que também não desistem de nós. O futebol brasileiro respira esse sentimento.

A titularidade eu não sei, mas torço por ela
No sábado, dia 13, o Brasil entra em campo para o seu primeiro compromisso na Copa do Mundo de 2026. A equipe comandada por Carlo Ancelotti enfrenta o Marrocos, às 19h (de Brasília).
Endrick pode não ser titular, e isso nós já sabemos. O treinador italiano tem deixado claras as suas preferências, mesmo diante do quanto o atacante pode ser decisivo, e os números comprovam isso.
Um levantamento recente divulgado pelo Lance! mostrou que, mesmo com poucos minutos em campo, Endrick foi decisivo. Em 17 jogos disputados com a camisa da seleção, ele foi titular apenas uma vez, mas já acumula cinco participações diretas em gols: quatro bolas na rede e uma assistência.
E eu sei: números dificilmente vencem esse debate. Protagonismo, então, larga alguns passos atrás. Mas eu torço para que Endrick tenha grandes oportunidades nesta Copa do Mundo. E torço ainda mais para que nós possamos abraçá-lo como fizemos com Pelé e com todos os outros ídolos que atravessaram gerações vestindo a camisa amarela.
Boa sorte, Endrick. Tenha certeza de que, de nós, apoio não vai faltar.
“Quero dizer que julgo o amor a coisa mais importante na vida e que devemos nos ajudar sempre que possível. Digam comigo três vezes: amor, amor e amor.” — Pelé.





