O futebol feminino brasileiro virou destino cada vez mais comum para jogadoras sul-americanas em busca de estrutura, melhores salários e mais oportunidades. Em 2026, o Brasileirão bateu recorde de estrangeiras: são 47 atletas, segundo levantamento da CBF.
O número ajuda a explicar a força do Brasil no continente. Jogadoras como as argentinas Sole Jaimes e Paulina Gramaglia fizeram do país parte importante de suas carreiras, seja para se desenvolver ou ganhar projeção internacional.
Mais jogos fazem diferença
Um dos principais atrativos é o calendário. Enquanto outros países ainda têm competições mais curtas, os clubes brasileiros disputam Brasileirão, estaduais, Copa do Brasil e Libertadores, garantindo mais partidas e exposição.
Em entrevista ao UOL, a treinadora Tatiele Silveira, do Colo-Colo, apontou essa diferença. “Mais jogos significam mais tempo de prática, experiência e exposição em alto nível. Esse é um dos pontos que ainda precisamos desenvolver em outros países da América do Sul: ampliar o calendário e criar mais oportunidades para que as atletas possam competir e evoluir.“
Brasil também virou vitrine
A colombiana Gisela Robledo, do Corinthians, vê o país como referência no continente. “Para mim, o futebol brasileiro é o melhor da América. A liga é muito boa e competitiva. Em cada competição internacional se demonstra que o Brasil é uma potência mundial.“
O calendário reforça essa diferença. Em 2025, Corinthians e Ferroviária fizeram 55 e 44 jogos. Entre os clubes estrangeiros da Libertadores, Colo-Colo teve 37 partidas, Deportivo Cali 32, Boca Juniors 31 e Nacional-PAR apenas 20.
Para Tatiele, o avanço brasileiro está ligado à estrutura dos projetos. “Apesar do atraso histórico que conhecemos, o futebol feminino brasileiro se desenvolveu de forma mais acelerada que o de outros países da América do Sul. Os grandes clubes entenderam que o futebol feminino é um produto com potencial próprio e que, com projetos estruturados e investimentos consistentes, pode ser competitivo, rentável e sustentável.”




