Na noite da última terça-feira (26), as jogadoras do Corinthians Feminino tiveram que se reunir para cobrar o clube por algo que, convenhamos, nem deveria estar sendo cobrado: o pagamento de direitos de imagem e premiações que são delas por direito. E isso, para mim, é uma vergonha para a instituição.
O clube vive uma crise financeira gravíssima, e isso não é novidade. O próprio elenco masculino também enfrenta atrasos. Conforme apuração do Bolavip, no caso das Brabas, são dois meses de direitos de imagem e três premiações pendentes, e a diretoria ainda não tem prazo para quitar os valores.
O que incomoda é que estamos falando de um departamento que, durante muito tempo, foi tratado como exemplo dentro do próprio Timão. Um time que ganhou praticamente tudo, colocou o clube no topo do futebol feminino e conquistou títulos que o masculino sequer conseguiu nesse período.
Quando o dinheiro aperta, quem fica em segundo plano?
Não é sobre dizer que o Corinthians não deveria investir no masculino. É óbvio que o futebol masculino é o principal produto do clube e movimenta cifras muito maiores. Mas a forma como as prioridades aparecem em momentos de crise também diz muito sobre o valor que cada departamento tem para a instituição.
E o contraste fica ainda mais evidente quando olhamos para o novo contrato de Memphis Depay. O holandês tem um custo milionário ao time, enquanto o departamento feminino convive com pagamentos atrasados. Não é colocar o jogador contra as Brabas, mas é impossível ignorar a diferença de tratamento financeiro dentro do mesmo clube.
É importante lembrar que o elenco feminino també gera dinheiro, traz premiações, movimenta a torcida e fortalece a marca do time Alvinegr. Só no primeiro semestre deste ano, o futebol feminino gerou mais de R$ 7 milhões com renda de jogos e premiações. Ou seja: não estamos falando de um departamento que apenas recebe investimento.
O feminino já provou o quanto é importante
Talvez esse seja o ponto que mais incomode. O Corinthians Feminino não está pedindo para ser tratado como uma modalidade de segunda categoria. Está pedindo que um projeto que já deu tanto retorno esportivo e financeiro ao clube seja respeitado.
A crise financeira é real e precisa ser enfrentada. Mas, quando falta dinheiro, é justamente aí que aparecem as prioridades. E a diretoria corinthiana precisa tomar cuidado para não fazer com que as Brabas sejam prioridade apenas quando existe uma taça para levantar.




