Dias após comunicar o encerramento dos investimentos diretos no futebol feminino, o Fortaleza voltou atrás e confirmou sua permanência na Série A1 do Brasileirão Feminino em 2026. A continuidade será viabilizada por meio de uma parceria com o R4, projeto comandado por Ronaldo Angelim. A decisão surge em meio à forte repercussão negativa gerada pelo anúncio inicial de desistência. Atletas, profissionais e entidades ligadas à modalidade acompanharam o desfecho com expectativa.

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Ronaldo Angelim afirmou que o cenário exigiu cautela e escuta ativa diante do peso institucional do Fortaleza no futebol feminino nacional. Segundo ele, a retirada do clube da elite teria efeitos esportivos e simbólicos relevantes. “A gente está vendo se dará certo, estou conversando com eles”, afirmou no último domingo (4). Em seguida, reforçou o compromisso com a modalidade: “Não queremos ver o Fortaleza fora de uma Série A depois de tanto trabalho. É preciso dar apoio ao futebol feminino”. A fala reflete a tentativa de preservar um projeto construído ao longo dos últimos anos.
A solução foi articulada rapidamente, especialmente pela proximidade do início do Brasileirão Feminino A1. De acordo com Angelim, a proposta prioriza a manutenção da estrutura esportiva já existente no Fortaleza. “Provavelmente deve permanecer tudo da comissão técnica. A principal mudança seria mesmo a sede, que passaria a ser em Juazeiro”, explicou. A cidade cearense é onde o R4 está sediado e desenvolve suas atividades. O ajuste logístico surge como alternativa para viabilizar financeiramente o projeto.

Fortaleza classificado para semi. Foto: Divulgação/Fortaleza EC
Impacto direto na composição da Série A1
Com a confirmação do Fortaleza na elite, a vaga não será herdada pelo Mixto-MT, que figurava como substituto natural pelo critério esportivo. O desfecho também influencia diretamente o rearranjo das divisões nacionais para 2026. No mesmo cenário, o Vitória deve ocupar a vaga deixada pelo Real Brasília, que abriu mão da Série A1 por falta de patrocínio. As definições evitam mudanças mais profundas na hierarquia esportiva do campeonato. A CBF deve oficializar o novo quadro nos próximos dias.
Apesar da confirmação da participação, o formato final da parceria entre Fortaleza e R4 ainda não foi completamente detalhado. Questões administrativas, operacionais e regulatórias seguem em discussão interna. A expectativa é que o anúncio oficial esclareça responsabilidades de cada parte, orçamento e planejamento esportivo. Internamente, o clima é de prudência, mas também de alívio pela manutenção na elite. Para atletas e comissão técnica, a definição reduz a instabilidade vivida nas últimas semanas.
O R4 é um projeto de futebol feminino idealizado por Ronaldo Angelim em Juazeiro do Norte, no Ceará, com foco no desenvolvimento de atletas da região. Antes da parceria com o Fortaleza, o projeto já havia se articulado para disputar competições nacionais. Em 2022 e 2023, o R4 se associou ao Guarani de Juazeiro, garantindo vaga na Série A3 do Brasileirão Feminino. A equipe também disputou o Campeonato Cearense, alcançando a terceira colocação com elenco majoritariamente formado por jogadoras do próprio projeto.

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Fortaleza segue na elite em ano decisivo
A permanência do Fortaleza na Série A1 representa mais do que uma solução emergencial. O movimento preserva a presença de um clube de massa no principal nível do futebol feminino brasileiro. Em um calendário que prevê aumento de cotas e maior visibilidade à modalidade, a decisão ganha peso estratégico. Para o futebol feminino cearense, o acordo evita um retrocesso significativo. Para as Leoas do Pici, significa a chance de dar continuidade ao trabalho no cenário nacional.








