Ricardo Rocha, novo gerente de futebol do Cruzeiro concedeu sua primeira entrevista coletiva nesta terça-feira (10). Rocha ressaltou sua confiança na possibilidade de desenvolver um trabalho respeitável no clube e destacou caminhos que a Raposa deve trilhar em busca da reação no Campeonato Brasileiro da Série B.

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Com ideias de usufruir de forma plena a autonomia que lhe foi confiada, bem como, desenvolver olhares atentos para a base, Ricardo Rocha prega simplicidade e compromisso: “Quero tentar ajudar. O problema do futebol é as pessoas fazerem sempre diferente. Acho que futebol é muito simples. Quem ganha jogo é o jogador. O treinador é importante, o Vanderlei (Luxemburgo) é um cara importante, mas se os caras não quiserem, a bola não entra, as coisas não funcionam.”
Recém-chegado na Toca, o gerente não se esquivou de expor como foi sua ‘leitura’ do ambiente que encontrou: “Eu senti um grupo um pouco abatido. Por tudo que se passa no Cruzeiro. Eu cheguei ontem. O que eu sinto nos jogadores é a confiança que eles têm no trabalho do Vanderlei (Luxemburgo). Eu também vim pelo Vanderlei, mas também vim pelo que é o Cruzeiro. O que a gente tem que fazer é o seguinte: falar pouco e trabalhar muito. Eu venho aqui pra ajudar o Cruzeiro, eu quero fazer muito se eu puder ajudar. O Cruzeiro é muito grande. Os jogadores precisam entender. Todos têm que entender a força que é o Cruzeiro.”
Na sequência, Rocha detalhou o quanto acredita ser importante o trabalho voltado para a base de jogadores do clube: “O Cruzeiro sempre revelou grandes jogadores pro Brasil e para o mundo. É muito difícil revelar jogadores hoje no Cruzeiro por tudo que atravessa. Vanderlei gosta de lançar garotos. Um dos trabalhos que eu vou ter é ver alguns jogos da base, analisar. Mesmo quando eu trabalhava como repórter, eu falava ‘a salvação do futebol brasileiro está na base’.”
“Se o Cruzeiro tem a condição de revelar e vender bem, porque o Cruzeiro tem potencial. Agora, é muito fácil como fizeram agora, venderam jogadores por bagatela, o Cruzeiro numa crise financeira. Isso é sangrar o clube. Se você puder vender bem, você vai vender bem. Se você tiver numa primeira divisão, você vai vender muito melhor. Adoro e amo a base e pode ter certeza que com o treinador que se tem, esse garoto respondendo, Vanderlei vai aproveitar”, concluiu o gerente.
O profissional também fez comparações com seus antigos trabalhos em outros clubes. Rocha se disse mais preparado e revelou que no Time Celeste, tem uma autonomia que jamais teve: “Primeiro você precisa de ter autonomia. Quando eu fui para o Criciúma, eu fui para ser diretor do presidente. Buscar recursos, ajudar o clube, CBF. Aqui eu venho com uma liberdade maior, mesmo em relação ao São Paulo. Participar das reuniões, de ideia de jogadores, esse elo entre jogadores, diretoria e Vanderlei. A diferença do futebol brasileiro, hoje, é essa diferença que trouxeram. Futebol é simples. Futebol é olho no olho. Eu concordo com a modernidade, ela tem que ter as duas coisas, mas não demais, não exagerada.”
Para finalizar, a entrevista teve em sua pauta a questão dos salários atrasados. Luxa colocou como condição para assinar, que o clube acertasse com os jogadores, o novo gerente enfatizou a importância de quitar as dívidas com o elenco:
“Se você me perguntar, o Cruzeiro tem uma dívida na FIFA que precisa ser paga, ou com esse dinheiro você pagar até o final do ano aos jogadores que nós temos, eu prefiro que pague os jogadores. Não adianta pagar a FIFA, não ter dinheiro pra terminar o ano e não pagar os jogadores e contratar jogadores que você não vai pagar. Você tem que passar confiança pra quem está aqui. Eu prefiro que a gente pague aos nossos jogadores. Eu confio nesse elenco. Eu vim sabendo que a gente não podia contratar, se hoje eu tenho dinheiro pra liberar contratação ou pagar esses atletas, eu quero que pague esses jogadores, comissão técnica e todos que trabalham no Cruzeiro.”









