Amanhã, quarta-feira, o Corinthians entra em campo contra o Estudiantes para um jogo que pode ficar marcado na história. Não apenas por uma classificação às semifinais da Libertadores, mas por tudo que existe por trás dela. O Timão não chega a essa fase da competição há 14 anos e, desta vez, terá a chance de quebrar esse jejum justamente em um dos momentos mais turbulentos de sua história recente.
O clube atravessa uma crise estrutural, com o atual presidente denunciado pelo Ministério Público e uma sequência de problemas políticos e administrativos que se acumulam.
Há salários atrasados, cobranças internas e uma instabilidade que, muitas vezes, ultrapassa os bastidores e interfere diretamente no futebol. É como se o corinthiano acordasse todos os dias com uma nova preocupação envolvendo o clube.
O Corinthians que precisa sobreviver a tudo
Dentro de campo, o cenário também está longe de ser confortável. O Timão é o 13º colocado no Campeonato Brasileiro e não vence há cinco partidas, com quatro derrotas e um empate nesse período. Soma-se a isso um departamento médico cheio e a necessidade de administrar um calendário pesado justamente em um momento decisivo da temporada.
É por isso que pensar em uma semifinal de Libertadores agora parece quase improvável. Mas o Corinthians conseguiu buscar um 1 a 1 na Argentina, um resultado enorme diante de tudo que envolve essa decisão. Agora, terá a Neo Química Arena lotada para tentar transformar esse resultado em classificação.
Não será fácil. O Estudiantes é um adversário argentino, e sabemos o quanto esses jogos costumam ser disputados, físicos e tensos. Cada bola dividida terá peso, cada erro poderá custar caro. Para voltar a uma semifinal depois de 14 anos, o Alvinegro vai precisar sobreviver a uma noite que promete ser de muita pressão.
Talvez seja por isso que essa classificação significaria tanto
E é impossível ignorar o outro lado. Uma eliminação não criaria todos esses problemas, mas poderia ampliar ainda mais a pressão sobre um Corinthians que já chega ao jogo cercado de questionamentos.
Por isso, amanhã o Corinthians não joga só pela classificação. Joga por uma torcida que está angustiada, por uma noite de alívio e pela possibilidade de mostrar que, mesmo diante de tantas adversidades, ainda consegue encontrar forças para seguir em frente.
Não é sobre achar que uma semifinal vai resolver a crise do Parque São Jorge. Não vai. Mas, para quem vive o Corinthians, uma noite como essa pode significar muito.
Que o Corinthians sobreviva. E, se sobreviver, que consiga ir além. Porque, depois de tudo que esse torcedor tem enfrentado, ele merece voltar a viver uma noite em que o futebol seja motivo de orgulho, e não mais uma preocupação.




