O Real Brasília confirmou oficialmente que não disputará o Brasileirão Feminino Série A1 de 2026 e detalhou os motivos que levaram à decisão. Segundo o clube, o fator central foi o encerramento do patrocínio master com o Banco de Brasília (BRB), principal fonte de financiamento do projeto nos últimos anos. O contrato teve vigência até dezembro de 2025 e não foi renovado para a temporada seguinte. A diretoria afirma que a escolha foi feita com base em critérios financeiros e orçamentários. O comunicado busca esclarecer dúvidas levantadas após a repercussão do caso.

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Em nota, o clube explicou que o fim da parceria com o BRB inviabilizou a manutenção da equipe feminina na elite nacional. “A parceria com o BRB chegou ao seu término contratual ao final de 2025 e, até o momento, não houve a renovação do patrocínio master para a temporada 2026”, informou o Real Brasília. Sem a principal fonte de recursos, a diretoria avaliou não haver condições de sustentar o projeto nos moldes exigidos pela Série A1. A decisão, segundo o clube, foi tomada após análise interna detalhada. O objetivo declarado foi evitar riscos financeiros futuros.
Outro ponto abordado pelo Real Brasília diz respeito a eventuais pendências com atletas. O clube afirmou que sempre buscou agir com responsabilidade nas relações contratuais e que possíveis débitos estão sendo tratados nos canais adequados. “Eventuais pendências estão sendo tratadas dentro dos canais administrativos e jurídicos adequados, respeitando os contratos firmados e a legislação vigente”, diz a nota. A diretoria reforça que não houve abandono de obrigações. O tema ganhou destaque após questionamentos da reportagem.

Real Brasília. Foto: Marlon Costa/AGIF
Diretoria trata decisão como responsável e definitiva
Sobre o caráter da decisão, o Real Brasília indicou que, no cenário atual, a desistência é tratada como definitiva. De acordo com o clube, a medida reflete a realidade financeira e orçamentária do momento. “A decisão anunciada reflete o cenário concreto atual e foi tomada de forma responsável para evitar compromissos que o clube não tenha plena condição de honrar”, afirmou. Ainda segundo a nota, qualquer mudança dependeria de “fatos novos objetivos”, o que não está colocado neste momento. O discurso enfatiza prudência administrativa.
O clube também esclareceu a situação contratual do elenco feminino. Segundo o Real Brasília, não há atletas com vínculo ativo neste momento. “Todos os contratos foram encerrados em novembro. Com isso não temos vínculo com nenhuma atleta”, informou a diretoria. A explicação busca afastar dúvidas sobre rescisões pendentes ou rompimentos unilaterais. Com isso, o clube afirma não manter obrigações trabalhistas vigentes com jogadoras para 2026.
Com a desistência confirmada, a vaga aberta na Série A1 do Brasileirão Feminino passará a ser tratada pela Confederação Brasileira de Futebol. A CBF deverá definir os critérios para reposição no calendário de 2026. Caso seja seguido o critério esportivo, o Vitória, quinto colocado da Série A2 em 2025, herdará a vaga. A definição oficial ainda depende de comunicação da entidade.

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Ao final do posicionamento, o Real Brasília destacou respeito à modalidade e à trajetória construída ao longo dos últimos anos. “Reforçamos que o Real Brasília tem profundo respeito pela modalidade, pelas atletas, profissionais e pela história construída”, conclui a nota. O clube afirma que todas as decisões estão sendo tomadas com “seriedade, transparência institucional e responsabilidade jurídica”. A saída da elite nacional encerra um ciclo iniciado em 2019 e expõe, mais uma vez, a fragilidade estrutural de projetos dependentes de patrocínios pontuais no futebol feminino brasileiro.








